por Alexandre Makhlouf
Trip #282

Fabio Porchat defende que nada fique ileso: religião, sexualidade, casamento e política podem – e devem – virar piada

Entrevistar Fabio Porchat é, ao mesmo tempo, uma missão deliciosa e desafiadora. Cada resposta é motivo para gargalhada e todas as declarações renderiam um destaque, daqueles com aspas grandes que você vai ver nas próximas páginas. Mas o humor ácido e a fala rápida do comediante são também o que o mantém no controle de quase toda a conversa, salvo alguns momentos em que ele não chega a perder o rebolado, mas percebe que está falando um pouco mais do que deveria.

No dia do papo para esta reportagem, não foi diferente. Em uma sala de reuniões vazia dentro de um hotel em um bairro nobre de São Paulo, Fabio mexia no celular vidrado enquanto esperava a entrevista começar. O WhatsApp não para. Afinal, é muita coisa para administrar. Mesmo. Além de atuar, ele compõe o elenco do Papo de segunda, no GNT, ao lado de Emicida, Francisco Bosco e João Vicente de Castro e estreia, mês que vem, Que história é essa, Porchat?, formato em que anônimos e famosos compartilham causos engraçados.

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Além disso, escreve e aprova roteiros para o Porta dos Fundos, sexto maior canal brasileiro e um dos maiores de comédia no YouTube, com mais de mil esquetes, 15 milhões de inscritos e 4,5 bilhões de visualizações. “Quem faz humor tem medo que, passada a novidade, o público esqueça. Estamos há quase sete anos fazendo o Porta e, em fevereiro de 2019, tivemos 93 milhões de views, nosso segundo mês mais visto da história do canal. Fico feliz que a gente ainda tenha essa força”, conta. Em abril do ano passado, a Viacom, gigante americana dona da MTV, comprou 51% do canal por US$ 11 milhões e, ainda este ano, o Porta deve estrear sua versão mexicana.

Riso solto

O perfil inquieto e agitado sempre foi parte da vida de Fabio, carioca que se mudou com apenas um mês de idade para a capital paulista. Desde pequeno, ele envolvia toda a família em suas brincadeiras, que iam de apresentações de teatro com os primos a gravações analógicas de esquetes de sua cabeça, no melhor estilo youtuber dos anos 80. “Lembro que, uma vez, minha mãe me levou para fazer propaganda. Eu era loirinho e simpático e ela achou uma boa ideia. No final, o dono da agência falou para ela: ‘Olha, o seu filho é muito bonitinho, mas não traz ele nunca mais, porque ele não parou de correr no estúdio um segundo’", lembra, rindo.

A volta às terras cariocas aconteceu 19 anos depois, quando Fabio abandonou a faculdade de administração e se matriculou em artes cêni­cas na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), em 2002. “Adorei ter feito um ano do curso de administração, mas se eu tivesse ficado, hoje eu seria só o cara engraçado do trabalho, que faz a piada do pavê no fim do ano.” O talento para o humor o levou à sala de roteiro do Zorra 
total, onde descobriu o stand-up e resolveu inves­tir de vez no humor. Rodou o país nos anos seguintes, apresentando suas piadas para o público até, em 2012, ganhar todos os holofotes ao imitar um cliente tendo um ataque de nervos durante uma ligação com uma operadora telefônica. Detalhe: inteirinho pintado de azul.

Nos meses que se seguiram, a coisa virou de vez: Fabio fundou o Porta dos Fundos, entregou seu primeiro filme, Totalmente inocentes, lançou a série e o longa Meu passado me condena, entrou para o elenco fixo de A grande família e participou do “Medida certa” no Fantástico. Nas próximas páginas, além de relembrar sua trajetória e abrir o jogo sobre religião, casamento e trabalho, Fabio fala sobre os perigos – e a importância – de fazer humor nos dias de hoje. “Tem que poder fazer piada com tudo, sim.”

Trip. Você já tinha esse perfil humorista na escola?

Fabio Porchat. Eu era meio cabação, nunca fui descolado, não era da turma que fumava e pegava menina. Era nerd, mas não era bom aluno. Tirava 6, 7, nunca mais do que isso. Quando estava na quinta e na sexta série, fui muito sacaneado. Bullying mesmo, era chamado de viadinho. Eu era bem novo, com uma carinha gordinha, cabelo cuia, então todo mundo ria de mim. Foi um período muito ruim, porque eu odiava ir para a escola. Aí, na sétima série, a coisa deu uma mudada. Troquei de turma, emagreci um pouco e fiquei próximo das meninas. Foi nessa fase que virei amigo do pessoal que me infernizava, além de manter os das antigas. Também nunca fui de ir em balada, odiava. Preferia ficar na casa do meu pai. Botava colchão no chão e dormia todo mundo lá, ficava vendo filme até tarde, jogava computador até tarde, de vez em quando colocava uma fita pornô que eu tinha para assistir. Por isso demorei para dar o primeiro beijo, perder a virgindade…

