Entrevista com o traficante Marcinho VP

por Renata Leão
Trip #95

O traficante ganhou fama com um clipe de Michael Jackson. Longe da mídia desde que foi preso, Marcinho VP concede sua primeira entrevista direto de Bangu I

Há algumas semanas, Marcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP, enviou, de sua cela no presídio de Bangu I, no Rio de Janeiro, uma carta à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa. No texto, o ex-traficante exige o direito de estudar enquanto estiver sob a tutela do Estado. É a primeira vez que um detento faz um pedido desses na penitenciária de segurança máxima que fica na zona oeste do Rio. "O pedido do Marcio está causando uma mobilização na secretaria", diz Vanda Ferreira, subsecretária de Direitos Humanos e Sistema Penitenciário. 

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Marcinho VP é um criminoso. Mas está longe de ser um bandido comum. Aos 31 anos, ele surpreende pela inteligência com que se expressa – um discurso caótico mas sempre fascinante, que vai de Sócrates a Darcy Ribeiro num tiro, raspando em Karl Marx e Paulo Coelho. O alvo é sempre a desigualdade social brasileira, causa da miséria, do crime e da violência no país. Os pais de VP vieram da Paraíba na década de 60 e se instalaram no Chapéu Mangueira, no morro do Leme, Rio. Separaram-se e a mãe, Josefa Amaro, a Dona Nininha, mudou-se para o morro de Santa Marta, onde VP e suas duas irmãs nasceram. Durante a adolescência, o menino ficava em casa tomando conta delas, enquanto Dona Nininha trabalhava como servente. Era ele quem levava as duas na creche, lavava as roupas, passava e fazia a comida. Marcio não chegou a completar o ensino fundamental. Sua mãe conta que ele começou a se envolver com o tráfico aos 16 anos. Ganhou a confiança do Comando Vermelho até herdar de Pedro Gilson de Araújo, o "Pedrinho da Prata", o comando do Santa Marta. Marcinho VP [“Viado Puto”, segundo conta, o apelido que ganhou por ser fominha no futebol] é pai de três filhos, um de 15, um de 8 e outro de 6 anos – cada um de uma mãe diferente. No morro, o traficante era famoso pelo sucesso que fazia com as mulheres. Sua namorada, Luciene Bispo, uma morena bonita de 1,60 metro e 19 anos, não o abandonou depois da prisão. Faz visitas íntimas a VP todos os domingos, do meio-dia às cinco da tarde.

O povo na tv

A primeira vez que a reputação de Marcinho desceu o morro e chegou à mídia da zona sul foi em 1996. Ele deu uma entrevista ao Jornal do Brasil a respeito do acordo de proteção que fez com a equipe do diretor norte-americano Spike Lee, que gravava o clipe "They Don’t Care About Us", de Michael Jackson, nas vielas do Santa Marta. Na reportagem, VP declarou-se chefe do tráfico no morro. Uma semana depois, uma diligência da polícia o prendeu com um baseado de maconha. Oito meses mais tarde, fugiu da Polinter, onde estava encarcerado. Julgado à revelia [quando o réu não está presente na audiência], Marcinho recebeu duas sentenças de dois juízes diferentes: pegou 25 anos por tráfico de drogas e formação de quadrilha e mais 17 anos por tráfico e corrupção ativa [tentativa de subornar policiais]. Escondido no Santa Marta, VP facilitou, em 1998, as filmagens de Notícias de Uma Guerra Particular, filme de João Moreira Salles e Katia Lund enfocando as relações entre polícia, tráfico e comunidade no morro. Deu entrevista a João Salles, mas voltou atrás e não permitiu que suas falas fossem incluídas no documentário, lançado em 1998.
O traficante voltaria às manchetes dos jornais em fevereiro do ano passado, quando Salles contou à imprensa que vinha pagando ao fugitivo da polícia 1200 reais por mês em troca do abandono do crime e de capítulos de uma autobiografia. Salles só tornou o fato público porque descobriu que seus telefones estavam grampeados e temeu ser chantageado. No tiroteio público que se sucedeu à revelação, entraram o secretário de Segurança Pública, Josias Quintal, e o próprio governador Anthony Garotinho. João Salles acabou condenado por favorecimento pessoal (artigo 348 do Código Penal) e foi obrigado a pagar multa de 7400 reais. Já Marcinho se transformou de vez no inimigo público número 1 do Rio. Entrou na lista dos 15 bandidos mais procurados, e a Associação Rio Contra o Crime ofereceu 20 mil reais a quem o denunciasse. Deu resultado: depois de passar alguns meses na Argentina, Marcinho voltou ao Brasil e foi preso. Foi encontrado em abril do ano passado num barraco no morro do Falet, em Santa Tereza — sem dinheiro nem drogas, mas com uma pistola Glock rajada nas mãos. O secretário Josias Quintal lembra bem desse dia: "Ele estava tão acabado que parecia um mendigo, todo cabeludão. Certamente outros traficantes o denunciaram. Ninguém o queria nos morros porque a caça estava intensa", conta. Punição: 42 anos (25 mais 17), dos quais VP em tese cumprirá 30 – tempo máximo de detenção permitido pela legislação brasileira.

