Milena Hot faz filmes eróticos com anônimos que levam a única cópia do trabalho para casa

A atriz erótica mais famosa da Argentina, Milena Hot, faz filmes com anônimos como você – e eles levam a única cópia do trabalho para casa

Pra fazer um filme pornô com Milena, o cara não precisa ter um grande talento. Nem manter a performance por muito tempo. Nem estar em boa forma ou ser jovem. Pode estar sozinho, acompanhado da mulher ou de uma porção de amigos. Inventa seu próprio roteiro e escolhe as posições sexuais preferidas. E não precisará submeter seu desempenho ao julgamento de ninguém: a única cópia do filme será entregue em suas mãos. Terá, isso sim, que desembolsar entre 5 e 7 mil pesos (R$ 2 a 3 mil) e respeitar as regras do diretor Ruben Danilo, que é também o câmera e marido da atriz principal: usar camisinha e não maltratar ou desrespeitar sua mulher – ele diz que “gosta de sexo forte”, mas é contra filmes eróticos em que as atrizes são xingadas ou subjugadas.

Em troca, o amador irá contracenar com a atriz pornô mais famosa da Argentina. Milena Hot é seu nome artístico. Aos 32 anos, ela acumula mais de 250 filmes na carreira, alguns rodados na Espanha e nos Estados Unidos, e 11 prêmios de melhor atriz erótica da América Latina, concedidos pelo Erotic Game USA, uma das maiores premiações do pornô mundial. Milena contracenou com o italiano Rocco Sifredi, lenda viva do pornô, e em 2006 foi recordista latina de gang bang, ao dividir a cena com 25 outros homens em um filme sem cortes, Las Fantasias de Milena. Uma vez por mês, repete a performance com os clientes da casa de swing Sótano, no bairro de Flores, em Buenos Aires. É chegar e participar.

Em sua passagem pela Espanha, inspirada em atrizes europeias, Milena começou a vender o pornô particular. “É uma prestação de serviço, uma forma de oferecer um gostinho do cinema erótico para amadores, e, por isso, cobro muito menos do que para fazer um filme profissional”, diz. “Mas na Argentina a mídia chamou de ‘pornô delivery’, confundindo com prostituição.” Mesmo reclamando ser mal compreendida, Milena comemora a marca de cem filmes privados nos cinco anos em que já oferece o pacote em Buenos Aires.

Como se fosse Moulin Rouge
Metade deles foi feito com casais, e a outra metade está dividida entre homens (sós ou em grupo) e uma minoria de mulheres sozinhas de meia-idade. Em geral, Milena e o marido discutem antes a ideia com os interessados, providenciam eventuais fantasias e a locação – a preferida de Milena é um motel na província de Buenos Aires que aceita swingers.

O filme é feito em até três horas, com diálogos improvisados e cenas de sexo, com a única presença extra do diretor/ câmera. Danilo apaga e refaz as cenas que ficam ruins no ato e entrega a fita diretamente para o cliente, sem edição. Milena cede os direitos autorais, de forma que o ator amador possa exibir seu filme quando quiser ou até comercializá-lo – coisa que até agora, até onde se sabe, não aconteceu.

O diretor-marido Danilo diz que, para sua estreia cinematográfica, os homens costumam pedir sexo anal. 
“A maioria exige desde a primeira conversa, o que me faz pensar que as mulheres por aí não andam dando a bunda pros maridos.” Também querem ejacular sobre o rosto ou nos enormes seios siliconados de Milena. Nem todos conseguem fazer tudo o que querem. “Os homens custam muito mais para ‘funcionar’ que as mulheres”, conta o diretor. “Muitos ficam com vergonha, têm problemas de ereção. Já tivemos de terminar o filme nos conformando só com sexo oral.”

Cristina, 55 anos [nome fictício], foi atriz pornô por um dia com seu marido, ano passado. Por dois dias, na realidade: gostaram tanto que repetiram a experiência. Ela diz que soube do serviço pelo site de Milena. Brincou com o marido sobre a possibilidade e acabaram decidindo tentar. Foi sua primeira experiência com uma mulher e a primeira vez em que ela e o marido tiveram relações sexuais com uma terceira pessoa. Cristina quis se fantasiar de Moulin Rouge, com roupas de cabaré, e pediu o mesmo a Milena. No filme, seu marido chega vestido de terno e tenta convencer as duas garotas – que atuam como se já tivessem tido experiências sexuais juntas – a transarem com ele.

Milena diz que nos filmes com casal é vital sempre deixar que a esposa comande: “Primeiro converso com ela, depois a excito a tal ponto que ela chama o marido para participar. Mas é a esposa quem conduz toda a filmagem: fazemos sempre o que ela quer e na hora em que ela quer, assim ela fica confortável e não sente ciúmes”.

“Milena fez com que me sentisse muito tranquila”, conta Cristina. “E pra mim foi como uma terapia de casal: ela faz as coisas parecerem tão fáceis, te incita tanto a dar prazer ao outro, que muitas coisas que antes eram tabu e você negava deixam de ser. Sexo anal, por exemplo. Você descobre coisas novas sobre seu parceiro que nem imaginava.”

Os filmes de Cristina com o marido, ambos com pouco mais de uma hora de duração, foram vistos por pouquíssimas pessoas. “Não quis nem editá-lo e prefiro que ninguém toque neles”, diz. “É uma coisa só nossa.”

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