por Guilherme Soares Dias

Roteiros para quem quer saber mais da história e vivenciar as influências africanas no segundo maior país de população negra do mundo

Você já parou para pensar quantos lugares de cultura negra você já visitou? Ir a roteiros com influências africanas no Brasil e conhecer um pouco mais da história fazem parte da valorização da cultura negra em um país em que 54% da população se autodeclara negra e é considerado o segundo maior país de população negra do mundo, atrás apenas da Nigéria. A lista que preparamos reúne igrejas, museus, quilombos, centros culturais e espaços ligados à memória e valorização da cultura negra. Confira:

São Paulo

1. Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte

A Igreja Nossa Senhora da Boa Morte foi construída em 1728 pela Irmandade dos Homens Pardos de Nossa Senhora da Boa Morte. Nela, pela primeira vez, negros e brancos sentaram-se lado a lado em uma igreja de São Paulo. Esse nome se deve ao hábito de escravos condenados à morte no Largo da Forca (hoje conhecido como Largo da Liberdade) de entrarem na igreja para pedir uma boa morte à Nossa Senhora. Rua Tabatinguera, 301, Liberdade, São Paulo.

2. Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos foi erguida em 1906 no Largo do Paissandu e, até hoje, os trabalhos são conduzidos pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, que há mais de 300 anos luta pela preservação e resgate da cultura negra e seus direitos e construiu igrejas em diferentes cidades brasileiras. Em 1995, foi instalada ao lado da igreja a estátua da Mãe Preta, uma referência às Amas de Leite. A cada dois meses é realizada uma missa afro na qual são feitas oferendas com milho, batata doce, feijão, pipoca etc., e os cânticos entoados ao som dos atabaques. Largo do Paissandu, s/n (no início da avenida São João).

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3. Museu Afro Brasil

Inaugurado em 2004, o museu tem como intuito promover o reconhecimento, a valorização e a preservação do patrimônio cultural africano e afro-brasileiro, além da presença na cultura e na sociedade brasileira. As exposições são ancoradas em três eixos: arte, história e memória. O acervo aborda temas como religião, trabalho, arte, diáspora africana e a escravidão, registrando também a trajetória histórica e as influências africanas na construção da sociedade brasileira. Rua Pedro Álvares Cabral, s/n (portão 10) – Parque Ibirapuera. De 3ª a domingo, das 10h às 17h. Ingresso: R$ 6. Gratuito aos sábados.

Vai lá:  www.museuafrobrasil.org.br

Rio-São Paulo

4. Escolas de samba

O samba nasceu em 1917 e representa a própria identidade musical brasileira, com sua influência africana. A primeira escola surgiu uma década mais tarde. Expressão artística das comunidades afro-brasileiras da periferia do Rio de Janeiro, as escolas existem hoje em todo o Brasil e são grupos de canto, dança e ritmo que se apresentam no carnaval narrando um tema em desfile linear. Confira aqui os endereços das escolas de samba.

Vai lá: www.ligasp.com.br/liga/?page_id=3338 (São Paulo) e liesa.globo.com/ (Rio de Janeiro)

Rio de Janeiro

5. Quilombo da Rasa

Localizado à beira da praia em Búzios, a cerca de 180 km do Rio de Janeiro, o Quilombo da Rasa dá a oportunidade de conhecer de perto as tradições locais passadas por gerações e uma forma de valorizar a resistência e a preservação da memória quilombola. Cerca de 800 famílias vivem no local, que ainda guarda o clima de comunidade com canoas paradas à beira da praia, de frente para o quintal das casas. Uma associação de moradores realiza atividades de formação e mobilizações para a preservação da memória local, ameaçada pelo amplo processo de expansão imobiliária da região. Em Búzios, existe também um Museu a Céu Aberto, com monumentos em referência a locais de desembarque de africanos escravizados na região.

Vai lá: www.facebook.com/quilombodarasa/.