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O outro

“Essa pena de 42 anos é um descalabro", protesta o criminalista Alexandre Moura Dumans, professor titular de Processo Penal da Faculdade Cândido Mendes e ex-presidente do Conselho Penitenciário do RJ: "Sou criminalista há 25 anos e afirmo que é um exagero. Essa pena, diante das acusações, sem homicídios ou estupros, não tem o menor cabimento. VP foi pego como bode expiatório", protesta Dumans. Os juízes que o condenaram rebatem: “Seria um homicídio mais grave do que vários outros crimes somados?”, pergunta Denise Frossard, que deu 17 anos a VP. “Dizer que Marcinho nunca matou é um absurdo”, afirma Sidney Rosa da Silva, que lhe tascou mais 25: “Um homem que domina o morro à base de armas de grosso calibre torna-se, automaticamente, responsável pela morte de civis e policiais”. Nem todo o mundo concorda. Para o deputado Hélio Luz, além da visibilidade pública, Marcinho está pagando pela confusão com um traficante homônimo, Márcio dos Santos Nepomuceno, também "Marcinho VP", que controlava o tráfico no Complexo do Alemão, na Vila da Penha – daí o VP. "Esse outro mata a sangue frio e é mesmo bandidão", afirma Luz, que durante toda a reportagem referiu-se a nosso entrevistado como "o fake" [falso, em inglês]. Não é mera coincidência, acusa o ex-coordenador de Segurança Pública do Rio, Luiz Eduardo Soares. "Josias Quintal e Garotinho atribuíam ao Marcio Amaro um elenco de crimes bárbaros cuja autoria era de seu homônimo", revela Soares. "No início, pensei que o governador tinha confundido o currículo dos dois nas entrevistas. Depois, deduzi que a confusão era intencional, porque o adverti do equívoco e ele continuou persistindo no erro", denuncia. Fake, falastrão, articulado, polêmico, Marcinho VP deu esta entrevista por escrito, pelo seu advogado, Ezequiel Costa, de sua cela no Bangu I.

Você tem três filhos. O que espera para o futuro deles? Marcinho VP. Nada é mais importante do que as crianças. São tão frágeis como um passarinho ou uma semente de mostarda. Penso que, com um pouco de paz e equilíbrio, serão capazes de crescer naturalmente.

Você tem medo de que eles se envolvam com o tráfico? Tenho, como todo pai. Sei que existem muitos motivos para um jovem se tornar um fora-da-lei. Por exemplo, quando ele leva um tapa na cara de um policial indo para a escola ou não tem perspectivas na vida.

