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Arnaldo Antunes: “Tanta pressa pra quê?”

O artista abre as portas de casa para a Trip e fala sobre os 40 anos de carreira, a parceria com Marisa Monte, Ana Frango Elétrico e Vandal e suas angústias com a IA

Arnaldo Antunes: “Tanta pressa pra quê?”

Créditos: Leo Aversa/Divulgação


em 21 de maio de 2026

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Poucos artistas conseguem transitar com maestria por cenários tão distintos sem perder a originalidade. Arnaldo Antunes é um desses nomes. Entre bandas, projetos bem-sucedidos, discos, exposições e diversas parcerias na música brasileira, Arnaldo é sempre reconhecido, seja pela voz, pela poesia ou pela presença no palco. É esse trânsito que faz com que o artista seja tão versátil em um país tão segmentado e dividido.

No show do álbum Novo Mundo, Arnaldo Antunes dividirá o palco com Marisa Monte, Ana Frango Elétrico e Vandal. / Créditos: José de Holanda/Divulgação

O cantor, compositor, escritor e poeta paulistano recebeu a Trip em sua casa alguns dias antes do show do seu novo álbum solo Novo Mundo. Deu para ver um pedaço do seu ensaio particular, mas no dia 22 de maio no Espaço Unimed, em São Paulo (SP), ele sobe ao palco muito bem acompanhado. Além de Marisa Monte, sua parceira de décadas, Arnaldo Antunes convida Ana Frango Elétrico e Vandal para interpretar ao vivo as canções do disco. O encontro inédito deu origem a um álbum nas plataformas digitais, que também inclui a participação de David Byrne.

Depois de lotar estádios com os Tribalistas e, mais recentemente, com a turnê Titãs Encontro – que reuniu os sete integrantes originais da banda entre 2023 e 2024 –, Arnaldo volta a shows mais intimistas no projeto solo. “São prazeres diferentes. Em lugar pequeno você vê a cara das pessoas, o estádio é uma multidão. Eu gosto dos dois”, disse. Faz sentido vindo de alguém que já explorou as mais diversas linguagens artísticas: “Eu tô aí fazendo o trabalho em que acredito. Não fico pensando mercadologicamente se eu sou mainstream, underground ou o quê.”

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Essa mesma recusa em se encaixar aparece na relação com a tecnologia. Arnaldo celebra os recursos digitais que ampliaram sua criação ao longo dos anos, mas é um dos heróis da resistência à inteligência artificial (IA). “Tudo que eu vejo parece um uso de mau gosto. Se tem uma coisa que a IA não vai fazer nunca, pelo menos não vai fazer bem, é poesia.” Sobre o rumo que a internet tomou, o tom é de quem viu a promessa virar outra coisa: “A gente achava que isso ia gerar um mundo mais tolerante, gerar curiosidade, um convívio mais generoso com as diferenças. Foi o contrário que aconteceu. Se acirraram os guetos, os ódios, as intolerâncias junto com essa ascensão da extrema-direita”.

Ainda que carregue um certo desencanto em relação ao “novo mundo”, que aparece nas canções do álbum, Arnaldo está longe de ser um artista voltado para o passado. Ao mesmo tempo que honra parcerias antigas como a com Marisa Monte, com quem compôs mais de 110 músicas, descobre talentos das novas gerações, muitas vezes por indicação dos filhos. “Sou fã de Ana Frango Elétrico, amo o último disco da Tulipa, gosto das bandas Boogarins e Tietê. Ah, tem muita coisa rolando”, afirma. Mas quando o assunto é troca de mensagens, ele prefere o bom e velho e-mail. “Detesto gente quem fica cobrando: ‘E aí, viu minha mensagem?’. Tem que respeitar o tempo. Tanta pressa pra quê, né?”

“Sou fã de Ana Frango Elétrico desde o primeiro disco”, diz Arnaldo Antunes. / Créditos: Luan Cardoso

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No papo com a Trip, Arnaldo fala sobre os mais de 40 anos de carreira e de como tudo começou: com Belchior gravando suas músicas.

Memórias da infância: Arnaldo Antunes com 1 ano de idade, em 1961, e aos 12 anos. / Créditos: arquivo pessoal

Trip. Você tem uma carreira de mais de 40 anos. Podemos dizer que o primeiro grande momento dela foi Belchior gravando duas canções suas? Como foi?

Arnaldo Antunes. Em 1980, antes dos Titãs, que começa em 1982, fiz parte da Banda Performática do Aguilar. José Roberto Aguilar, paulista, artista plástico, montou uma banda que fazia performances, misturava artes visuais e músicas. Belchior, que era muito fã da ideia do projeto, fez a produção do disco. No repertório tinha duas músicas minhas. Belchior foi muito legal, o convívio com ele, tudo isso. E depois ele quis gravar essas duas músicas: e Estranheleza que saíram no disco Paraíso de 1982. 

