por Redação
Trip #277

Dez das melhores entrevistas de Páginas Negras dos 32 anos de história da Trip revisitadas em um especial de aniversário

Para celebrar nosso aniversário de 32 anos, mergulhamos em nosso acervo com um objetivo: selecionar nossas favoritas, entre nossas mais de duas centenas de entrevistas de Páginas Negras. Mas, como apenas visitar o passado não é nossa pegada, batemos um novo papo com cada entrevistado — Pedro Bial, Glória Perez, Leandro Karnal, Rodrigo Pimentel, Luiz Mendes, Bianca Magro (primeira trans operada legalmente no Brasil), William Ury (o mago da solução de conflitos) e Fernando Waack (o ex-viciado em cocaína que voltou do inferno) — e também abrimos espaço para a saudade, com três personalidades brasileiras que deixaram sua marca em nossa história: Otávio Frias Filho, Tunga e Luiz Melodia.

E agora? Reserve um tempo, salve nos favoritos e aproveite as novas entrevistas que fizemos, e não deixe de clicar nos links ao fim de cada uma para conferir as que tiramos do baú.

Pedro Bial

Firme no território do entretenimento, mas sem tirar um pé do jornalismo, Pedro Bial presentou na Globo o Na moral (2012-14), programa de auditório sobre temas atuais, além do talk show Programa com Bial (2016), na TV paga. Depois de 16 anos, deixou, em 2017, o BBB para ocupar o espaço deixado por Jô Soares com um novo programa de entrevista, o Conversa com Bial. “Comecei a perceber que não queria mais ser o profissional que era antes do Big Brother”, diz, aos 60 anos.

Trip. Em 2003, quando você foi entrevistado pela Trip, seguia do jornalismo para o entretenimento. No ano passado, fez o caminho inverso. Como o apresentador/entertainer influenciou o jornalista?
Pedro Bial.
Acho que foram caminhos que acabaram por se fundir. Em 2003, estava sendo estimulado a dominar uma linguagem que era nova para mim [do entretenimento]. Nesses anos, comecei a perceber que não queria mais ser o profissional que era antes do Big Brother. Queria juntar o jornalista, que já tinha uma boa experiência, com essa nova atividade [do entretenimento]. E, a partir de 2008, fui procurando um jeito de criar um produto que pudesse juntar as duas coisas. Até que veio o Na moral, em 2012, e comecei a aproveitar a experiência que ganhei no entretenimento – mais facilidade no improviso, da televisão ao vivo, a graça. Acho que o que faço hoje junta minha experiência de jornalista com o meu desenvolvimento como homem de televisão, em um programa com atrativos que vão além da informação.

Naquela entrevista, você disse que não sabia muito bem para que lado ia a sua carreira. Quinze anos depois, você está feliz com o rumo que ela tomou? Estou. Acho que tudo tem um sentido. Nos últimos anos, apontei para uma dimensão e ela se confirmou como aquela que dava sentido a tudo que veio antes.  

Você defendeu que o casamento é uma utopia: “Continuo achando rigorosamente impossível conciliar amor e casamento”. Há três anos, você se casou pela quinta vez, com a jornalista Maria Prata, com quem teve uma filha em 2017. Sua opinião mudou? Como toda utopia, ela serve como uma inspiração, não é uma prática, é uma ideia. Não diria isso nas mesmas palavras, mas aquele cara que disse aquilo tinha todas as razões, fez sentido no momento. Tanto gosto de casamento que estou mais uma vez casado e muito feliz.

E como foi revisitar a paternidade? A sua maneira de educar uma criança mudou muito? Acho que tem certas coisas que não mudaram. Entender que você precisa prover segurança, amor; deixar a criança viver, experimentar, porque é assim que ela aprende. Talvez seja um pai mais tolerante, menos bravo com algumas coisas, não só com a pequenininha, mesmo com os outros tenho sido mais molengão. Talvez esteja conseguindo exercer uma autoridade de um jeito mais doce. Já tenho filho grande, de 31 anos. Aí você vai se tornando um governante deposto; assim como todo ex-presidente ou ex-governador, você está lá para ser consultado, se eles tiverem a iniciativa de consultá-lo.

