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Dias antes do fim da Eldorado FM, um papo reto com o diretor artístico da rádio

Na despedida da Rádio Eldorado do dial, Paulo Lima conversa com Emanuel Bomfim sobre o legado da emissora, seus bastidores e por que ela sempre foi “a rádio que não parece rádio”

Dias antes do fim da Eldorado FM, um papo reto com o diretor artístico da rádio

em 8 de maio de 2026

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A Rádio Eldorado vai encerrar sua jornada de 68 anos dedicados a fortalecer as artes, o jornalismo e todos os ângulos da cultura brasileira pelas ondas do rádio no próximo dia 14 de maio. Com a Trip, foram 26 anos de uma parceria muito forte e coesa. Para marcar essa despedida do dial e a última edição do Trip FM pela Eldorado, Paulo Lima chamou para um papo Emanuel Bomfim: diretor artístico da rádio nos últimos 10 anos, apresentador do programa Fim de Tarde e uma espécie de “maestro” da equipe que faz a emissora.

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Na conversa, Emanuel reflete sobre a forte reação da sociedade à notícia do fim das transmissões no 107.3 MHz, os diferenciais e o legado da “rádio dos melhores ouvintes”, como ficou conhecida. “A Eldorado é a rádio que não parece rádio, atuamos na via inversa do mercado. Sustentá-la por 68 anos com liberdade jornalística e curatorial é quase um milagre”, disse o radialista.

Após o fim da rádio Eldorado, o Trip FM segue com novos episódios toda semana nas plataformas digitais.

Você pode ouvir o programa no play nesta página, no Spotify, Deezer, YouTube, Apple Podcasts e outras plataformas de áudio, ou ler alguns trechos da entrevista a seguir.

O que faz a Eldorado ser tão única no rádio brasileiro?

Emanuel Bomfim. A melhor definição sobre a Eldorado, e parece um contrassenso, é a rádio que não parece rádio, apesar da gente atuar como um veículo dentro do rádio, porque toda a nossa maneira de atuar no mercado se comporta na via inversa do que existe. É muito comum o pagamento de execuções musicais em programações de emissoras de rádio, o famoso jabá, e a Eldorado nunca aceitou um jabá. Quando chega um disco novo de um artista para ser avaliado, não é levado em conta a tal música de trabalho. Aliás, a gente faz questão de não tocar a música de trabalho, quase como uma raiva com essa lógica. A gente quer escolher a música que faça mais sentido para a programação e possa ser mais surpreendente.

Quando você assumiu a direção artística, já imaginava esse cenário tão difícil? Quando eu assumi em 2016, fiquei com a sensação que eu assumi para fechar a rádio, porque não tinha direção artística, tinha uma equipe mínima, não tinha programas no ar, tinham poucos programas no ar. As coisas eram tocadas muito de uma maneira protocolar, mas não tinha investimento, não tinha pensamento de longo prazo.

Num tempo dominado por streaming e algoritmo, qual ainda é o lugar do rádio?

Eu acho que as plataformas de streaming trouxeram essa possibilidade de você acessar a música facilmente, que antes você não tinha, e passou a valorizar a figura do âncora, a figura do apresentador como alguém que não está ali só para fazer a parte operacional, mas alguém que conduz emoções, alguém que traz contexto, alguém que é companheiro, faz companhia de fato ao seu interlocutor. E o ouvinte voltou a valorizar isso. Eu acho que é quase como um rádio AM de antigamente, dos comunicadores, a figura desse comunicador que volta a ter novamente essa relevância no rádio atual.