Você tem fama de fazer sucesso com as mulheres. Já se sentiu "usado" por alguma delas que na verdade estivesse interessada no seu poder? Da mesma forma como elas se apaixonam por jogadores de futebol, algumas gostam de aventuras. Querem conhecer como é viver com os bandidos. Outras vêm por dinheiro e poder: querem se sentir seguras. Não sei explicar a cabeça das mulheres, elas são muito complicadas. Só sei dizer que as que estiveram comigo me amaram de verdade.


O que a Luciene, sua namorada há quatro anos, representa para você? Equilíbrio.

Como vocês se conheceram? No morro todo mundo se conhece. Um dia, estava descendo as vielas e ela subindo da escola. Dissemos algumas coisas e tive a certeza de que ela já era íntima. Logo depois estávamos apaixonados.

Como foi a primeira vez que vocês transaram? E isso é pergunta que se faça?

Durante o namoro, você nunca quis abandonar o crime e levar uma vida tranquila? Quis isso o tempo todo.

Sente ciúmes dela, que tem apenas 19 anos e toda a vida pela frente? Tenho, mas me controlo. Ela me ajuda passando confiança e companheirismo.

O que você faz quando a saudade bate? Me mantenho resignado, penso que sou filho de Deus e que serei feliz. No silêncio do cubículo, penso na noite e sei que, de alguma maneira, ela é a certeza do amanhã.

Uma vez você disse que uma entrevista lhe custou 42 anos de prisão. É verdade? Realmente, pela fama que uma frase produziu: "viciado em matar" ["meu único vício é matar", publicada no Jornal do Brasil de 12/2/96]. Era véspera da gravação do clipe do Michael Jackson e apareceram três repórteres, de sandálias havaianas, bermuda e camiseta. Tenho mania de fazer amigos e levei-os a um dos cartões-postais da favela. Um deles me perguntou se eu queria dar uma entrevista. Disse que não, mas eles insistiram e prometeram não revelar quem eu era. Acabei topando. No meio da entrevista, perguntaram: você tem algum vício, cheira? Respondi: "Não, meu único vício é mato". Mato, no morro, é maconha. Pronto. No dia seguinte, estava lá, na primeira página, com meu nome e sobrenome: "Meu vício é matar". Foi aí que o meu mito começou.

Depois do filme Notícias de uma Guerra Particular, o capitão da PM Rodrigo Pimentel – um dos entrevistados – sofreu represálias e acabou saindo da polícia; o coordenador de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, foi afastado; o diretor João Salles teve que pagar multa e você foi preso. O que acha dessa situação? Quem está errado é quem puniu o Luiz Eduardo, o capitão e quem me confinou nesse lugar sem ao menos me dar uma chance de aprender. Reivindico o direito de ser reeducado!

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Há um ano, você estava na lista dos 15 bandidos mais procurados e a Associação Rio Contra o Crime ofereceu 20 mil reais a quem o denunciasse. Como se sentia valendo esse preço? Se meu preço fosse o que gastaram para fazer meu marketing, já daria um valor melhorzinho. Só com aquele informe da demissão do Luiz Eduardo se gastou 1 milhão de reais.

João Salles disse numa entrevista à Folha de S.Paulo que tem obrigações com você, quer educá-lo. De que maneira ele está ajudando? Ele manda livros quase todo mês, lê coisas que escrevo, a gente se corresponde. Veio me visitar...

O que você fez com as quatro mesadas de 1200 reais que ele te deu? Escrevi os primeiros capítulos da minha autobiografia. A internet já pôs no ar alguns deles.

Por que você está escrevendo esse livro? Porque quero escrever, tenho que escrever. É uma maneira de não enlouquecer aqui dentro.

O que você quis dizer em seu depoimento à CPI do narcotráfico quando falou que João Salles é o "abolicionista do século 21"? Não consigo ver nossa contemporaneidade sem ser historicamente. Creio que nossas celebridades, artistas, atores e empresários deveriam ser lembrados como vanguardistas, intelectuais. Mas, na verdade, serão vistos como escravocratas medrosos e inseguros – que têm medo que existam outros seres humanos com condições e possibilidades iguais, intelectuais e econômicas. O João fez descortinar a realidade ao conversar com um nativo marginalizado como igual. Essa é uma atitude de um abolicionista.