VAI LÁ: Leia a entrevista de Páginas Negras com Pedro Bial, publicada na edição de abril de 2003 

Leandro Karnal

Ex-jesuíta, professor e celebridade na internet, ele se confirmou como um dos mais influentes pensadores da atualidade por sua admirável capacidade de simplificar. karnal conversou com a trip em 2016. Dois anos depois, Karnal continua sendo um dos pensadores mais pop do Brasil, o que o leva à reflexão nesta nova conversa com a Trip.

Trip. Em 2016, você nos disse que sempre fomos violentos. A internet só mostra ou amplifica?

Leandro Karnal. A internet não aumenta a violência, ela registra a possibilidade de eu perceber, coloca violentos e mal resolvidos à vontade em sua zona de conforto, elimina a responsabilidade dos sujeitos e libera o ódio que sempre existiu. Redes sociais criam pouco, todavia expressam muito e aliviam inseguranças.

Como é ser chamado de coxinha de um lado e de petralha do outro? Acho depressivo um mundo em que temos de optar entre dois modelos que já deram o que tinham para dar: PT e PSDB. Estou à procura do futuro, e não do passado. Sou um brasileiro perdido, que sabe com clareza o que não quer que se repita e ainda sem certeza sobre em que quer apostar.

Você afasta seguidores tanto quanto atrai? A fama funciona como a lâmpada: ilumina e atrai insetos. Não se trata de discutir minha qualidade, que pode, com boas razões, ser considerada de forma muito distinta. Tanto minhas qualidades como meus defeitos são magnificados (e por vezes fantasiados) pela exposição midiática. O debate fala dos debatedores mais do que do alvo do debate.

VAI LÁ: Leia a entrevista de Páginas Negras com Leandro Karnal, publicada na edição de setembro de 2016

Um sobrevivente

Luiz Alberto Mendes segue como escritor em sua jornada de 15 anos fora da prisão, mas nunca longe dela. O que viveu o define e o move na busca por dar a outros a oportunidade que teve.

Trip. Na entrevista de 2009, o Rodrigo Pimentel diz que não dá para sair da prisão. E da cadeia, dá?
Luiz Mendes. O pior é que volto para lá constantemente. Faço oficinas de leitura e escrita e tenho um projeto com um amigo psicólogo [Maurício Cardenete], que desenvolvemos por seis meses em uma prisão. A maioria dos presos sai e quer esquecer. Eu não. Quero lutar para outros terem as oportunidades que eu tive. 

Você tem medo de bandido ou de polícia? Não tenho medo de ninguém, muito menos de meus ex-companheiros. Entro em qualquer cadeia, de qualquer facção, falo diretamente com o piloto. Convido que venha na oficina, ou mande o pessoal dele. Eles vão e se tornam meus amigos. Os funcionários eu trato com respeito, mas não crio intimidade. Ali, sou professor. Tenho que andar com meus alunos e outros professores, não com a polícia.

Em Memórias de um sobrevivente e na entrevista de 2009, você disse que tinha “alguma coisa de errado” com você, mas que não sabia o que era. Sou o pai dos azares. Primeiro filho de um alcoólatra; depois anos na Febem [hoje Fundação Casa]; mais de 30 anos de prisão; já extraí dois tumores malignos e fiz um transplante. Talvez tenha nascido para sobreviver, e não para viver como todo mundo.

Rodrigo Pimentel

Ele pediu para sair da polícia há 17 anos, mas nunca se sentiu verdadeiramente fora dela. Nos livros e no cinema, encontra espaço para expor sua visão sobre a segurança pública; Cidade do medo, novo filme com roteiro de Pimentel, fala sobre o fracasso das UPPs e tem estreia prevista para março de 2019.

Trip. Com toda a sua história, como você vê hoje os casos de jovens mortos em operações policiais, como o garoto morto em conflito na Maré, com uniforme escolar?
Rodrigo Pimentel. A morte de um menino indo para a escola, durante uma operação policial, é e sempre será uma tragédia, apesar de até o momento não existirem evidências de que o tiro partiu de um policial. É muito importante que ativistas de direitos humanos enxerguem policiais também como vítimas, e não somente como algozes. Só no Rio, um policial é morto a cada dois dias.