6. Quilombo Campinho

Em Paraty (RJ), fica o Quilombo Campinho da Independência. Na comunidade quilombola, é possível se hospedar, comer no restaurante local ou comprar artesantos. O roteiro inclui ainda contação de história com Griôs (responsável por repassar a história oral da comunidade), visita aos núcleos familiares, casa de farinha, viveiro agroflorestal e casa de artesanato. A região imersa na Mata Atlântica é composta por cachoeiras, cultural tradicional e tranquilidade.

Vai lá: quilombocampinhodaindependencia.blogspot.com.br/. Fica entre Ubatuba e Paraty, no quilometro 584.

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7. Cais do Valongo e da Imperatriz/Instituto Pesquisa e Memória Pretos Novos

O Cais do Valongo, hoje um museu a céu aberto, foi construído para esvaziamento do comércio de escravos da antiga rua Direita (atual rua Primeiro de Março), onde estava o Paço Imperial, sede do governo português. As obras do projeto Porto Maravilha desencavaram acidentalmente as fundações deste cais. Já o Cais da Imperatriz, foi construído por cima do Cais do Valongo, em 1843, para receber a futura esposa de Dom Pedro II, a Rainha Teresa Cristina. A ideia de construir um cais sobre o outro foi de justamente anular a triste memória, pois o tráfico de escravos já era um comércio condenado. Em 1911, o Cais da Imperatriz foi aterrado, dando lugar à Praça do Comércio. Ainda no centro do Rio, funciona o Instituto Pesquisa e Memória Pretos Novos, duas casas do século 19, nas quais mantém o Museu Memorial e um espaço cultural (Galeria de Arte Pretos Novos), eventos, seminários, oficinas e palestras relativos ao tema. Em 1996, um casal descobriu, embaixo de sua casa um antigo cemitério. Tratava-se de corpos dos “pretos novos”, como eram chamados os escravos que chegavam mortos ao Brasil ou morriam logo depois do desembarque. Calcula-se extraoficialmente que foram 20 a 30 mil pessoas, entre os anos de 1779 e 1830, uma taxa bem mais alta do que os dados oficiais. Fica na rua Pedro Ernesto, 32 e 34 – Gamboa.

Vai lá: www.pretosnovos.com.br/.

8. Centro Cultural José Bonifácio/ Centro de Referência da Cultura Afro-Brasileira

Outro prédio ligado a história negra é o Centro Cultural José Bonifácio. Ele foi autor do primeiro texto abolicionista do Brasil (1823). O prédio onde funciona o centro cultural tem estilo renascentista e foi encomendado por D. Pedro II para receber uma das primeiras escolas públicas do Rio (inaugurada em 1877). Por lá, funciona o Centro de Referência da Cultura Afro-Brasileira, com exposições, espetáculos e cursos, dispondo de biblioteca especializada (somente para consulta) e mais de 750 títulos. Fica na rua Pedro Ernesto, 80 – Gamboa.

Vai lá: mapadecultura.rj.gov.br/manchete/centro-cultural-jose-bonifacio

9. Roda de Samba da Pedra do Sal

O lugar é cenário de uma das mais tradicionais rodas de samba da cidade. No século 17, quando as águas do mar alcançavam a base da pedra, o sal comprado pela colônia de Portugal era descarregado nesse local pelos escravos. Degraus foram esculpidos para facilitar a subida na pedra lisa. No século 18, foi construído, bem próximo, o Armazém do Sal. Posteriormente, as chamadas Casas de Zumbu acolhiam os negros alforriados que vinham de outras regiões do país e também se reuniam para compartilhar, jogar capoeira, tocar e dançar jongo. No século 20, a Pedra do Sal seria o principal ponto de encontro de grandes músicos e compositores, como Donga, João da Baiana, Pixinguinha e Heitor dos Prazeres. Foi tombada, em 1984, e ainda hoje abriga a Comunidade Remanescente de Quilombos da Pedra do Sal (composta por gerações descendentes de escravos africanos). Fica no Largo da Baiana (Ao fim da rua Argemiro Bulcão, esquina com Sacadura Cabral) – Bairro da Saúde (aos pés do Morro da Conceição). O samba é de graça e atualmente ocorre sextas a partir das 18h