Existem outros "abolicionistas"? Sim. E quero mandar uma mensagem para um deles, o Marcelo Yuka [baterista da banda O Rappa  que foi baleado durante um assalto e ficou imobilizado da cintura para baixo]: “Quando, no decorrer da luta e da vida, o homem chega ao ponto em que não avança, essa situação não deve perdurar. Você deve atrelar os cavalos de seus pensamentos positivos e conduzir a luta até o fim. Aquele que luta descansa. Aquele cujo pensamento almeja de corpo e alma o impossível, este é o vencedor”.

Qual foi sua sensação na CPI, quando discursou naquele palanque em meio a câmeras, microfones e um monte de políticos? Parecia ir de encontro a uma alcateia. Me surpreenderam os parlamentares e sua inquisição, pois eles só queriam retirar confissões e não conseguiam observar que sou o efeito e não a causa. Mal consigo acreditar que havia padres, pastores, líderes da esquerda e nenhum deles conseguiu observar que é um problema social!

É uma mágoa que você tem? Tenho mágoa porque meus bisavós, avós e pais não conseguiram ter possibilidades na vida. Porque meus filhos, tão jovens, já sofrem o mesmo efeito. Tenho mágoa porque a elite letrada brasileira é incapaz de ser generosa, e as pessoas que se dizem conscientes trabalham para o "Além do Cidadão Kane" [referindo-se a Beyond the Citizen Kane, documentário inglês que critica o poder da Rede Globo no Brasil].

Qual a sua opinião sobre a política de repressão ao tráfico no Brasil? Um Armagedon. Um holocausto matematicamente projetado para manter sob controle determinada classe social que hoje abarrota os IMLs e hospitais do Rio de Janeiro. Se considerarem as estatísticas de mortos e feridos, tecnicamente trata-se de uma guerra civil, muda e particular. É esse espírito de matar e destruir que transforma minha cidade num campo de batalha. O infeliz marginalizado é o inimigo da sua própria nação. Logo ele, que deveria revitalizar a pátria. A pior das guerras é a que joga o próprio povo uns contra os outros.


Você já matou alguém? Esse é um assunto importante. Uma revista não é o lugar certo para discutir as circunstâncias da minha vida, coisas que fiz ou deixei de fazer. Precisa de tempo, espaço. Por isso, o livro que estou escrevendo. [Nota da Redação: Marcinho admitiu, numa entrevista à Veja de 3/5/2000, que já matou “no confronto”.]

De 97 a 99 você fez várias viagens pela América do Sul. Quais foram as coisas mais legais que viu? A neve, uma das coisas mais bonitas do mundo. Descobrir a América Latina me fez entender quem eu sou. Vi o deserto, a geleira, as montanhas. Fiz o caminho dos Incas, dos Maias. Tomei Locro, uma sopa típica... Ouvi falar de heróis como [o revolucionário mexicano Emiliano] Zapata, [o cacique e guerilheiro peruano] Tupac Amaru, [o revolucionário venezuelano Simon] Bolívar, [a primeira-dama argentina] Evita [Perón], [o guerrilheiro argentino Ernesto] Che [Guevara]. Foi legal assistir na Universidade do México a uma palestra dos zapatistas e notar que a luta deles é distinta da nossa. Legal também foi conversar com as líderes das Mães de Maio e escutar delas que lutariam até o último momento da vida para fazer justiça aos 30 mil desaparecidos, que merecem ter sua dignidade restabelecida.

Você pensou em abandonar o tráfico durante esse tempo? Quando fui andar pela América Latina, já havia andado durante dois anos pelas estradas do Brasil, como andarilho, miçangueiro. Conheço quase todas as igrejas históricas, pequenas e grandes cidades do Brasil. Do tráfico eu já havia me desligado. O único problema era a polícia. Na favela, integridade, virtude e luta são como tatuagens: serão sempre lembradas pelos capitães-de-mato, que é como eu chamo a polícia.