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 E como foi sua primeira vez? Foi muito bizarra. Eu tava no colegial, todos os meus amigos já tinham perdido a virgindade – no puteiro, lógico –, menos eu. Eu decidi que ia também e a escola ficou sabendo que o Fabio ia perder a virgindade. O lugar era meio esquisito, nem consegui escolher direito com quem seria. Ela era bem mais velha do que eu. Fomos para o quarto, deitamos em um colchão de espuma meio velho. Ela foi botando a camisinha sem nenhum carinho com aquele rapazote de 15 anos. Fui para cima dela, ela tava meio suada. Eu quase brochei nesse dia, foi triste.

 É, não parece que foi muito legal… Mas, voltando: ser ator sempre foi um sonho? Não, eu queria ser atendente da Hobby Video. Amava ir na locadora e escolher filmes, ficava pelos corredores dando dicas para os funcionários e para os clientes. Mas eu adorava interpretar. Fiz aula de teatro desde a terceira série e minha casa tinha uma escadaria enorme, na qual eu brincava de cenas de filme em que a pessoa cai da escada. Um dia, botei ketchup para parecer que eu tinha morrido e meu pai chegou, tomou o maior susto da vida dele. Depois que ele viu que não tinha uma criança morta ali, ficou puto da vida. Sempre gostei de contar e de ouvir piada, aprendi a ler com aqueles livrinhos do Ary Toledo, sabe? E uma coisa que eu fui sacando é que a família prestava atenção nas minhas histórias – e eu sempre gostei de chamar a atenção. Ser ator não era um sonho, mas, olhando para trás, é lógico que eu ia ser.

 Quando caiu a ficha? No dia que eu fui ao Programa do Jô, durante a faculdade [Administração de Empresas na ESPM – SP]. Eu era o palhaço da turma, ficava imitando Os normais nas rodinhas de amigos no intervalo. O pessoal ia na plateia assistir a uma gravação e fui junto. Quando estava lá, resolvi pedir para subir no palco e fazer minhas imitações. Dei sorte de o Jô estar de bom humor, me chamar e foi aí que eu descobri que fazer os outros darem risada era o que eu queria da vida. Nesse mesmo dia, voltei para casa e comecei a pesquisar escola de teatro e faculdade de cinema no Rio. Liguei para a minha tia carioca e avisei que estava de mudança para lá porque queria ser ator. Isso foi antes de falar com meus pais.

 Como eles receberam a notícia? Ficaram meio desesperados, porque ninguém conhecia muito esse meu lado artista – eles já tinham visto peças minhas na escola, mas ninguém sabia que eu imitava Os normais no intervalo da faculdade, por exemplo. Achei que o melhor jeito de convencê-los era me apresentar para eles e lembro de o meu pai dizer: “Olha, não sei se isso é bom ou ruim, mas sei que é igual ao que tem na televisão. Vai lá e arrisca. Se der errado, você volta”. E assim eu me mudei, em agosto de 2002.

 Como foi a mudança para o Rio? Eu cheguei em uma segunda. Na quinta, foi ao ar o Programa do Jô e, na outra segunda, a Globo me ligou para fazer o cadastro lá. Pensei: “Bom, estou no caminho certo”. Fui até lá e, coincidentemente, a produtora de elenco d’Os normais me reconheceu e me convidou a ir para o Projac. Quando cheguei, todo mundo sabia quem eu era, porque a Globo tinha distribuído uma fita com minhas imitações. Conversei com o Luiz Fernando Guimarães e ele pediu para eu atuar para ele ali mesmo. Saí de lá achando que estava tudo resolvido, mas nunca mais ouvi notícias da Globo [risos]. Mas vida que segue. Em três anos e meio, me formei na CAL [Casa das Artes de Laranjeiras]. Escola de teatro é uma maravilha se você é hétero, né? Tem muita mulher, todo mundo cabeça aberta, se descobrindo, uma pegação, uma chupação, uma alegria. Foi a época em que eu fui feliz de verdade. Curiosamente, minha turma era boa de comédia: tinha Paulo Gustavo, Marcus Majella e eu. Dois meses depois de terminar o curso, estreei Infraturas, uma peça que tinha escrito com o Paulo. Foi um fracasso de público, mas ótimo para gente, porque muita gente viu – entre eles, o Maurício Sherman, criador e diretor do Zorra total na época. Ele me chamou para participar da equipe de roteiro do programa [em 2006]. Eu não assistia ao Zorra, mas foi fundamental para mim, porque conheci gente muito boa lá. Inclusive o Cláudio Torres Gonzaga, o cara que me apresentou o stand-up.