O Rio está em intervenção federal. Qual é a sua visão sobre essa operação? É evidente que a intervenção é necessária. O Rio de Janeiro perdeu toda a capacidade de gerir o aparato de segurança pública. Primeiro, em função da crise econômica; o Estado não consegue nem pagar a folha dos funcionários em dia, não consegue pagar fornecedores. Segundo, pela própria dinâmica do crime na cidade, em que centenas de grupos armados estabelecem áreas de exclusão inacessíveis ao poder público. Forças policiais convencionais não são páreo para fazer frente a esse desafio. 

Você dizia que, depois de dez anos na Polícia, você não sai. Ainda sente isso? Sim. Não estou mais na ativa, mas esse continua sendo o meu universo, por isso continuo escrevendo e fazendo filmes retratando essa realidade. O próximo, inclusive, se chama Intervenção e será lançado em novembro nos cinemas. O filme fala do fracasso das UPPS no Rio e mostra o dia a dia dos policiais que acreditaram no processo de pacificação.

VAI LÁ: Confira o encontro entre Luiz Mendes e Rodrigo Pimentel nas Páginas Negras da edição de outubro de 2009 

Bianca Vitória Magro

Por cinco meses, em 1998, Trip mergulhou na vida de Bianca, que entrou para a história naquele ano como a primeira pessoa a se submeter a uma operação de mudança de sexo realizada legalmente no Brasil. Hoje, duas décadas depois, ela reflete sobre a passagem do tempo.

Trip. Na entrevista à Trip, você disse que, aos 45 anos, se imaginava “clinicando, casada, estabilizada. Em paz com a vida, com a sociedade, com a cidade, com o mundo”. Seus planos se concretizaram?
Bianca Magro. Tudo que queria que acontecesse até os 45 aconteceu antes. Já faz 12 anos que estou casada, formada [em ciência da educação, na Itália], estabilizada, feliz. Foi melhor do que poderia esperar. A única coisa triste foi que a minha mãe faleceu.

Você também contou que viveu 27 anos de solidão. Isso mudou depois da cirurgia? Mudou, realmente. Depois da cirurgia me encontrei, estou tranquila com o meu corpo. As coisas foram acontecendo. Após três meses, já estava namorando, fiquei três anos com ele. Depois, terminei, arrumei outro e a coisa seguiu até que encontrei meu marido há 13 anos.

Como foi sua redescoberta sexual após a cirurgia? Bom, eu não tive uma redescoberta sexual porque não tinha uma vida sexual. Foi a experiência da primeira vez e, como toda mulher, não tive instrução para isso. Descobri tendo a primeira relação com uma pessoa muito boa da minha infância. Foi estranho, mas foi muito prazeroso.

VAI LÁ: Leia a entrevista de Páginas Negras com Bianca Vitória Magro, publicada na edição de junho de 1998 

Fernando Waack

Esta talvez seja a entrevista mais pesada da história da Trip, publicada em 1994. Fernando Waack, um cara que passou mais da metade da vida alucinado com álcool e cocaína, contou a história de seu sofrimento. Com todas as letras. Hoje, finalmente limpo há 12 anos, Waack conta como recaiu e se recuperou mais uma vez das drogas.

Trip. Como foi sua vida desde a entrevista à revista?

Fernando Waack. Em 1994, entrei em recuperação, fiz um trabalho com os Alcoólicos e os Narcóticos Anônimos, mas recaí depois de quatro anos. Foram oito anos ainda piores, 21 internações psiquiátricas. Na última vez que estive sob tratamento de alcoolismo, alguma coisa aconteceu, que, no meu entendimento, foi algo superior. No dia 23 de janeiro de 2006, parei e estou limpo até hoje. Era para estar louco, bêbado ou com sérias consequências físicas e mentais.

O que você fez de diferente em relação à sua recuperação anterior? Fui à igreja evangélica, fiz curso de monitor em comunidade terapêutica, cuidei de cego, de idoso abandonado em hospital público, entrei na igreja Bola de Neve, limpei igreja, fiz curso de cura e libertação, fiz estudos bíblicos, entrei na faculdade, trabalhei na área administrativa dos Alcoólicos Anônimos, abri grupo de Narcóticos Anônimos. Fiz tudo que tinha escutado para não voltar a usar.

