A arte no Municipal não para

por Dandara Fonseca

Enquanto permanece fechado por causa da pandemia, o Theatro Municipal de São Paulo democratiza o acesso à arte ao disponibilizar on-line espetáculos, cursos e conversas

Conhecido por suas escadarias de mármore, colunas neoclássicas e salas com pinturas exuberantes, o Theatro Municipal de São Paulo teve que explorar a arquitetura de outro ambiente enquanto se encontra fechado por conta da pandemia do coronavírus: o digital. Com o objetivo de mostrar ao público que a arte continua mesmo durante o isolamento, os conteúdos são divididos essencialmente em áreas que representam três tempos do que é considerado um dos principais pontos turísticos da cidade: o passado, o presente e o futuro. 

A visita ao passado acontece toda sexta-feira, às 20h, quando é publicada no YouTube a gravação na íntegra de um espetáculo artístico para que o espectador possa rever ou mergulhar pela primeira vez nas fascinantes produções de ópera, nas coreografias de ballet ou na beleza da música sinfônica das apresentações que já passaram pelo Municipal. Entre os primeiros conteúdos disponibilizados está a divertida opereta A Viúva Alegre, de Franz Lehár, que nesta versão foi traduzida e dirigida cenicamente por Miguel Falabella. 

Os espetáculos eram gravados pensando exclusivamente no registro histórico, mas a ideia de abrir o acervo audiovisual ao público em tempos de pandemia reforçou o valor de fazer chegar em mais pessoas toda a arte produzida ali. “O on-line foi uma solução vinda de uma emergência, mas não deixa de ser uma oportunidade", diz Luiz Coradazzi, assessor da diretoria artística do Municipal. "Dentro da oferta de conteúdos, estamos vendo quais possuem uma melhor qualidade audiovisual para serem disponibilizados”, explica sobre a série que resgata o acervo, batizada de Reserva Municipal.

Mas nem só de memórias vive a nova fase do Theatro Municipal. Mesmo em isolamento, os artistas não param de produzir, estudar, compor e ensaiar. Na sessão Arte Presente, aproveitando toda essa potência criativa, eles gravam de suas casas conteúdos pensados e produzidos por eles. “Sozinhos, em duos ou em trios, eles propõe certas peças que normalmente não seriam programadas para o palco do Municipal, além de explorar gêneros musicais incomuns para o Theatro e que agora estão ganhando visibilidade”, afirma Coradazzi. 

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As apresentações também possibilitam maior visibilidade aos artistas, já que, dentro do corpo de uma orquestra ou um coro, é difícil apreciá-los individualmente. “Com a câmera na casa do músico ou do bailarino, você vê mãos, expressões e posturas corporais que antes não tinha oportunidade. É uma relação muito mais próxima que está sendo oferecida ao público", diz Coradazzi.

Contribuir com a formação de artistas no Brasil também está entre os planos do Municipal. Uma das novidades que surgiram com o ambiente on-line são os conteúdos pedagógicos gratuitos. As bases dos principais concertos apresentados em concursos de orquestra pelo mundo foram gravadas com o solo reduzido para o piano para servir de apoio a jovens músicos que tiveram as aulas presenciais interrompidas. Ao praticar, o estudante também pode gravar ele mesmo tocando e mandar para o Municipal. “Queremos dar visibilidade a novos músicos dispostos a mostrar seus trabalhos", explica Coradazzi.

Entre os cursos também há aulas de história da ópera, direção de palco e história do quarteto de cordas. É uma chance de conhecer os bastidores do Theatro Municipal e toda a complexa engenharia que funciona atrás do palco. O curso sobre a história da ópera, por exemplo, fala dos tipos de voz, encenação e estratégia de mediação. "O público que se sente intimidado ou excluído pelo mundo da ópera agora pode se aproximar. E aqueles que já consomem podem matar algumas curiosidades", afirma Coradazzi.

As lives, feitas no Instagram, também são uma maneira de mostrar um pouco do backstage do Municipal. Em um dos formatos, duas pessoas de áreas diferentes, dos diretores artísticos aos funcionários da área jurídica, batem um papo sobre suas profissões. "O que a gente vê no palco é a ponta do iceberg", diz o assessor. "Não tem orquestra suficiente no Brasil para integrar todos os estudantes de música. Atuar no backstage é uma função essencial e a gente precisa de conhecimento musical e artístico para fazer o espetáculo funcionar."

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A ampliação da participação on-line já mostra bons resultados. Quando foi publicada a ópera O Barbeiro de Sevilha, conhecida pela famosa composição musical "Fííígaro, Fígaro", mais de 3 mil pessoas assistiram ao espetáculo simultaneamente. Este número representa o dobro da capacidade do próprio Municipal, que gira em torno de 1.500 espectadores. Já a Sinfonia n° 9 de Beethoven, uma das mais populares, conta com mais de 10 mil visualizações no YouTube. 

Para Coradazzi, apesar de não substituir a experiência ao vivo, o digital pode remover barreiras importantes, como a distância, o preço dos ingressos ou a falta de tempo para assistir às apresentações. No entanto, ele acredita que a principal barreira a ser transposta é a mental. "Às vezes a pessoa não faz o 'investimento' de ir ao Theatro Municipal porque acha que pode estar perdendo seu tempo e dinheiro. Ela não sabe se vai gostar, entender. No on-line, ela não tem nada a perder", diz. "Existe um preconceito com esse tipo de arte que a experiência de ver em casa, sem compromisso, está ajudando a combater." 

A ideia é que a maior presença no ambiente on-line continue mesmo após o fim da pandemia. “Ao nosso ver, essas medidas representam o futuro: as novas gerações de músicos e os próximos públicos do Municipal, que ou estão impedidos de ver no momento ou nunca tiveram acesso ao conteúdo”, afirma Coradazzi. 

Créditos

Imagem principal: Fabiana Stig

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