Vai lá: www.facebook.com/rodadesambapedradosal

Alagoas

10. União dos Palmares (AL)

A Serra da Barriga, em União dos Palmares, abrigou o maior quilombo brasileiro, liderado por Zumbi dos Palmares, principal representante da resistência negra à escravidão. O Quilombo dos Palmares foi uma comunidade livre, formada por escravos fugitivos dos engenhos, índios e brancos pobres expulsos das fazendas, que chegou a ter uma população local de 30 mil pessoas, agrupadas em 11 povoados. Atualmente, o Parque Memorial Quilombo dos Palmares é um atrativo turístico. O local recria o ambiente da antiga República dos Palmares e berço da resistência negra. O quilombo é tombado como patrimônio histórico e recebe visitas. Fica a cerca de 80 quilômetros de Maceió.

Vai lá: serradabarriga.palmares.gov.br

Bahia

11. Pelourinho

O bairro é considerado Patrimônio Cultural da Humanidade e guarda vestígios da época em que a cidade foi a 1ª capital da colônia. A população local é majoritariamente negra. O Largo do Pelourinho e suas redondezas abriga um grande número de casarões e igrejas dos séculos 17 e 18. Entre elas, a igreja mais conhecida de Salvador, a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, de arquitetura barroca. Há um grande número de museus, centros culturais, restaurantes e ensaios de bandas de percussão pelas ruas do bairro. Já o Museu Afro-Brasileiro, localizado no Pelourinho, mostra a história da colonização e imigração africana. Fica no Largo Terreiro de Jesus, s/n - Centro Histórico. A entrada custa R$ 6. O pelourinho era um instrumento de punição legal utilizado pelos portugueses em todas as cidades do Brasil. Era um poste de madeira ou de pedra, com argolas de ferro, erguido em praça pública, onde os infratores da lei eram amarrados e chicoteados. O pelourinho de Salvador foi instalado no século 16, com a fundação da cidade. Ligado ao Pelourinho pelo Elevador Lacerda, o Mercado Modelo abriga em seu porão uma antiga senzala.

Vai lá: www.mafro.ceao.ufba.br 

12. Blocos afro

O batuque dos tambores, o colorido das fantasias, a dança e a alegria contagiante são as marcas dos blocos afro que alegram o carnaval de Salvador. Em 1974, no Bairro da Liberdade, dois amigos decidiram criar uma agremiação carnavalesca formada só de negros. Nascia o Ilê Aiyê, que foi seguido do Malê Debalê, Olodum, Muzenza, Cortejo Afro, Afro Bankoma, Didá, entre outros. Nas músicas, os blocos falam sobre a valorização da cultura negra e a luta contra o preconceito. O ritmo fica por conta dos instrumentos de percussão: atabaque, surdo, repique, timbau e tarol. Além do carnaval, é possível visitar ensaios realizados pelos blocos durante boa parte do ano.

Vai lá: www.ileaiyeoficial.com/ | www.olodum.com.br | www.facebook.com/BlocoMaleDebale/ | muzenza.com.br/site/ |www.cortejoafro.com.br/ | www.facebook.com/afrobankomaoficial/ | www.facebook.com/bandadida

13. Forte da Capoeira

Expressão cultural genuína do Brasil, surgiu como resistência à escravidão e conquistou o título de patrimônio imaterial da humanidade. Ao misturar arte marcial, esporte e música popular, a capoeira tem adeptos no país e no exterior. Em todas as cidades brasileiras há escolas e muitas delas abrem espaços para viajantes conhecerem a técnica. Em Salvador, o Forte da Capoeira (Forte de Santo Antônio Além do Carmo), situado entre o Pelourinho e o bairro Barbalho recebe aulas de capoeira, palestras, seminários, exibição de filmes, entre outros eventos culturais. Duas escolas de Capoeira se mantêm funcionando até hoje: o Centro Esportivo de Capoeira Angola, do Mestre João Pequeno de Pastinha e o Grupo de Capoeira Angola Pelourinho, do Mestre Moraes. O local também abriga a Biblioteca Luiz Gama, aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h. Além do acervo, o espaço dispõe de sala de leitura e videoteca. Fica na Praça Barão do Triunfo s/n – Largo de Santo Antônio.