 Você trabalhava com humor e nunca tinha ouvido falar em stand-up? Nunca! Mostrei um texto que tinha escrito sobre gente chata e ele só me disse: “Stand-up é isso. Decora e se apresenta. O Comédia em Pé vai voltar e você pode participar”. Comédia em Pé foi o primeiro grupo de stand-up do Brasil. O dia chegou e minha estreia foi ótima. O público gostou e eles me chamaram para fazer outra apresentação, um mês depois. Escrevi outro texto e deu certo de novo. Aí me chamaram para fazer uns shows em um bingo no Flamengo. Escrevi mais uns e a gente passou a se apresentar toda quarta-feira lá. Foi assim que o Comédia em Pé voltou à vida e a cena de stand-up começou a se formar, porque, ao mesmo tempo, o Clube da Comédia estava começando em São Paulo e o Comédia ao Vivo também.

 O stand-up tem essa rotina de produção diária, é uma mistura de crônica com piada. Parece que o Porta foi quase uma evolução natural, com essas esquetes do dia a dia, né? O stand-up é exatamente isso, o cotidiano vira um grande laboratório. Fui fazendo stand-up até 2010, quando foi o auge, e aí o Bruno Mazzeo me chamou para escrever o programa Junto e misturado, que passava às sextas depois do Globo repórter, o que era difícil. As pessoas gostaram do programa, mas durou uma temporada só. A Globo falava que era muito caro e que ninguém entendia as piadas. O Ian [SBF, atual diretor do Porta dos Fundos] também escrevia o Junto e misturado comigo e, mesmo frustrados, acreditávamos no formato e decidimos continuar fazendo de forma independente. O Ian chamou o Kibe [Antonio Tabet], o Kibe chamou o João [Vicente de Castro] e a gente começou a se encontrar, escrever e reunir os amigos para mostrar: o [Marcos] Veras com a Julia, o Ian com a Letícia [Lima], o Gregório [Duvivier] e a Clarice [Falcão], o Marcus [Majella]. Lemos para eles, todo mundo riu e gostou, então decidimos que o jeito era começar a filmar. Ninguém tinha grana, todo mundo trabalhava de graça. Chegamos a oferecer o projeto para alguns canais de TV, mas ninguém quis, por isso jogamos na Internet. Quisemos começar com uma série de esquetes, lançamos cinco meses depois e pedimos para alguns amigos ajudarem a divulgar. No mesmo dia, o Jornal do Brasil ligou para fazer uma micromatéria, a Caras retweetou a gente dizendo “olha só o que está surgindo” e achamos muito esquisito, porque nenhum de nós era famoso. Lançamos um outro vídeo três dias depois e as pessoas começaram a divulgar sem a gente pedir, porque estavam gostando daquilo.

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 Foi seu primeiro trabalho a viralizar? Eu experimentei a força da internet um mês antes, quando lancei o vídeo da Judite para me vingar da Tim, que tinha infernizado a minha vida. Achamos melhor não publicar no Porta porque a gente não queria começar já com processo, então lançamos pelo Anões em chamas, site que o Ian já tinha. Eu viajei um dia antes de publicarmos e, no dia seguinte, quando já estava na Grécia, o Ian me ligou. “Fabio, deu 1 milhão de views em menos de um dia.” Eu nem sabia direito o que isso significava. No dia seguinte, ele liga de novo. “Fabio, saiu no Jornal da Band. Todo lugar que eu entro, as pessoas só falam na Judite.” No terceiro dia de viagem, ele me ligou de novo e eu já cortei: “Ian, deixa eu aproveitar a minha Grécia e a gente se fala na volta”. Vinte dias depois, assim que eu saí do avião, escutei um “olha a Judite!”. Na fila da imigração, o cara do passaporte falou: “Olha a Judite!”. E aí eu entendi a porrada que tinha sido, tinha virado um acontecimento. Aí veio o vídeo do Spoletto, que as pessoas até imitavam na rua. Rapidinho a gente virou último capítulo de novela. “Você viu o vídeo do Porta? Não? Então, vamos ver agora, assiste aqui”, e as pessoas tiravam o celular do bolso para mostrar para os amigos.

 O que mudou no jeito de fazer o Porta do começo para agora? Hoje é profissional de verdade. Temos, inclusive, um patrão que é a Viacom, dona de metade do Porta dos Fundos. Precisamos ganhar milhões para poder pagar os milhões dos funcionários – agora tem 50 pessoas trabalhando para gente. Hoje, quando vamos gravar, tem até catering! Imagina, antes a gente fazia de qualquer jeito, na casa de alguém. Agora, tem até alguém perguntando: “Quer uma Coca Zero, seu Fabio?”. É uma coisa maravilhosa. Somos uma produtora de conteúdo mesmo, então fazemos muita propaganda, branded content, product placement. A gente não faz mais só porque se diverte; a gente faz porque a gente se diverte e é o nosso trabalho.