É possível abandonar o crime e sair ileso, recomeçar uma vida normal? Sair ileso? Tenho várias marcas de tiros nove milímetros espalhadas pelo corpo, vi quase toda a minha geração morrer pelo tiro ou pelo vício, fui caçado como se caça um animal, vi minha família e amigos sofrendo. Tenha a certeza absoluta de que não há como sair ileso, mas dá para continuar a viver e usar a experiência que adquiri.

O que mudou na sua cabeça desde que entrou no Bangu I? Antes eu tinha que recuar, não podia me defender publicamente, só podia correr. Hoje, mudou minha fórmula de combate. Tenho a chance de ler, aprender e com isso me desembaraçar desse emaranhado de códigos e subjugações que nos mantêm lá embaixo, apartados. Quero me ver livre desse coquetel molotov feito de droga, miséria e alienação política.

Você está sendo bem tratado aí? Não. Aqui onde estou só tem uma coisa de bom: a certeza de que o que venho gritando há anos é certo. Todo esse sistema penitenciário é arcaico e inoperante. Isso aqui é um lugar de castigo, de tortura.

Qual o melhor livro que já leu? Todos os livros e autores foram importantes. [O poeta português] Camões, [o historiador britânico] Eric Hobsbaum, [o romancista colombiano] Gabriel Garcia Marquez, [o escritor uruguaio] Eduardo Galeano, [o historiador e jornalista gaúcho] Eduardo Bueno, [o repórter-gonzo da Trip] Arthur Veríssimo, [o filósofo grego] Sócrates, [o escritor carioca] Paulo Coelho. Achei O Povo Brasileiro, do [antropólogo mineiro] Darcy Ribeiro, maravilhoso. Retrato do Brasil, do [historiador paulista] Paulo Prado, também. Esses livros me ensinaram a entender porque sou quem sou.

Se você pudesse colocar alguém na presidência da República, quem seria? Frei Betto [teólogo mineiro, idealizador da "Teologia da Libertação", que defende uma igreja comprometida com as causas populares].

Você soube dos atentados de 11 de setembro aos Estados Unidos? Sim. Soube pela TV e achei incrível. Tudo o que Hollywood propagou em seus filmes aconteceu.

Qual sua opinião sobre o discurso do presidente George W. Bush, que anunciou a "primeira guerra do século 21"? Sendo ele presidente da maior força mundial bélica e econômica, me deixa curioso, pois [Osama] bin Laden e o grupo Taleban são poucos para uma guerra contra um Golias.

Você acha que esses conflitos têm algo a ver com o narcotráfico? Não.

Os EUA temem o terrorismo bacteriológico [esta entrevista foi feita antes dos primeiros casos de anthrax nos EUA]. Você acredita nessa possibilidade? Sim. Há muitas armas biológicas circulando no mercado negro.

Por que você resolveu dar esta entrevista? Acho que a Trip me dá alguma condição de ser ouvido como um ser humano igual a qualquer outro. Vocês não parecem pré-julgar. Tenho coisas importantes para dizer, que não são muito diferentes do que fala o Carlos Nader e o Ricardo Guimarães [colunistas da Trip].

O que você faria se saísse da cadeia amanhã? Quando sair, pagarei uma promessa, que é uma peregrinação. Também quero estudar Letras. Assim, quem sabe, consigo ajudar de outra maneira o povo das favelas. Essas pessoas precisam despertar, se descobrir, saber que existem outros valores, outros povos, outras soluções. Saber que estamos vivendo na miséria porque os governos são incompetentes. Quero ser um agente da politização da gente excluída do Brasil. É gente sem um país.

No fim das contas, o que você fez pelo morro de Santa Marta? Sobrevivi.

Créditos

Imagem principal: Dida Sampaio / AE

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