“Continuo empolgado com a internet, mas acho que apareceram vários aspectos nefastos”

Você tinha quantos anos? Ah, tinha 20. Fui pro Rio de Janeiro, acompanhei as gravações. Belchior foi o primeiro intérprete, assim, que gravou alguma coisa minha.

E foi um momento em que você pensou que talvez seria mais compositor ou cantor? Você tinha essa dúvida? As coisas foram acontecendo meio junto, assim. Eu, na verdade, comecei a gostar de poesia, de literatura e tal, na mesma época. Na adolescência, eu aprendi alguns acordes no violão, tive algumas aulas, mas logo parei, já com desejos de compor. E gostava de escrever, já escrevia contos e poemas. Isso tudo foi meio ao mesmo tempo.

Arnaldo Antunes e Paulo Miklos em 1980. / Créditos: arquivo pessoal

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Para você, a poesia sempre esteve atrelada à música? Naquele momento, anos 70/80, na cultura brasileira, a poesia estava muito próxima da música popular. As letras de Caetano [Veloso], [Gilberto] Gil, Chico [Buarque], Milton [Nascimento], Paulinho da Viola, Tom Zé e muitos outros tinham uma qualidade poética muito sofisticada, rara na música do mundo, se formos comparar. O Brasil tem essa tradição, isso desde Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues e muitos outros. Do outro lado, tinham vários poetas como Leminski, como Waly Salomão, e Antônio Cícero, que faziam letras de música. Houve o convívio da poesia concreta com os tropicalistas. Caetano musicou os poemas de Augusto dos Campos, poeta e representante da poesia concreta. Existia essa mistura. Acompanhava essas coisas todas na música popular e, ao mesmo tempo, tinha uma noção da cena através das revistas de poesia, como Nave Louca, Artéria,Código, que juntavam a produção poética e as artes visuais com a música popular. Tudo isso esteve um pouco misturado na minha formação.

E como isso bateu em você? Essa multiplicidade artística que segue até hoje na sua carreira. Tudo isso me excitou muito. Com o Titãs, na mesma época em que estava na banda, eu também publicava livros de poesia. Dependendo da época, minha obra convergiu mais para uma linguagem ou para outra. Como na época do Nome, meu primeiro disco solo, que também era uma fita de VHS com animações.

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E como as distribuidoras, gravadoras e o público reagiam com esses diversos formatos de uma obra? Isso gerava certo incômodo na época, era uma decorrência. A gravadora tinha que colocar o produto no mercado. Era um vídeo, fita VHS, que vinha acompanhada de um livro. Mas não vendia vídeo na livraria (risos) . Em locadoras de fita VHS, não tinham discos, muito menos livros. Nas lojas de discos era a mesma coisa. Os mercados eram meio separados e não estavam preparados para um produto como aquele.

Consegue fazer uma comparação com os dias de hoje? Hoje tudo já está inevitavelmente junto. Você ouve música em plataforma de streaming com os visualizers. você já tem a coisa de imagem, som e palavra tudo misturado.

“Se acirraram os ódios junto com a ascensão da extrema-direita. O disco Novo Mundo é um mosaico do que estamos vivendo”

No começo da internet, como era o uso dos computadores no seu processo criativo? Por exemplo: A época do [álbum] Nome era o começo dos computadores pessoais. Então, eram programas de animação ainda muito demorados para fazer. Lembro que  a gente trabalhou anos nas animações do disco. Era tudo muito novo.

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A primeira faixa do seu novo disco Novo Mundo diz: “Ninguém mais compartilha a mesma história/ Se tem o google para quê memória?/ Bem-vindo ao novo mundo/ Que vai se desintegrar no próximo segundo”. Você se vê hoje um pouco insatisfeito com o caminho que a internet e a tecnologia tomaram? Porque você sempre foi esse cara  tecnológico, de muita informação, várias camadas Eu continuo empolgado com os recursos digitais para criação. Mas em relação à comunicação pela internet, acho que mudou muito desde o começo até agora. E apareceram vários aspectos nefastos, que a gente não fazia nem ideia. Você pega aquela música do [Gilberto] Gil, Pela Internet, era uma música toda otimista em relação à internet. Quando começou essa coisa da comunicação em tempo real, instantânea, a gente achava, quer dizer, na minha cabeça eu achava, que ia gerar um mundo em que as pessoas iam se comunicar mais facilmente, que isso ia gerar um mundo mais tolerante, gerar curiosidade, um convívio com as diferenças mais generoso.

