por Redação

Aos 38 anos, a atriz e cantora produz conteúdo para a plataforma de streaming Cleo On Demand e comemora o processo de autoconhecimento: ”A idade tem me feito bem”

Depois de muitos anos na frente das câmeras, Cleo resolveu experimentar o outro lado dos holofotes. A atriz e cantora tem explorado seu lado produtora com o projeto Cleo on Demand, uma plataforma de streaming em seu Instagram que já lançou séries como Reflexos, protagonizada por Vera Fischer. "Um dos prós de estar no backstage é não ser tão cerceada, tão julgada, tão mirada", diz. Ela já se acostumou a ter sua carreira – e sua vida – fiscalizada, mas hoje acredita que isso faz parte de seu processo de autoconhecimento. "O olhar de fora ajuda você a sair um pouco de você e a se ver também".

Aos 38 anos, Cleo se sente mais segura e garante que a idade só lhe fez bem. "Antes eu não entendia muito bem o que eu estava fazendo aqui, ficava meio atordoada com o simples fato de existir”. No papo com a Trip, ela fala sobre a carreira, o estigma de símbolo sexual e a experiência de gravar um clipe romântico ao lado de Mano Brown. "O Brown para mim, e acho que para qualquer mulher, sempre foi um sex symbol", diz.

Além do seu trabalho como atriz, que as pessoas conhecem bem, você tem feito uma mistura de curadoria com produção de conteúdo no seu Cleo on Demand. O que você está aprendendo desse lugar novo? Eu gosto muito desse lugar de estar no backstage das coisas. Sou muito eclética e gosto de todos os lados, de todas as possibilidades, de todas as experiências. Como produtora de conteúdo e como produtora executiva eu posso apresentar para as pessoas coisas que me ajudaram a me formar, me informar e a me entreter. Eu gosto de compartilhar com as pessoas, então isso é uma forma de trocar. Legal que você me vê como uma produtora de conteúdo. Eu tenho bastante ajuda, mas é uma equipe que entende esse meu jeito meio múltiplo de ser. É muito gostoso e meio viciante ficar por trás das coisas, no backstage.

Tem também alguma intenção aí de se livrar um pouco da pressão do mundo? Sendo uma figura famosa, se você vai ao shopping com tal roupa, já sai em tudo que é lugar. Você é fiscalizada 24 horas. É um jeito também de se livrar um pouco deste jugo, dessas amarras? É um pouco, é uma consequência. Talvez um dos prós de estar no backstage é não ser tão cerceada, ou tão julgada, tão mirada. Mas não é necessariamente por isso que estou. As pessoas ficaram acostumadas a uma parte do meu processo, e a partir do momento que eu comecei a ter outros processos, as pessoas julgam muito. Mas eu acho que faz parte do autoconhecimento. O olhar de fora ajuda você a sair um pouco de você e a se ver também. Eu não desgosto do lugar público hoje em dia. Afinal acho que aprendi a gostar dele porque ele vem junto com as coisas que eu amo fazer. Sem ser uma pessoa pública, sem poder me conectar com as pessoas, sem ter reconhecimento, fãs ou seguidores, talvez eu não conseguisse ter sucesso nas coisas que eu escolhi. Até para hoje estar no backstage, poder fazer uma curadoria. Eu nunca estudei produção e, se eu não tivesse vivido esses 38 anos no olhar público, talvez eu não tivesse esse alcance também.

Em uma conversa com a Milly Lacombe na Casa TPM você falou sobre ser um símbolo sexual, e que um aspecto negativo dessa história é ser usada como ferramenta de opressão a outras mulheres. Quando foi que você percebeu isso? Você lembra desse momento? Lembro, foram vários momentos. Eu via algum cara com quem eu já tinha ficado e sacava a dinâmica que fazia entre eu e a mulher com quem ele estava, querendo deixá-la insegura. E acho que nem precisa ser símbolo sexual para isso, é só você existir mesmo. Mas querendo ou não, quando você é um símbolo sexual você atinge mais pessoas. Acabava acontecendo, mas sempre de uma forma muito velada e sutil, que os homens acham que a gente não percebe. A gente percebe.

Em entrevista recente ao Trip Fm, a Fernanda Paes Leme fez quase que uma reclamação formal e pública sobre o excesso de boy lixo. Ela está dizendo alguma coisa parecida com o que você disse agora, que tem muito homem com muita idade e pouca maturidade. Você acha que a maioria dos homens está meio idiotizada? Sim. Eu acho que um dos grandes problemas quando você está no topo da pirâmide do privilégio social é que é muito difícil você reconhecer seus privilégios, e isso te deixa tonto. Quando você não dá um passo atrás e não tem a humildade de reconhecer que, querendo ou não, você teve muitas oportunidades e privilégios simplesmente por ser um homem, eu acho que fica idiotizado mesmo.

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Você acaba de completar 38 anos. O que você está curtindo nessa fase e o que você não está curtindo? Eu comecei a me sentir muito mais disposta para encarar a vida depois dos 30, então eu sinto que a idade tem me feito bem. Eu achava tudo muito confuso antes, não entendia muito bem o que eu estava fazendo aqui, só ia, go with the flow. E ficava meio atordoada com o simples fato de existir. Sei lá, não fazia sentido. E eu fiz uma aula de dança oriental para uma novela com a Patrícia Passo, que depois virou uma amiga, e é uma mulher que mudou a minha vida e inspira muitas coisas para mim. Ela é antropóloga, morou muito tempo no deserto com os povos viajantes e me fez encontrar muito sentido dentro de mim. E isso foi crescendo, sabe? Depois dos 30 meu processo de autoconhecimento ficou mais concreto, ou mais palpável. Antes eu achava que tudo que estava na minha cabeça era loucura, era maluquice e não fazia o menor sentido. Então acho que hoje aos 38 eu dou mais valor e aprecio mais as coisas. Eu entendo o lugar da gratidão na minha vida, estou gostando da idade.