Você tem medo da recaída? Tenho receio, mas não medo. Sei bem o que não devo fazer para não voltar àquele lugar onde estive há 12 anos. A minha vida hoje é muito além de qualquer expectativa que tinha. Sou sócio-gerente em um empreendimento familiar: são seis apartamentos, moro em um, administro e faço manutenção do prédio. Pego onda e presto serviço voluntário. Tenho uma filha de 17 anos, namoro a mãe dela. O que vivi nesses meus 12 anos livre [das drogas] nunca pensei que teria capacidade e direito de viver. Neste mês, vou para Jeffreys Bay [África do Sul] pegar onda, vou comemorar 55 anos com a minha filha.

VAI LÁ: Leia a entrevista de Páginas Negras com Fernando Waack, publicada na edição de abril de 1994

Glória Perez

Em nova conversa com a Trip, Glória contou sobre como tem sido usar sua experiência para trabalhar com novos autores na Casa de Roteiristas da Rede Globo. 

Trip. Como tem sido supervisionar o Núcleo de Séries da TV Globo?

Glória Perez. Eu gosto de desafios, e produzir um cardápio inovador e original para as nossas séries, acompanhar seu desenvolvimento, encontrar novos talentos, tudo isso me instiga e não me tira do lugar da criação. Esse é o meu território.

As novelas acompanham melhor a sociedade hoje do que acompanhavam quando você começou? Desde sempre as novelas refletem o ponto de vista do seu autor sobre o tempo que vive. Sua maneira de enxergar o mundo, o comportamento das pessoas, as relações humanas, tudo estará ali, mesmo que de maneira inconsciente. O que mudou foi a forma de assistir: antes, se você não conseguisse chegar em casa no horário e perdesse o capítulo, nunca mais o veria. Hoje podemos assistir por celular a caminho de casa, na TV de um táxi, podemos gravar ou assistir em streaming na hora que escolhermos.

Você contou sobre como chegou à TV e da parceria com a Janete Clair. A relação que você tinha com ela reflete de alguma forma no modo como você tem trabalhado nesta nova função? Com certeza que sim! Para alcançar os resultados que quero na Casa dos Roteiristas, tenho que usar a experiência que acumulei por todos esses anos, em novelas, séries e minisséries. Na raiz de tudo isso está o que aprendi com Janete. Como sempre trabalho sozinha, tem sido a oportunidade de compartilhar essa experiência e o que aprendi com ela.

Vai lá: Leia a entrevista de Páginas Negras com Glória Perez, publicada na edição de agosto de 2009

Luiz Melodia

Nascido no morro, Melodia conquistou o asfalto, ganhou fama de maldito e, até sua morte, em 2017, foi o artista mais subestimado da música brasileira. Em 2002, então com 51 anos, o saudoso e genial compositor de “Pérola negra” dividiu suas memórias e desejos com a Trip.

VAI LÁ: Leia a entrevista de Páginas Negras com Luiz Melodia, publicada na edição de amio de 2002

William Ury

Cinco anos depois da primeira conversa com a Trip, em 2013, Ury interrompeu um retiro para falar mais uma vez com a gente: se diz preocupado com o risco de uma guerra nuclear e defende que é preciso se colocar no lugar de Trump.

Trip. O que mudou na sua vida desde a primeira conversa com a Trip?

William Ury. A vida parece ainda mais intensa do que há cinco anos. Isso é em parte um reflexo do mundo externo, mas também do meu mundo interno e do mundo ao redor de mim. Eu me sinto ainda mais vivo e meu coração parece mais aberto. Quaisquer que sejam os desafios, sinto-me grato pela oportunidade de viver e crescer.

Em quais conflitos você está hoje focado? Com o próprio mundo em tanto perigo, estou gastando a maior parte do meu tempo com as guerras – colocando um fim nelas e evitando-as. Estou mais preocupado com o risco de uma guerra nuclear, que hoje é indiscutivelmente alto, assim como nos piores anos da Guerra Fria.

Como lidar com um presidente como Trump? A melhor maneira que encontrei para lidar com Trump é começar a compreendê-lo e a seus apoiadores de dentro para fora. O que os motiva e o que os preocupa? Uma vez que nos colocamos no lugar deles, podemos então forjar uma resposta efetiva juntos.