Arnaldo Antunes abriu sua casa e o ensaio do show para a Trip. / Créditos: Everson Verdião

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E hoje? Foi o contrário que aconteceu. Se acirraram os guetos, né? Os ódios, os ataques, as intolerâncias e a violência mesmo. Junto com essa ascensão da extrema-direita no mundo, com uma crise ambiental sem precedentes, com um descaso dos governos em relação a isso. É como se a humanidade estivesse caminhando cegamente em direção ao aniquilamento. É uma coisa muito assustadora. E todas essas coisas me fizeram fazer essa canção que abre o disco Novo Mundo, que é uma espécie de mosaico do que a gente está vivendo. E acabou ficando um panorama bem terrível, mas é porque a situação é terrível.

E isso esbarra nos haters. Como você reage às críticas e aos elogios na internet? Você fica acompanhando isso de perto? Acompanho, claro. Você precisa disso até como um instrumento de trabalho, para ter parâmetro. Não só pra saber como o meu trabalho bate nas pessoas, mas para saber também como tá o mundo. E como que a gente se coloca pros olhares do mundo.

Mas te incomoda alguma crítica ou você leva numa boa? Claro que quando tem coisas negativas, incomoda. Isso é natural. Eu acho que qualquer pessoa fica abalada. Não é que você vai tomar aquilo como um ataque a você, nem nada disso, mas é claro que a gente sente as coisas. Mas o que incomoda é quando é muito leviano, quando é uma coisa sem sentido, entendeu? Seja um ataque, seja um elogio. Quando é leviano, aquilo incomoda do mesmo jeito.

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Hoje vivemos com a Inteligência Artificial cada vez mais próxima da realidade de todos nós, e consequentemente da arte como um todo. Como você interage com IA? Acho que como ferramenta é muito útil para várias áreas, mas eu, pessoalmente, tenho uma certa resistência. Não é uma coisa que eu me vejo usando na criação, por exemplo.

“Com a IA, tudo que eu vejo parece de mau gosto. Se tem uma coisa que ela não vai fazer nunca é poesia”

Você nunca tentou colocar uma letra na IA e ver o que acontece? O repertório de recursos das ferramentas digitais pra mim foi uma coisa muito rica. A coisa do copy-paste [copia e cola]… Pra mim, essa linguagem de colagem já existia esteticamente. Então aquilo tornou a colagem muito mais interessante. E, outros desafios, como na linguagem gráfica, filtros de distorção; na linguagem musical, você passa a mudar a forma de gravar e poder gravar vários takes, depois ficar cortando e montando. Enfim, eu acho que é muito mais sedutor usar esses recursos do que ignorá-los. Então pra mim foi instigador. 

Já com a IA… Com a IA, tudo que eu vejo parece um pouco um uso de mau gosto e kitsch. A IA é um negócio meio amorfo pra mim. Não me vejo, assim.

“A poesia, as artes visuais e a música popular: tudo isso esteve misturado na minha formação”, diz Arnaldo Antunes. / Créditos: Leo Aversa/Divulgação

Existem hoje muitas bandas formadas por IA que se misturam com bandas reais no algoritmo das plataformas de streaming. Já chegou a ouvir alguma dessas bandas criadas por IA? Não. Nem sei do que se trata. Não tenho curiosidade nenhuma. Eu escutei ontem o disco da Alice Caymmi com músicas do avô [Dorival Caymmi], porque são leituras muito interessantes. Essas coisas é que eu vou ouvir. As coisas que me instigam. Não vou ficar ouvindo uma banda pra ver como é que a IA funciona. Não me interessa. E a minha matéria, que é fazer canções e fazer poesia, eu sei que a IA não vai fazer. Enfim, é uma resistência. Talvez isso mude, e descubra maneiras de me relacionar com ela e tudo isso. Mas, por enquanto, eu só tô um pouco resistente, como o pé atrás. Eu acho que se tem uma coisa que a IA não vai fazer nunca, pelo menos não vai fazer bem, é poesia.

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E isso esbarra também no uso de telas? No seu novo show, você tirou o uso de painéis de LED e focou apenas no jogo de luzes e lasers. Foi uma mudança pensando nessa constante exposição de telas em que vivemos? É, essa coisa dos LEDs virou o padrão na produção de shows no Brasil e no mundo. Eu sempre usei projeções de vídeos nos meus últimos shows. Nesse show eu falei: “não vamos fazer projeção”.  O conceito do show é que o cenário é a luz. E a luz, de certa forma, substitui essa movimentação de projeção. Então, tem um raio laser e soluções incríveis, com contraluz, com ribalta, com várias experiências ali que acho que funcionaram muito bem. E eu, de certa forma, quis dar um tempo do recurso da projeção. Talvez por sempre ter esse gosto de fazer coisas que eu não fiz antes, sabe? Não quero ficar repetindo um formato.

