Ítalo Ferreira supera Medina e é campeão do mundo
O potiguar venceu a etapa de Pipeline é se tornou o terceiro surfista da Brazilian Storm a alcançar o topo do Circuito Mundial
Créditos: Kelly Cestarii/WSL via Getty Images
Por Douglas Vieira
em 19 de dezembro de 2019
Ítalo Ferreira chegou ao Havaí como líder do Circuito Mundial, posição que alcançou na etapa Peniche, em Portugal. A busca era ser o terceiro brasileiro a alcançar o topo em cinco anos, mas, para isso, tinha que superar o sul-africano Jordy Smith, o americano Kolohe Andino e os conterrâneos Filipe Toledo e Gabriel Medina, vencedor da World Surf League (WSL) em 2014 e 2018. E foi com Medina, depois de atropelar a lenda Kelly Slater na semi-final, que ele duelou na última bateria de 2019, quando completou dois tubos combinados com aéreos de alta intensidade, manobras que sempre marcam suas sessões, e sagrou-se campeão, para a explosão de alegria dos familiares e amigos, que vibraram a cada manobra da final.
Na areia, o potiguar, que em Pipeline também garantiu uma das duas vagas olímpicas do Brasil para Tóquio 2020, não segurou as lágrimas. A emoção marcava suas palavras e assim foi também durante a cerimônia da premiação, enquanto recebia os troféus que levou para casa: de campeão mundial e de melhor surfista do ano.

A vitória de Ítalo coroa uma trajetória que teve o talento à frente da estrutura, como tantos outros atletas da chamada Brazilian Storm, apelido que os americanos deram à talentosa geração de surfistas brasileiros que chegavam simultaneamente à WSL.
Filho de um vendedor de peixes em Baía Formosa, no Rio Grande do Norte, Ítalo começou a surfar com a tampa da caixa de isopor usada pelo pai para armazenar peixes. Depois, seguiu com o pedaço de uma prancha quebrada por seu primo. Mas nada disso vencia o talento do garoto, que acredita no surf como um esporte em que as limitações podem ser vencidas a qualquer momento. “Basta ter força de vontade. Meu pai tem 49 anos e foi pegar a primeira onda no ano passado. Depende só da pessoa”, acredita o surfista de 25 anos, que ganhou a primeira prancha inteira aos 11, passou a vencer torneios regionais e o resto acaba de ser anotado na história do esporte.
Para alcançar o espetacular momento desta quinta-feira em Pipeline, Ítalo, quando garoto, precisou persistir no sonho. O novo raio da “tempestade brasileira”, assim como outros surfistas brasileiros que têm se destacado ano a ano, tem uma origem humilde e precisou vencer até alguma resistência da família, que se preocupava com o sustento. “Só meu avô que me acobertava e dizia que eu ia ser campeão um dia. Tinha muito preconceito com o surfe”, conta o melhor surfista de 2019 do Circuito Mundial.

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