Em quais conflitos você esteve envolvido recentemente? Durante o último ano e meio, estive profundamente envolvido na crise nuclear entre os EUA e a Coreia do Norte. Se a guerra viesse, milhões de pessoas morreriam, o ambiente mundial estaria contaminado e o mundo provavelmente mergulharia numa depressão econômica. Meus colegas e eu temos trabalhado com altos funcionários dos EUA, Coreia do Norte e Coreia do Sul para encontrar uma forma negociada de sair da crise, o que beneficiaria todas as partes.

O mundo está progredindo ou polarizado? O mundo está em parte progredindo, parcialmente estagnado, mas principalmente polarizado e fragmentado. Conflito é uma indústria em crescimento. Mais do que nunca, precisamos aprender a negociar efetivamente com aqueles com quem discordamos. Nosso futuro depende disto. É fácil? Não. É possível? Absolutamente.

VAI LÁ: Leia a entrevista de Páginas Negras com William Ury, publicada na edição de junho de 2013

Otavio Frias Filho

Otavio comandou a Folha de S.Paulo por 34 anos, além de ter escrito peças, livros e ensaios. Em 1992, quando conversou pela primeira vez com a Trip, já havia ajudado a modernizar a mídia impressa brasileira e afirmado sua legitimidade. Passados 13 anos desta conversa, em 2005, então com 48 anos, o jornalista lançou Queda livre (2003), livro em que relata sete situações-limite que vivenciou – entre elas, um salto de para- quedas, uma peregrinação de mais de 700 quilômetros a pé e o uso do daime. O livro foi um dos pretextos para uma nova conversa do jornalista com a Trip, desta vez pelas ondas do rádio, no Trip FM.

A entrevista já se anunciou inusitada: foi gravada na sede do jornal O Estado de S. Paulo, principal con- corrente da Folha de S.Paulo, onde está a rádio Eldo- rado, que transmite o programa da Trip para a Grande São Paulo. Por precaução, consultamos o jornalista se haveria algum desconforto da parte dele – foi oferecido até um estúdio fora do Estadão, caso ele não se sentisse à vontade. Otavio respondeu que iria ser entrevis- tado onde o programa era habitualmente gravado. A diretoria do Estadão destinou então o relações-públicas do jornal, e a rádio Eldorado destacou sua diretora para recebê-lo na portaria principal do prédio. Mas o jornalista chegou sozinho, sem segurança nem motorista, e pegou a fila da expedição, sem alarde, para fazer seu crachá. “Apesar de o trabalho no jornal ser muito absorvente em matéria de tempo, sempre procurei desenvolver uma atividade pessoal que não tivesse ligação com ele”, contou no programa sobre as experiências relatadas no livro.

Àquela altura, Otavio parecia confortável com a posição no comando do jornal, que herdou do pai antes de completar 30 anos. “Infelizmente, tem gente que contesta minha competência profissional. É uma situação que tive que enfrentar, e me vali muito da experiência que tive com meu pai, que sempre foi um modelo para mim, e do muito que aprendi também com jornalistas mais experientes, mais velhos que eu, por exemplo o Cláudio Abramo. tentei me empenhar muito seriamente em fazer bem-feito, tentei dar a contribuição que poderia para melhorar a prática do jornalismo diário no Brasil”, disse. “Estou razoavelmente satisfeito com o que consegui. A gente nunca está propriamente feliz, realizado. Porque se você tem certa inquietação, tem uma insatisfação, acha que poderia ter feito melhor, se lamenta de erros que cometeu. Mas, de modo geral, acho que essa crise de legitimidade que tive na juventude foi superada a contento.”

VAI LÁ: Leia a entrevista de Páginas Negras com Otávio Frias Filho, publicada na edição de dezembro de 1992

Tunga

Na ponte aérea Rio-pangeia e cercado por um mercado que inflaciona preços, Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, o Tunga, conquistou espaço e respeito nas mais prestigiadas galerias do mundo. Em 2010, o artista, que morreu vítima de um câncer seis anos depois, explicou de que galáxia veio e falou sobre dinheiro, drogas e amor. Reviva esta conversa cheia de simbolismos, delírios e reflexões.

Vai lá: Leia a entrevista de Páginas Negras com Tunga, publicada na edição de novembro de 2010

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