Em seu novo show, Arnaldo Antunes substitui os painéis de led por jogo de luzes e lasers. / Créditos: José de Holanda/Divulgação

Essa vontade de fazer coisas novas faz você ouvir uma galera mais nova também? O que você ouve? Ana Frango Elétrico, Tulipa… eu amo o último disco da Tulipa. [Da banda] Boogarins. Tem uma banda nova chamada Tietê, lançou o segundo disco agora, que eu acho muito foda. Ah, tem muita coisa rolando.

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E como isso chega até você? Você procura ou recebe indicações? Às vezes chega através dos meus filhos. O Tomé, meu filho mais novo, fazia parte de uma banda legal também chamada Morfeu Menino Chega. Também chega através dos outros filhos, ou alguém fala e eu fico curioso.

Foi isso que te fez convidar o Vandal e Ana Frango Elétrico para esse novo disco? O Vandal é demais, né? Tem um jeito de escrever muito único. Tem essa coisa da escrita não convencional, com esses “h”s. Mas ele tem um jeito de cantar meio como se estivesse cuspindo as palavras, que eu me identifico. Parece o jeito como eu cantava no começo dos Titãs. E de Ana [Frango Elétrico] sou fã desde o primeiro disco. E esse último, eu acho muito foda. Não só o canto, mas também a sonoridade, que é muito original também. É um combo de talentos.

O rapper Vandal é uma das participações do álbum Novo Mundo de Arnaldo Antunes. / Créditos: José de Holanda @josedeholanda

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“Quando encontro Marisa Monte, as coisas saem. É uma química muito espontânea”

É interessante que você tem parcerias que são antigas e seguiram com você a sua carreira inteira como Marisa Monte. Vocês hoje possuem mais de 110 músicas. Muitas delas com Carlinhos [Brown] também, mas algumas só eu e Marisa, às vezes eu e Dadi, ou Pedro Baby, ou outros compositores.

Marisa Monte e Arnaldo Antunes em 1996. Juntos, os dois compuseram mais de 110 músicas. / Créditos: arquivo pessoal

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Você quando escreve alguma letra. Já pensa: “isso aqui é a cara de Marisa”? Às vezes acontece. Mas não tem essa premeditação. Quando a gente se encontra as coisas saem. Muitas feitas na hora, assim, quando a gente tá junto. É uma química muito espontânea.

Quando estão distantes, essa troca é por e-mail? Whatsapp? Tudo e-mail.

“Detesto quem fica cobrando: ‘E aí, viu minha mensagem?’. Tanta pressa pra quê?”

Você não tem essa ansiedade da resposta imediata? Não. Eu detesto gente que fica muito ansiosa cobrando: “E aí, viu minha mensagem?”. Você tem que respeitar o tempo. “Tanta pressa pra quê”, né? Tá lá na música.

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Você se vê ansioso onde? Pra gravar eu sou. Eu fico totalmente obcecado. Quero entrar no estúdio de manhã e sair tarde da noite. No dia seguinte já tô louco pra voltar. É um mergulho.

Depois de lotar estádios com os Tribalistas e com a turnê Titãs Encontro, Arnaldo Antunes volta a shows mais intimistas no projeto solo. / Créditos: Everson Verdião

Você se isola enquanto grava? Ou lê, ouve músicas e assiste filmes durante o processo de criação de um disco? Não tenho nenhuma restrição. Posso ouvir música, ver filmes. 

Você gosta mais de palco ou estúdio? Acho que gosto mais de palco. Tem uma troca de energia, uma catarse, um descarrego que só acontece ali.

E agora depois de fazer shows em estádios com Titãs, voltou para casas menores. Como é isso? São prazeres diferentes. Em lugar pequeno você vê a cara das pessoas. O estádio é uma multidão. Eu gosto dos dois.

“Tô fazendo o trabalho em que acredito. Não fico pensando se eu sou mainstream ou underground”

Você circula em muitos universos do mercado musical.  Se vê como um artista do mainstream? Eu não penso muito assim. Eu tô aí fazendo o trabalho em que acredito. Não fico pensando mercadologicamente se eu sou mainstream, underground ou o quê.

E nunca pensou em fazer um filme? Nunca pensei seriamente em trabalhar com cinema, embora adore a linguagem. No colégio fiz alguns filmes em Super-8. Fiz também um curta experimental com quadros do Van Gogh e música. Era tudo muito artesanal.

No Brasil existe uma expressão muito usada que é “Música de Novela?”. como um sinônimo de sucesso popular. Você já fez uma música pensando: “isso aqui é música de novela”? Não. Claro que se entrar numa novela eu vou ficar feliz. Mas fazer pensando nisso… Não, se não você vira publicitário. O que não é um problema, só não penso assim.

“Não vou ficar ouvindo banda criada por IA pra ver como funciona. Não me interessa”, afirma Arnaldo Antunes. / Créditos: Leo Aversa/Divulgação

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