No mundo atual o natural é todo mundo enlouquecer, estamos todos enlouquecendo e não tem escapatória. Algumas ferramentas podem atrasar esse processo. Por exemplo, acho que a psicanálise é uma ferramenta interessante para você prolongar um pouco alguma sanidade. Tem gente que gosta de correr. Tem gente que gosta de meditar, tem gente que gosta de usar substâncias psicodélicas. Que ferramentas você usa para não enlouquecer? Eu comecei a fazer terapia com 17 anos. Mas o que mais me ajudou foi ler e mergulhar em outros universos, artes de toda forma me ajudam muito. Ter uma rede de apoio também me ajuda muito, uma equipe que me entende, que acolhe o meu caos, amigos que fazem isso por mim. Mas a arte, a música, o audiovisual e os livros sempre me levam para universos nos quais eu sentia que existir não era uma questão de tempo, ou que eu iria deteriorar. 

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Você citou a música e tem feito um trabalho como cantora. Qual é a importância dessa vertente para você? Eu escrevo desde os 12, mas aos 34 eu comecei a fazer isso profissionalmente e com outras pessoas envolvidas, produtores, compositores. Eu sinto que é simplesmente uma via diferente de me expressar. É um processo de imersão, assim como quando você vai fazer um personagem, só que são coisas que estão dentro de você, e que você precisa entender como colocar para fora. E é uma ferramenta de troca muito grande também, porque acabo consumindo outras coisas que talvez não consumiria só para me entreter, ou só porque eu gosto da batida. Vou analisando como ferramenta de trabalho também. É muito enriquecedor. Se eu não pudesse viver a música talvez eu estivesse mais maluca. 

Você fez um ensaio para a Trip em 2009. Como é para você hoje a ideia de fazer um ensaio nu, sensual, de trabalhar a beleza do corpo? Você publicaria ou faria uma coisa desse tipo atualmente? Hoje eu me expresso de outras formas, mas não é que eu não me expressaria dessa. Sinto que isso foi uma cor muito forte com a qual eu pintei a minha existência durante um tempo, e que eu amo. Eu amo nudez, amo sensualidade, amo sexualidade, amo foto. Eu acho que totalmente faria, mas não é um desejo. Eu tive esse desejo e realizei ele de várias formas. Sou super a favor das pessoas e das mulheres se expressarem como elas quiserem, através de seus corpos nus ou não. Se eu tivesse esse desejo de novo eu faria com certeza. Eu sou muito fã desse ensaio. 

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A gente falou muito de autoconhecimento, e isso é uma pauta muito forte para mim. No Cleo on Demand, que é a minha plataforma de streaming no meu Instagram, lançamos uma série que se chama Reflexos. A gente tem como protagonista a Vera Fischer, é uma mulher que está passando a quarentena sozinha e de repente perde a capacidade de se ver no reflexo das coisas. Ela começa a olhar fotografias e ela não vê mais o rosto dela, ela se olha no espelho e não se vê mais. O tema é autoconhecimento. A gente tem um elenco maravilhoso, Elisa Lucinda, Clarice Niskier, Marília Gabriela, tá muito legal. Eu estou muito orgulhosa, muito grata de ter toda essa galera comigo. 

Em 2018 você fez o clipe da música Melhor que eu com o Mano Brown. O rap tem uma coisa meio marrenta e que o Mano Brown carregou durante muito tempo. Eu não imaginava que fosse ver o Mano Brown como um símbolo sexual, insinuando um romance, um sexo. Foi você que escolheu ele para contracenar contigo? O Brown para mim, e acho que para qualquer mulher, sempre foi um sex symbol. É um cara muito charmoso, canta muito bem, escreve bem pra caramba, é um poeta. Quando ele lançou o projeto dele solo, que é muito romântico, eu vi ali um galã mesmo. Para mim o clipe é mais romântico do que tórrido ou sexy. E eu comecei a ouvir rap através dos Racionais, porque os meus amigos ouviam, e eu acompanhei toda a trajetória do Brown. Sempre fui muito fã, para mim ele sempre foi um ícone, um cara que obviamente veio de um lugar muito difícil e muito machista. Mas é uma coisa maior do que ele e mesmo assim ele elevou a periferia. Tenho muitos amigos que falam que, se não tivessem ouvido Racionais, não teriam a esperança de que pudessem ser alguma coisa. Eu fiquei muito ligada no lugar dele como um artista múltiplo. E a gente se conhece há um tempão. Quando tive a ideia desse clipe, eu realmente queria um cara que não tivesse no lugar do galã romântico normalmente. Mesmo ele tendo lançado um projeto muito lindo, muito romântico, muito dançante, todo groovado, eu não via as pessoas falando dele como um galã romântico, mas na minha cabeça ele era um. Foi muito incrível ele topar estrear dessa forma no audiovisual, como ator. Para mim foi um privilégio gigantesco, eu não estava conseguindo me conter, eu estava muito feliz.

Créditos

Imagem principal: Fam Kevanhagem

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