14. Terreiros de Candomblé

Religião brasileira de matriz africana resiste no país, geralmente, nas periferias das cidades. Em Salvador, são 1.165 terreiros cadastrados, de acordo com o Centro de Estudos Afro-Orientais, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que podem ser consultados aqui. Entre as orientações para quem visita uma casa pela primeira vez, está não usar roupas escuras, evitar roupas curtas e uso de álcool. No caso de grupos de turistas é recomendável avisar antes a liderança religiosa. No Rio e em São Paulo, há também tradicionais casas que recebem visitantes.

15. Cachoeira

Localizada no Recôncavo baiano e cortada pelo Rio Paraguaçu, a cidade de Cachoeira fica a 130 km de Salvador e tem uma população majoritariamente afrodescendente. Por lá, os rituais católicos se misturam com os preceitos do candomblé. Com um conjunto de casario barroco do século 18, a cidade é tombada pelo patrimônio histórico. Cachoeira abriga apresentações de samba de roda e a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, uma confraria formada por mulheres negras, com mais de 50 anos de idade. Na culinária, as heranças da África também estão presentes: a feijoada, o caruru, vatapá, acarajé, abará e diversos tipos de moquecas.

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Rio Grande do Sul

16. Museu Percurso do Negro, em Porto Alegre

Busca dar visibilidade à presença da comunidade afro-brasileira em Porto Alegre. O Museu Percurso do Negro é um “Ponto de Memória” e forma-se a partir de um percurso pela área central da capital gaúcha. Pelo caminho, estão de obras de arte, que simbolizam a contribuição da comunidade afro na construção da cidade. Entre os elementos visitados estão: o Bará no mercado Público (simboliza os caminhos que se cruzam. A ligação entre o passado e o presente); o painel afro-brasileiro, no Cais do Porto e antigo Ancoradouro (representa as ligações ao mundo); a pegada africana, no Largo da Quitanda (Praça da Alfândega), representa a contribuição da cultura afro para o Brasil; entre outros.

Vai lá: museudepercursodonegroemportoalegre.blogspot.com.br 

Maranhão

17. Centro de Cultura Domingos Vieira Filho

Fica no centro histórico de São Luís e é dedicado à cultura maranhense. Estão representadas as principais danças e manifestações religiosas, como bumba-meu-boi, tambor de crioula, tambor de taboca, dança do lelê, tambaê de caixa, cacuriá, dança do coco, carnaval e careta-reisado da cidade de Caxias. As religiosidades presentes são o Tambor de Mina, a Festa do Divino Espírito Santo, ex-votos, santos, presépios e religiões afrobrasileiras. O museu, instalado num enorme casarão colonial, é uma mostra de roupas, adereços e objetos. Fica na rua do Giz, 221, centro. Funciona de terça a domingo, 9h às 18h. A visita guiada custa R$ 2.

18. Cafuá das Mercês

Localizado no centro histórico da capital maranhense, o prédio fica em frente ao convento. Era um antigo mercado de escravos. Hoje virou o Museu do Negro com exibição de vestimentas de grupos africanos, obras de arte e objetos da época da escravidão, como instrumentos de tortura. Contudo, apresenta poucas referências à história do negro no Maranhão. Entrada: R$ 2. R. Jacinto Maia, 43 (Centro Histórico).

Vai lá: www.cultura.ma.gov.br/portal/mham/index.php?page=mcafuam

Pernambuco 

19. Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos

Em Recife, o centro histórico está repleto de locais e monumentos que referenciam a cultura negra. A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, na rua Estreita do Rosário, s/n, é responsável por um dos momentos mais icônicos do carnaval: a noite dos tambores silenciosos, uma cerimônia de origem africana que reúne nações de maracatus de baque-virado para louvar a Virgem do Rosário, padroeira dos negros, e reverenciar os ancestrais africanos, que sofreram durante a escravização no Brasil Colonial. Ainda pelas ruas antigas, estão o Monumento do Maracatu e de Zumbi dos Palmares.