 Ficou menos legal? Tudo que vira profissional fica menos legal. Fazer humor em um teatro para 50 pessoas é muito mais divertido do que quando você faz para mil e tem que ensaiar. Mas é lógico que a gente se diverte fazendo. Se fosse um inferno, a gente já tinha ido embora. Também é legal ver cada um crescendo e seguindo novos caminhos. O João virou galã de novela e nem era ator quando começou o Porta. São muito mais deveres, mas continua muito legal de fazer. Ainda mais porque agora começamos a internacionalizar, vamos fazer o Porta no México. O Gregório foi para lá, fez um workshop e escolheu os atores. Eu acabei de voltar, fui para gravar esquetes em espanhol que vão passar no canal daqui e de lá.

Humor bem-feito é internacional, qualquer um entende? Muito é do cotidiano, claro. Dos mil vídeos do Porta, chuto que uns 300 só funcionam no Brasil. Nos outros 700, a gente está falando de comportamento humano, de Jesus, da KKK, de relacionamentos. Todo mundo se identifica. O que acontece é que no México, por exemplo, eles adaptaram algumas piadas. Os serviços de streaming que existem hoje, como Amazon e Netflix, fazem com que a gente atinja uma outra galera e perceba que o humor consegue atravessar o oceano. Homens? também é um bom exemplo. Foi um projeto que eu já vinha pensando há uns quatro anos. Queria falar sobre um cara brocha e, quando percebi esse movimento feminista e os homens não sabendo se adequar ao novo mundo, entendi que a série deveria ser sobre homens se percebendo machistas nas pequenas coisas e entendendo como isso faz mal também para eles. Chamei um time de roteiristas para começarmos a escrever e eu via as pessoas apavoradas. No Porta, a mesma coisa. E já recebemos críticas legais de fora sobre a série.

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Você teve medo de que as pessoas interpretassem mal? Não, eu sabia que elas iam entender a crítica. Os personagens não são heróis, são derrotados. O protagonista está brocha há um ano e vai se dando conta de que é por causa desse mundo machista que isso acontece com ele. Eu até coloquei o ponto de interrogação no final para provocar: é isso que é ser homem? Achei importante que eles fossem babacas na série, porque é importante falar em uma linguagem que os homens entendam. Se você sentar em uma mesa de bar, não vai ouvir um falando para ao outro: “Caramba, que mulheres lindas, mas antes de tudo eu aprecio a inteligência delas”. Ninguém ia acreditar nesse papo. Preciso ter um cara dizendo: “Eu não quero comer aquela mulher porque ela é gorda”. É isso que nós, homens, precisamos perceber: que somos machistas nessas situações. Se você bota um homem estuprando uma mulher – o que infelizmente é algo comum e que acontece muito –, nenhum homem se identifica. Esse é o ápice mais louco do machismo. Por isso, a gente pegou histórias de machismo na família, no trabalho, no sexo. Eu também sabia que não queria fazer uma “lacromédia”. Não queria lacrar e que a mensagem fosse “homens, calem a boca e vejam como é”. A função principal da série é ser engraçada –  tem um personagem que é a minha piroca! Fiquei feliz que as pessoas entenderam que era uma crítica com humor. E funcionou com o público também, porque a audiência do Comedy Central triplicou desde a estreia. Queria fazer algo que mexesse com as pessoas, não mais um sitcom.

E o seu novo programa no GNT, Que história é essa, Porchat?. Fiz dois anos e meio de talk show na Record. Fui muito feliz, o público gostava, a crítica também. Mas achei que, artisticamente, tinha chegado a um teto. Claro que eu podia ficar ali enrolando todo mundo e ganhando um dinheiro legal, mas decidi parar enquanto estava indo bem e tentar entender por que eu estava achando todo talk show meio chato. Percebi que eu, o Danilo [Gentili], o Bial, a Tatá, a Maisa, a Luciana Gimenez, a Fátima Bernardes, todo mundo estava entrevistando as mesmas pessoas. Em todos os programas, as pessoas querem lacrar, dar o argumento final. Por conta das lutas para combater homofobia, racismo, o que for, está todo mundo falando junto. É ótimo que as pessoas tenham esse espaço, muitas estão tendo voz pela primeira vez. Mas eu não queria ser mais um fazendo isso. Já tenho um programa assim, que é o Papo de segunda, com quatro malucos dando opinião sobre tudo. O que eu queria era ouvir as histórias que as pessoas têm para contar. O que tinha de mais legal no Programa do Jô, que ele sempre fez magistralmente, era contar uma boa história. Podia ir um criador de minhoca e contar como elas invadiram o sítio dele que aquilo ficava legal.

