A volta para casa de Jaloo

por Douglas Vieira

Diálogos culturais: conversamos com o cantor paraense sobre a importância de termos festivais de grande porte no eixo norte-nordeste

Jaloo nasceu em Castanhal, no Pará, mas começou sua carreira e se tornou conhecido na cena indie do sudeste, partindo de São Paulo, onde mora há oito anos, desde antes de se tornar conhecido por sua carreira artística. Mas a distância não o desconecta de suas raízes e a volta à terra natal, para ele, é sempre carregada de significados.

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No lugar do repertório de seus dois álbuns —  #1, de 2015, e ft (part. 1), de 2019 —, o cantor apresentou músicas inéditas que fez na companhia do duo belenense Strobo, formado pelos produtores Leo Chermont na guitarra e Arthur Kunz na bateria. Juntos, eles são Os Amantes, cuja primeira apresentação se deu durante a 14ª edição do festival Se Rasgum, em Belém. 

Foi lá, pouco antes de subir no palco, que Jaloo bateu um papo com a Trip sobre a importância de inverter a lógica do público de se concentrar nos grandes eventos musicais do eixo Rio-São Paulo para descobrir uma nova realidade em festivais do eixo norte-nordeste. 

Trip. Qual a importância de ter um festival desse porte, com artistas pop de vários lugares do Brasil, no Pará?

Jaloo. Posso começar dizendo que as pessoas que trabalham comigo, a Júlia, que é de Brasília, e o Alan, que é de São Paulo, por exemplo, quando eles vêm ao Pará, eles entendem algo muito surpreendentemente lindo e maravilhoso, e querem voltar. A gente sempre quer se lançar pro sudeste, pra se divertir, pra ver qual é o barato lá, mas aqui tem muita coisa boa. Fico muito triste de não poder vivenciar as coisas que me fazem bem desse estado, ao mesmo tempo que sinto que tenho essa necessidade de viver em São Paulo, de expandir meu trabalho. Sou uma das pessoas que mais almeja que essa utopia se torne realidade, de a gente olhar para essas regiões que são tão ricas e que eu imagino muito que serão o futuro. Com esperança, eu olho para o futuro. 

O que uma pessoa vê de você em um show em outro lugar, no sudeste, por exemplo, é igual ao que essa pessoa veria de você em um show  aqui no Pará? Não, de jeito nenhum, pelo amor de Deus. Aqui tem essa questão de origem, de raiz. Claro que a gente tenta trazer um pouco de lá pra cá e levar um pouco daqui pra lá. Mas é desde o clima, essa umidade maluca que faz todo mundo suar, mas que dá o melhor barato de cerveja... Esse clima e uma cerveja é tudo pra mim. Mas tem essas coisas que a gente não consegue levar, que é físico, que é orgânico, sabe? É além da mente. A gente leva uma ideia mental das coisas, mas a vivência mesmo você precisa estar aqui para ter.

Tocar em Belém, para você, tem qual significado? O Se Rasgum tem muita história para mim. Eu toquei aqui em 2013 e, depois disso, eu trilhei toda a minha trajetória até lançar o primeiro disco em 2015. Lancei agora em 2019 um outro, fiz um monte de shows, até do outro lado do mundo. Vivi algo muito valioso para a minha vida e agora eu estou voltando com essa bagagem.

Sua música faz mais sentido aqui? Eu não posso pensar dessa forma, ou eu não vou me lançar e vivenciar minha música em outros lugares. A música tem isso, é algo que eu nem sou dono, não me pertence. Mas o que eu quero dizer é que mostrar a minha música aqui, comigo confortável, úmido e feliz, é algo especial para mim.

Por que as pessoas precisam vir para cá, para além da música? Eu acho que elas precisam vir sentir outra realidade no tato, no olfato... Se você é de outro estado, saiba que aqui no norte do Brasil você vai encontrar muito calor, muita hospitalidade, uma culinária incrível e uma música melhor ainda. E, além disso, vai valorizar algo que é desconhecido, que o entendimento está se fazendo. Vir para um festival aqui é trilhar um caminho novo, é não fazer o mesmo jogo, né? Um jogo que está sendo feito do mesmo jeito há tantos anos. É importante. Vamos inverter as coisas!

Créditos

Imagem principal: Bruno Carachesti

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