20. Museu de Artes Afro-Brasil Rolando Toro

O Museu de Artes Afro-Brasil Rolando Toro exibe mostra de artes e grafite. O acervo permanente conta com 70 peças, que foram cedidas pelo antropólogo chileno Rolando Toro, responsável pela criação do “Sistema Biodança” nos anos 60. Ele colecionou ao longo dos anos, esculturas oriundas de vários lugares da África. O museu também promove encontros, debates, saraus poéticos, aulas e oficinas de dança. No espaço, há também um hostel, atelier de arte, teatro e espaços para locação. Fica na rua Mariz e Barros, 328, no Bairro do Recife, e a entrada custa R$ 3.

21. Museu da Abolição

Tem como missão valorizar e difundir a memória, os valores históricos, artísticos e culturais, o patrimônio material e imaterial dos afro-descendentes, por meio de estímulo à reflexão e ao pensamento crítico, sobretudo em relação a abolição. É uma homenagem aos abolicionistas pernambucanos João Alfredo e Joaquim Nabuco e recebe exposição das peças, acervo bibliográfico, hemerográfico, fotográfico e documental, além de mostras temporárias. Fica na rua Benfica, 1150, Madalena, Recife.

Vai lá: museudaabolicao.museus.gov.br/

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22. Paço do Frevo

Instalado no Bairro do Recife, o Paço do Frevo é um espaço dedicado à difusão, pesquisa, lazer e formação nas áreas da dança e música do frevo. O local é uma oportunidade de mergulhar em um vasto universo de personalidades, histórias, memórias e experimentar o carnaval pernambucano durante o ano todo. O ritmo tem origem em Pernambuco e baseia-se na fusão de gêneros como marcha, maxixe, dobrado e polca, e sua dança foi influenciada pela capoeira. O Paço do Frevo fica na Praça do Arsenal da Marinha, s/nº.

Vai lá: www.pacodofrevo.org.br/ 

Distrito Federal

23. Praça dos Orixás

Em Brasília, às margens do Lago Paranoá, a Praça dos Orixás, conhecida como Prainha, ponto de referência da cultura negra, abriga 16 estátuas de divindades afro-brasileiras, criadas pelo artista baiano Tatti Moreno e são réplicas das esculturas instaladas no Dique do Tororó, em Salvador. O local é palco celebração de rituais, inclusive na noite de Ano Novo e também um marco de resistência, uma vez que já foi alvo da intolerância religiosa, quando pessoas depredaram e atearam fogo nas estátuas. Fica na St. de Clubes Esportivos Sul Trecho 2, s/n.

Paraná

24. Memorial Africano/Água pro morro

Localizado no Pinheirinho, o Memorial Africano foi inaugurado em 2010 na Praça Zumbi dos Palmares. É ponto de reunião e de ações culturais da juventude negra de Curitiba. A praça ganhou um grande portal na entrada principal com 54 colunas representando cada um dos países do continente. Quadradas, as colunas de quatro metros de altura levam o nome do País, bandeira e a localização no continente. As descrições e desenhos são feitos em azulejos. Fica na rua Eloi Orestes Zeglin, Pinheirinho, Curitiba. Já a escultura “Água pro morro” criada pelo curitibano Erbo Stenzel retrata Anita, modelo do artista. Foi pensada para representar uma jovem negra carregando uma lata d’água para o morro. Fica na Praça Generoso Marques, atrás do Pelourinho, no centro de Curitiba.

Pará 

25. Espaço Cultural Coisas de Negro

Em Belém, um espaço de resistência da cultura negra funciona no distrito de Icoaraci. O Espaço Cultural Coisas de Negro abriga uma das principais rodas de carimbó do Pará todos os domingos à tarde. O ritmo é um samba paraense de raiz com influências indígenas e africanas. As rodas contam com instrumentos tradicionais e dançarinos natos que contagiam os visitantes. Av. Dr. Lopo de Castro, 1082, Belém.