 E quem vão ser os entrevistados? Qualquer um. Todo mundo tem, no mínimo, três histórias boas para contar. Pode ser de assalto, da vez que você caiu em um buraco e passou vergonha, de uma viagem. É isso o que eu quero extrair das pessoas. Vai ser um programa para ouvir histórias boas de famosos e anônimos. Mas não é um talk show. Não tem banda, não tem mesa, só cadeiras para as pessoas sentarem e falarem. Só quis que tivesse plateia porque eu sei interagir com ela, aprendi isso no Tudo pela audiência [programa que comandou com Tatá Werneck entre 2014 e 2018].

Você atua, escreve, apresenta, dubla, tem sua própria produtora… É para estar sempre no controle da situação? Sim, sou controlador. Se tem uma coisa que me deixa de mau humor e me irrita é quando as coisas não saem do jeito que eu queria. Se você não fizer por você, ninguém vai fazer. Outra coisa que eu odeio é quando alguém fala: “O projeto não deu certo porque o fulano não fez não-sei-o-quê”. Como é que o meu projeto falhou porque tal pessoa não fez a parte dela? Se algo meu não dá certo porque eu não consegui fazer, eu posso me culpar, me punir. Mas não posso chegar e matar uma outra pessoa – e a vontade que me dá é essa. O Prêmio do Humor é um exemplo real disso. Quando tive a ideia de premiar as melhores peças de comédia no Brasil, sabia que ia precisar de patrocínio. E, no primeiro ano, ninguém quis entrar. Ouvi de colegas: “Vamos esperar”. Mas eu sabia que, se esperasse, não ia acontecer. Então fui lá, banquei do meu bolso, e hoje já estamos no quarto ano do prêmio. Temos a edição Rio e a São Paulo, com toda a classe teatral se reunindo e gente como Regina Casé, Miguel Falabella e Ney Latorraca entregando prêmios. Espero que um dia o Prêmio do Humor seja como o Prêmio Shell, que todo mundo conhece e quer ganhar.

Por quê? A gente precisa rir. Quando alguém fala “as pessoas precisam de saúde, de educação”, é óbvio. Mas sem rir, a gente morre por dentro. Rir é de graça, ninguém precisa pagar. Mas é tão importante que muita gente acha necessário se arrumar, pagar um dinheiro, sentar em um poltrona e ficar vendo um cara, ao vivo ou em uma tela, fazer ela rir. Isso é muita responsabilidade e mostra a importância do humor.

Nesse momento, com tudo tão tenso, o humor tem um papel ainda mais importante? Os tempos mudaram – a sociedade, o jornalismo, a publicidade – e o humor também. Dentro das artes, o humor talvez seja a que tenha que estar mais conectada com o agora. A gente vive um período muito difícil no Brasil e no mundo, tem muita coisa errada acontecendo, e o humor é uma forma de as pessoas se darem conta de alguns assuntos. No Porta, a gente faz muito isso, piadas com temas supostamente delicados. Em 2014, fizemos uma série chamada Viral, com quatro episódios, que é sobre um cara HIV positivo, e me deixa muito orgulhoso que, até agora, nenhuma pessoa com HIV tenha ficado puta com a gente. Quem processa a gente é o Garotinho, o Feliciano. Enquanto esses forem os nossos inimigos, a gente está feliz da vida. Enquanto o Silas Malafaia continuar não gostando do Porta, estamos no caminho certo. Quando a gente ataca e sacaneia o opressor, bate em quem tem que apanhar; e conseguir ser engraçado falando de um tema atual, é o melhor dos mundos.

Existe limite para o humor? Não. Eu acho que pode fazer piada com todo mundo – branco, preto, mulher, paraplégico, judeu –, só que tem que saber construir essa piada de forma inteligente, para todo mundo rir junto. Se a gente ri da cara de um só, é claro que essa pessoa vai se sentir acuada. Não podemos deixar nada intocado, porque quando você deixa as coisas quietas, elas somem. Se você chama a atenção para aquilo, mesmo com humor, você tá tocando no assunto.

Qual é o papel do homem na luta feminista? Ouvir, antes de tudo. Me perguntam muito se, agora que tenho uma série que fala de machismo, eu parei de ser machista. Lógico que não. Nasci em uma sociedade machista, com família, amigos machistas, então é lógico que ainda sou. Meu papel é me policiar. Eu nunca tinha parado para pensar que os homens interrompem as mulheres, explicam as coisas para as mulheres como se elas não soubessem. Se nenhuma mulher tivesse me dito isso a primeira vez, eu continuaria fazendo. Agora, fico prestando atenção se estou interrompendo, se estou explicando, e isso é maravilhoso. É hora de o homem ouvir as mulheres.

