Logo Trip

Dr Uno, enfim um médico que sabe falar sobre sexo, drogas e rock’n’roll

Uno Vulpo fala sobre drogas e prazer sem moralismo. Da Cracolândia ao tédio da rotina, ele defende redução de danos, responsabilidade e escolhas mais conscientes.

Uno Vulpo (@unovulpino), convidado do #TripFM desta sexta-feira. Médico, designer e criador da plataforma Senta (@sento.mesmo)

Uno Vulpo (@unovulpino), convidado do #TripFM desta sexta-feira. Médico, designer e criador da plataforma Senta (@sento.mesmo) / Créditos: Divulgação


em 27 de fevereiro de 2026

COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon

“O médico que fuma fala: ‘não fume’, o que usa drogas fala: ‘não use drogas’. Pra mim, essa postura de superioridade não funciona porque eu preciso que o paciente me conte a verdade sobre o que ele está passando. O meu projeto é observar as drogas sem hipocrisia”, diz Uno Vulpo, convidado do Trip FM desta sexta-feira (27). Médico, designer e criador da plataforma Senta (@sento.mesmo), ele compartilha sua trajetória de um jovem conservador a um profissional dedicado à educação sexual e à redução de danos no uso de substâncias.

LEIA TAMBÉM: Sidarta Ribeiro: sonho, memória e maconha

No papo com Paulo Lima, o mineiro falou sobre como traduz conceitos médicos complexos para tornar acessíveis temas que quase ninguém aborda abertamente, mas que todo mundo vivencia. “Esses assuntos sempre me causaram muita curiosidade na infância e na adolescência, mas eu não tinha acesso à informação. Eu fui o cara que não sabia botar uma camisinha, que não sabia como é que bolava um tabaco. Então eu pensei: vou fazer o manual disso.”

Uno Vulpo (@unovulpino), convidado do #TripFM desta sexta-feira. Médico, designer e criador da plataforma Senta (@sento.mesmo)
Uno Vulpo (@unovulpino), convidado do #TripFM desta sexta-feira. Médico, designer e criador da plataforma Senta (@sento.mesmo) / Créditos: Divulgação

LEIA TAMBÉM: LSD, MDMA e Ayahuasca com ciência podem nos curar?

Uno também refletiu sobre os desafios de ser um comunicador da área da saúde na era da desinformação e abordou a febre em torno de medicamentos como o Mounjaro. “Ele começou como tratamento para obesidade e diabetes e está virando uma droga de abuso. Ele não causa dependência química; o vício, nesse caso, é no padrão de beleza, que gera distúrbios de imagem. Após o auge de movimentos que valorizavam a diversidade de corpos, estamos voltando à mentalidade de que quanto mais magro, melhor”.

LEIA TAMBÉM: Maconha no Brasil: tudo que você precisa saber

Você pode ouvir o programa no play nesta página, no Spotify e Deezer. Confira um trechinho a seguir!

A gente vive melhor informado ou mais confuso?

Uno Vuplo. Antigamente o problema era de desinformação. Hoje em dia o nosso problema de desinformação é acesso demais. A gente tem acesso demais a informações que muitas vezes não são verídicas, que não foram checadas, que não foram estudadas. Então a gente está numa epidemia de desinformação, porque a gente tem informação demais. E agora o desafio não é buscar mais informação, mas é filtrar.

A droga do momento diz algo sobre o momento da sociedade? Nos anos 70 e 80 a cocaína é uma droga muito boa para isso, porque ela te faz ter energia para ficar a noite inteira trabalhando, fazendo networking. Ela te faz se sentir poderoso. Diferente de hoje, o mundo é hiper estimulante. O mundo já está estimulado demais, o tempo todo. Nunca nada para. Eu quero uma droga para me deprimir, no sentido de me dissociar, me desconectar dessa informação em excesso. Então, a droga do momento caminha muito junto com o que está acontecendo no mundo. Ela vai acompanhar as nossas dores.

Existe solução simples para a Cracolândia? Tem gente que usa crack de forma recreativa, tem as pessoas que se viciam em crack. São cerca de 20, 30% das pessoas que fazem uso de crack que vão se viciar de fato. A gente tem uma ampla gama de pessoas, inclusive de classe média alta. Não é um problema. São seis mil problemas.

Por que as pessoas usam droga? Não dá para julgar alguém por fazer uso de substância. Eu odeio a coisa de porta de entrada. É multifatorial. O motivo pelo qual ela decidiu usar aquela cocaína, fumar aquela maconha… Não me cabe julgar se ela está fazendo aquilo ali, porque ela está querendo melhorar, ficar mais tranquila, ficar menos ansiosa.

O que a gente ainda não entendeu sobre viver? Acho que a gente nunca chegou a progredir no sentido de entender a terminalidade da vida, entender o tédio da vida, entender que às vezes a vida é sobre rotina, que às vezes a vida é sobre fazer as mesmas coisas todos os dias para chegar no resultado final. Às vezes a coisa é uma repetição. E aí, na falha tentativa de buscar alternativas rápidas para chegar nos resultados almejados, eu vou metendo os pés pelas mãos e fazendo bobagem. Aparece um chefão nesse jogo o tempo inteiro.

Ouça o papo completo no Spotify