por Natalia Guaratto

Estudante brasileira cria absorvente interno sustentável e alerta para a pobreza menstrual no Brasil

Aluna do quarto ano de design de produto da Universidade Federal do Paraná, Rafaella de Bona Gonçalves ingressou, no ano passado, em um curso de soluções de impacto social. O trabalho de conclusão exigia que os estudantes criassem produtos de acordo com os 17 objetivos sustentáveis da ONU. Rafaella não teve dúvida ao escolher: elegeu o número 1 da lista – acabar com a pobreza em todas as formas – para nortear o conceito de um absorvente destinado a mulheres com pouco ou nenhum acesso a itens de higiene menstrual.

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Batizado de projeto Maria, o absorvente foi reconhecido, em setembro do ano passado, com o prêmio alemão iF Design Talent Award, que desde 1953 premia a criatividade e inovação de  profissionais de todo o mundo. Em 2019, Rafaella foi a única brasileira a levar o prêmio. “Queria tirar do anonimato essas mulheres que vivem em situação de rua e são invisibilizadas, por isso escolhi um nome brasileiro que acolheria todas elas”, conta Rafaella à TPM. 

O que é pobreza menstrual?

Durante a pesquisa para o projeto, Rafaella se deparou com este termo. Desde 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece que o direito das mulheres à higiene menstrual é uma questão de saúde pública mundial e de direitos humanos. Pouco debatida por conta dos tabus e estigmas que ainda cercam a menstruação na sociedade, a precariedade no acesso a produtos sanitários prejudica a saúde de milhões de mulheres e meninas no mundo todo, sobretudo em países pobres.

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É exatamente este o tema do vencedor do Oscar de melhor documentário de curta-metragem em 2019, o filme “Absorvendo o Tabu”, da diretora Rayka Zehtabchi. Nele, a pobreza menstrual é abordada ao contar a história de uma comunidade rural em Harpur, na Índia, que tem sua realidade transformada após receber uma máquina que produz absorventes biodegradáveis. Um dado alarmante foi o ponto de partida para que Rayka decidisse fazer o doc: estima-se que 3 milhões de indianas deixam de ir à escola quando estão menstruadas. 

Longe de Harpur – e bem mais perto de nós –, em Curitiba, cidade natal de Rafaella, a realidade das mulheres em situação de rua durante a menstruação também é preocupante. A estudante procurou entidades e organizações sociais e descobriu que muitas sequer possuem roupas íntimas, o que torna impossível o uso do absorvente comum, que é preso por adesivos nas calcinhas. Nos dias de fluxo, essas mulheres acabam usando retalhos de tecidos e outros materiais, como plástico, para conter o sangue. “Foi um choque saber como elas passam pelo período menstrual”, conta a estudante.

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A surpresa levou Rafaella a criar um absorvente interno destacável que vem em formato de rolo, como um papel higiênico. “A ideia veio de um vídeo que eu assisti na internet. Nele, uma mulher em situação de rua mostrava como fazer um absorvente interno a partir de um externo. Ela tirava a parte de algodão do absorvente comum, enrolava e fazia dele um absorvente interno”, explica. 

Ciente de que o produto teria que ser descartável – afinal, as mulheres em situação de rua não têm acesso a banheiros ou água limpa –, Rafaella procurou por materiais orgânicos.  “Encontrei uma empresa da Índia que está fabricando absorventes com fibra de banana e resolvi usar esse material. Já que tinha que ser descartável, também queria que fosse sustentável”, afirma Rafaella.

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Este ano, a estudante, que concluirá o curso de design de produto, pretende aprofundar as pesquisas, fabricar o primeiro protótipo do Projeto Maria e, quem sabe, começar a distribuí-lo para as mulheres da cidade. “Gosto muito dessa área de criação e acredito que a gente pode ir além do design de moda, da forma bonita, do estilo. Acredito, acima de tudo, que podemos resolver problemas da sociedade de uma forma sustentável”, conclui Rafaella. 

Créditos

Imagem principal: Creative commons

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