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Esse processo foi difícil para você? Claro. Sempre tive esse discurso, “pô, como assim para mim é mais fácil? Eu trabalhei para caramba, fiquei escrevendo texto de madrugada, recebi um monte de não”. Mas percebi que uma coisa não inviabiliza a outra. Dizer que tem gente mais fodida que você não significa que você não teve trabalho. Você só não teve um monte de obstáculos. No meu caso, não tive que trabalhar, sustentar 15 filhos. E ainda tive uma família estruturada do meu lado. Percebi que a minha vida foi realmente mais fácil do que a de muitas outras pessoas. A corrida não começa no mesmo lugar e não consigo entender como é que as pessoas não se dão conta disso.

Você falou sobre perceber os próprios privilégios e incluir isso no seu jeito de fazer piada. O Danilo Gentili, por exemplo, faz um humor diferente do seu e ele está sempre envolvido em polêmicas. O Danilo é bem diferente de mim. É de direita, enquanto eu sou de esquerda, e tem um humor mais agressivo. Eu concordo com ele nesse lance de poder fazer piada com tudo. Mas ele leva até as últimas consequências, vai até um extremo, e passa um pouco do ponto. Aí, em vez de angariar pessoas a favor, ele angaria contra. O Danilo não faz nada sem querer. Você pode concordar ou não, mas é um cara que tem personalidade. Você pode achar que é uma personalidade merda, mas personalidade ele tem.

Mas se não tem limites, onde está a régua do que é humor e do que é ofensa? Quando a gente fala que pode fazer piada com tudo, a tendência é ir ao extremo sombrio da possibilidade. Pode fazer piada com judeu morrendo no campo de concentração? Eu jamais vou defender que sim, não acho graça. Vamos rir da mulher estuprada? Não, pelo amor de Deus, não. Por isso gosto do politicamente correto. Antigamente, as pessoas não pensavam para fazer piada – e qualquer coisa que você faça sem pensar é ruim. Quando o politicamente correto te barra, ele te faz pensar. Se, ainda assim, você decidir fazer, foi uma decisão consciente e você vai poder defendê-la.

É importante que figuras públicas, dentro ou fora do humor, se posicionem politicamente? O humor é anárquico, bate na situação. Quando o presidente era o Lula, a gente fazia piada com ele. Agora é o Bolsonaro, então a gente faz piada com ele. Tem que bater em todo mundo, inclusive em quem você gosta. Tenho muitas dúvidas sobre o quão engajado o artista tem que ser. Se você está à vontade, pode dar sua opinião. Isso é saudável, as pessoas prestam atenção em gente que tem mais holofote, então você pode fazer o outro parar para pensar. Nunca me engajei numa causa, mas sempre deixei clara a minha opinião. Agora, acima disso, sou um comediante, um ator. Tem gente que é o Caetano Veloso, maravilhoso, defende o que acredita, é um artista excelente e se engaja para caramba. Mas tem artista que não se engaja e também é ótimo. No geral, e não só com política, acho que é ruim ser alheio. É bom que os outros saibam quem você é, de onde você vem, no que você acredita. Mas as pessoas precisam aprender a diferenciar. Já escutei gente falando que não ia comprar determinada coisa porque quem fez era de esquerda. Você sabe a posição política do seu padeiro? Do presidente da empresa de eletrônicos? Outra coisa é não querer comprar de pedófilo, de nazista, de racista. Aí eu concordo.

O que tira você do sério? Ouvir que “o Fabio pegou dinheiro da lei Rouanet para enriquecer”. É ignorância, falta de informação e maldade. E aí começa essa luta maluca de que o artista virou inimigo, de que ser de esquerda é ser comunista. As pessoas não entendem que a indústria do cinema e do teatro emprega milhares de pessoas. Tem uma pesquisa da FGV [Faculdade Getúlio Vargas] que mostra que, a cada R$ 1 que o governo dá de renúncia fiscal, ele recebe de volta R$ 1,59. E tem renúncia fiscal em tudo: de geladeira a arma. E é assim no mundo inteiro. Muita gente acha que é só pedir R$ 2 milhões para a lei Rouanet, colocar no bolso e fazer uma peça qualquer em um teatro qualquer. Esse dinheiro quem pede não é nem o artista. Talvez a lei precise de ajustes, mas então vamos ajustar, não acabar com ela.

O que você ajustaria? Melhoraria a fiscalização. Tem que corrigir, por exemplo, se estiver indo muito dinheiro para o Rio e para São Paulo e pouco para o Nordeste. A lei é para fazer produtos culturais florescerem no Brasil todo. Concordo que a população tem que ficar em cima para garantir que não tenha desvio, mas não dá para ouvir que é mamata, que o governo dá dinheiro para os artistas falarem bem dele. Recebeu dinheiro José de Abreu, recebeu dinheiro Regina Duarte. O Lobão e o Roger receberam e o Caetano também. Não se tem notícia de algum projeto de um artista que foi negado porque o governo tinha uma posição política diferente.