Minas Gerais

26. Centro Cultural Casa África

Com sede em Belo Horizonte, o Centro Cultural Casa África (CCCA) foi idealizado pelo Cônsul Honorário do Senegal Ibrahima Gaye. A Casa África, como ficou conhecida, é um centro de referência da cultura africana. Funciona como espaço de comunhão dos povos e de descobrimento mútuo das culturas. Por lá, é possível ver a decoração com máscaras africanas trazidas do Senegal e objetos que lembram o continente. Fica na rua 28 de Setembro, 476 – Esplanada. No local também funciona o Baobar, restaurante que disponibiliza sabores, cores e sons da África.

Vai lá: pt-br.facebook.com/casaafricabr?sk=info  

27. Casa dos Contos de Ouro Preto

Um pouco da história dos escravos e do dinheiro produzido pelo garimpo no século 18 foi preservado na Casa dos Contos de Ouro Preto. Construída por uma espécie de banqueiro da época, virou sede da administração e contabilidade pública e foi restaurada nos anos 80. A senzala, que hoje tem um piso pé-de-moleque original, em sua maior extensão, estava recoberta por cerca de 40 centímetros de terra batida, e ao pesquisá-la, apareceram vários cadinhos jogados. Fica num casarão construído entre 1782 a 1787 na rua São José, 12, Centro, Ouro Preto.

Vai lá: www.ouropreto.com.br/atrativos/culturais-2/culturais/museu-casa-dos-contos

Mato Grosso

28. Igreja de Nossa Senhora do Rosário

A Igreja Nossa Senhora do Rosário foi construída pelos escravos no século 18. Chamados de 'Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de Cuiabá', a construção tem no interior um material da época, chamado de taipa de pilão. A santa era padroeira dos escravos e a maior parte dos primeiros frequentadores da igreja eram os negros que estavam à margem da sociedade. Anexada à igreja está a capela em homenagem a São Benedito. A construção do monumento começou em 1725 e foi concluída cinco anos depois. Localizada no Campo do Arnesto, Prainha, Cuiabá.

Mato Grosso Sul

29. Comunidade Tia Eva/Igreja de São Benedito

A comunidade negra Tia Eva é remanescente de quilombo e existe pelo menos desde 1905 em Campo Grande. Hoje, se transformou em um bairro da capital sul-matogrossense. A maior parte dos moradores são descendentes da Tia Eva, Eva Maria de Jesus, escrava que nasceu em Minas Gerais e decidiu ir para o então Mato Grosso com suas três filhas: Joana, Lázara e Sebastiana. Chegando em Campo Grande, trabalhou como lavadeira, parteira, cozinheira, curandeira e benzedeira. Eva sabia ler e escrever e se tornou uma referência na comunidade. Devota de São Benedito, ela fez uma promessa ao padroeiro para que curasse uma ferida que tinha na perna. Com isso, construiu em 1910 uma igreja de pau a pique e depois de alvenaria. Ela renovou a promessa: organizaria uma festa para o santo todos os anos. Uma das histórias orais contadas pelos descendentes diz que Eva teria chegado à região primeiro que o mineiro José Antônio Pereira de Souza, considerado fundador da cidade. Como não há registros ou documentos, a história nunca foi comprovada. A igreja fica na rua Eva Maria de Jesus, s/n, Vila São Benedito.

30. Furnas do Dionísio

A 40 quilômetros de Campo Grande, fica outra comunidade quilombola que recebe visitas: Furnas do Dionísio. Por lá, é possível fazer trilhas por morros, entrar em cachoeiras e experimentar comidas típicas. Além do turismo, as famílias que vivem no local produzem rapadura, melado de cana, açúcar mascavo, farinha de mandioca, doces e compotas de frutas. A comunidade foi fundada em 1901, por Dionísio Antônio Vieira, ex-escravo oriundo de Minas Gerais. O acesso é pela MS-010 a 45 quilômetros de Campo Grande – no município de Jaraguari (MS).

Créditos

Imagem principal: Marcio Ferreria / Divulgação

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