Você sempre fez bastante publicidade. Teve medo de isso desgastar sua imagem? O que desgasta é virar notícia pelos motivos errados. Trair sua mulher, arranjar briga, participar de suruba com cocaína no motel. Aí desgasta mesmo. Sou garoto-propaganda da Sky. Porra, eu e a Gisele Bündchen. Tô acompanhado da melhor modelo do mundo! Se for com trabalho, não acho superexposição um problema, porque ninguém é louco de assistir o Porchat em todos os canais ao mesmo tempo. Quem é louco assim é muito fã – e o fã ainda acha que eu faço pouco. Teve uma época que eu tava com três propagandas no ar e ouvi muito isso. Vai ver quantas propagandas o Zezé Di Camargo e o Luciano fazem! E no show deles ninguém vaia e fala: “Não canta ‘É o amor’, não, canta a da Marabraz”. Para o público, é sinal de que você deu certo.

 O que você ainda quer fazer profissionalmente? Muita coisa. Rádio, escrever e produzir lá para fora, tirar um ano sabático, morar em Portugal, fazer faculdade de cinema, de roteiro, de teatro. Queria fazer outras séries que estão na minha cabeça. Tenho 14 anos de carreira, não é nada. Acho que consegui bastante coisa nesse tempo, estou bem feliz com onde cheguei, mas espero ter mais 30 anos legais pela frente até me aposentar.

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 Com o que você gasta seu dinheiro? Viagem e comida. Sempre que tenho uns dias de férias, saio correndo para qualquer lugar, da Etiópia à Islândia. É uma coisa que me preenche, me traz novas histórias. Você vê que o mundo não é só Rio-São Paulo e isso faz bem. E eu amo comer. Não só comida boa em restaurante incrível, que serve queijo francês. Comer um podrão de São Januário é sensacional. Eu fui ao estádio do Morumbi aqui em São Paulo, aquele hot dog com vinagrete podre, acho gostoso para caramba. Isso até ter filhos, aí acho que os gastos vão mudar.

 Aliás, você e a Nataly querem filhos? Ela mais do que eu. Eu nunca quis ter filho. Dá um trabalho gigantesco, o mundo é um lugar horrível, as crianças morrem e são raptadas. Os adolescentes são os piores seres humanos que já existiram. Eles se drogam e destroem a sua vida. Mas, ao mesmo tempo, deve ser a coisa mais gostosa do mundo. Eu tive um sobrinho agora, ele tem 2 anos, e é o máximo. Amo crianças e elas gostam de mim. Onde quer que eu esteja, elas viram a carinha e vêm na minha direção. Então... Teremos filhos, com certeza.

As pessoas têm a expectativa de que você seja engraçado o tempo inteiro? Sempre que alguém me vê, começa a rir. Não sendo durante o sexo, acho isso positivo. As pessoas acham que sou bem-humorado o tempo todo e, por acaso, eu sou. Desses que canta na rua, faz piada, conversa, então, até cumpro essa função. Mas outro dia, por exemplo, eu estava me servindo no buffet, colocando comida no prato, e uma pessoa me disse: “Nossa, que sério”. Eu tava colocando brócolis no prato. O que que eu deveria fazer? Jogar o brócolis para cima, pegar um pedaço de frango no ar? Isso não me incomoda, mas ninguém faz isso com o Tony Ramos, todo mundo até abaixa o tom de voz para falar com ele. Acho que isso acontece porque o comediante é o amigão, o tio do churrasco, ainda mais no Brasil.

Dá para aprender ou tem que nascer engraçado? Acho que dá para aprender. É lógico que tem gente que tem mais facilidade, que cresceu em um ambiente que favorecia isso, teve incentivo, tem mais referências. O difícil da comédia é o timing, é você saber qual é o momento certo para encaixar a piada. Isso, sim, é difícil de aprender, mas dá para ir por observação. Ninguém nasce com a função de ser engraçado. Sua função pode ser qualquer uma no mundo. Não acho que ninguém nasça com um dom. Se falar que é um dom divino, então, menos ainda.

Por quê? Eu não acredito em nada. De Deus a astrologia, acho tudo uma grande invenção para as pessoas justificarem a existência, suportarem a vida, que é horrível. Pensa: 98% das pessoas no mundo estão fodidas – se todos souberem que a vida é uma merda e que não há nada depois dela, iam pensar só em si mesmas acima de tudo e ia virar um caos. Pelo que falam de Jesus, ele deve ter sido um cara maneiro para caramba: pregava o amor, dava a outra face para bater, impedia apedrejamentos. Agora, falar que é filho de Deus? Peraí. Também acho uma maluquice as pessoas acreditarem na Bíblia. Uma coisa é ler como uma série de histórias inspiradoras. Se as coisas mudaram de 30 anos para cá, imagina nos últimos dois milênios. Como é possível pegar um livro escrito há 2 mil anos, ler aquilo e seguir como código de conduta? E cada um só lê o que convém: a Bíblia diz que não pode fazer a barba, que mulher não pode sair menstruada, não pode comer carneiro, mas aí as pessoas escolhem entender apenas que não pode ser gay. É lógico que respeito a religiosidade das pessoas, cada um acredita no que fizer melhor para si. Só não acho que religião deva influenciar outros assuntos importantes. A bancada evangélica escolher o ministro da educação, por exemplo, é uma loucura. O mesmo vale para decisões importantes para a sociedade, como aborto, legalização do casamento gay, genoma, análise de DNA, clonagem e muitos outros.

Do que você tem medo? De envelhecer. Mas não eu, Fabio. Não tenho problema nenhum com isso. Inclusive, a maioria das pessoas são horríveis, então elas precisam morrer para o mundo seguir. Eu morro de medo é de ficar velho e sem graça. Dar umas opiniões velhas. Imagina: daqui 20 anos, comer carne vermelha vai ser uma loucura, a gente vai se perguntar por que matávamos tantos bichos. Aí chego eu, com 70 anos, e falo: “Tem é que matar os bichos mesmo, tem que furar no pescoço do porco”. Isso vai ser um constrangimento. Acho que vou parar de dar entrevista com 50 para não falar merda. Porque nem todo mundo é a Fernanda Montenegro, que, quando tiver 100 anos, a gente ainda vai querer ouvi-la. Ainda mais com piada, porque passa o tempo e passa o teu bonde de humor. É mais difícil ainda para o comediante. Acho que o meu maior medo é, com 70 anos, estar pintado de azul no teatro falando “Judite”. Ah, meu Deus. Ih, olha Deus aí, depois de tudo que eu falei.

 Na berlinda

Fabio Porchat respondeu a perguntas nada discretas na edição especial da Casa Tpm

 Tpm. Você já disse em outras ocasiões que não tem um pau grande. Afinal, tamanho é ou não é documento?

Fabio Porchat. É um pau médio. Se falar que não é grande, as pessoas podem achar que é pequeno; é aquele tamanho que cumpre a função. Acho que não é documento, não. Se você tiver uma atrofia, talvez não seja o melhor cenário. Claro que faz diferença, mas o que já ouvi é que pau fino é que é triste. Mais do que ser grande ou pequeno, o problema é quando entra e fica meio perdido lá dentro, meio bonecão de posto, sabe?

Faria uma suruba com outros caras? Lógico. Só o Dória faz suruba só com mulher. Se fossem 15 homens e uma moça, talvez eu ficasse desconfortável. Mas nunca participei de uma suruba, nunca me convidaram. Tenho cara de quem transa mal. Transei com uma garota uma vez que, no final, olhou pra mim e disse: “ Fabio Porchat, quem diria, hein?”. Fiquei feliz que tinha sido bom pra ela, mas triste que ela fazia muito pouco de mim. Por isso que acho que nunca me convidaram pra suruba, não tenho cara de quem vai dar uma animada na coisa.

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Como tirar o nude perfeito? Rosto nunca, é a primeira dica. A segunda: close, bem de perto. Dá uma valorizada e você não tem noção do tamanho. Não pode dar referência, tirar a foto de lado de um palito de fósforo, sabe? E tem que ser de baixo pra cima, porque ajuda, dá aquela engrandecida na coisa.

Já fingiu orgasmo? Já. Quer saber um pensamento idiota que muito homem tem? Você finge orgasmo para, logo depois, parecer que você teve uma recuperação Ayrton Senna e dar aquela segunda sem tirar, sabe? Pura idiotice. Meu personagem faz isso em Homens?. Levei essa questão para a sala de roteiro e todos os homens envolvidos ali afirmaram já ter passado por isso.

Fio terra: vamos nessa ou “opa, peraí”? Se for surpresa, vira um Pula Pirata, né, amigo? Isso é um dedo ou é uma vela? Se for combinado, na brincadeira ali, vale, é tudo zona erógena. Se você dá sinais de que vai acontecer, vai passando perto ali da Terra do Nunca, e não tiver nenhuma retranca, aí vai. Tudo é válido. Se dá tesão, vamos fundo, vamos nessa.

 

 

Agradecimentos: Slaviero Hotéis e DYM 

Créditos

Imagem principal: Bob Wolfenson

Coordenação geral: Adriana Verani | Estilo: Drica Cruz | Beleza: Ale Toledo | Com produtos: Mac Cosmetics, Embryolisse e Schwarzkopf | Malabares: Gui Bressane | Assistentes de foto: Ana Clara Pazian e Gabriel Cicconi | Tratamento de imgens: Gabriel Cicconi | Chapéu: Casa Juisi | Agradecimentos: dym.com.br e slavierohoteis.com.br

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