INFERNO NO PARAÍSO
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
O Taiti está entre os lugares mais cobiçados pelos turistas de todo o mundo. Sem contar com o alto custo que os visitantes têm que encarar, suas praias, montanhas, folclore e o povo – gordo e colorido – são muito atraentes. Para os surfistas, respeitável contingente de viajantes pelo globo, além do preço da Coca-Cola, há outro motivo de preocupação: as rasas e traiçoeiras bancadas de coral onde quebram as ondas.
Diferentemente da Indonésia ou Havaí, o fundo nas principais ondas taitianas cresce abruptamente. O resultado são ondas pesadas quebrando sobre uma fina camada de água.
Teahupoo, a onda em que o cenário descrito acima é mais característico, foi palco da terceira etapa do WCT 2000. A prova começou sob o luto taitiano devido à morte do surfista local Briece Taerea, há um mês.
Enquanto treinava para a seletiva da prova, vencida por Vetea David, Briece foi arremessado sobre os corais. Seu parceiro de treino, Manoa Drollet, ao resgatá-lo na arrebentação ficou tão assustado com seu estado que a primeira reação foi soltá-lo. Manoa e três havaianos que estavam no mar ainda conseguiram recuperar a respiração de Briece, que morreu horas depois.
Sob esse clima, teve início o Gotcha Tahiti Pro. A expectativa da entrada de swell gigante só fazia aumentar a ansiedade geral.
O campeonato teve início na terça-feira da semana passada, e logo em sua primeira bateria o brasileiro Neco Padaratz viveu o maior sufoco de sua vida. Não fosse seu capacete verde limão, que ajudou a localizá-lo para o resgate, Neco teria se afogado preso numa caverna dos recifes.
No dia seguinte o mar baixou e foi a vez das mulheres. A bicampeã mundial Layne Beachley, que havia cancelado sua participação por temer as condições de Teahupoo, voltou atrás devido ao mal resultado na segunda etapa na Austrália. Ficou em nono e garantiu a liderança no ranking. A havaiana Keala Kennelly, bastante machucada devido a uma queda de costas nos corais na semi-final, se recuperou e derrotou a vice-campeã mundial Serena Brooke na bateria decisiva. A vitória no Gallaz Womens Pro, a primeira de Keala no WCT, a levou ao terceiro lugar no ranking, posto antes ocupado pela brasileira Tita Tavares, agora em quarto.
Na sexta e sábado a prova ficou interrompida devido à chuva e ao vento. No domingo houve a repescagem masculina. Com ondas de até 12 pés, mais show de horror. W. O. do contundido Russel Winter enquanto Andy Irons que havia feito a melhor média da primeira fase – 26,55′ – e também do campeonato, amargava uma permanência no hospital para cuidar de suas feridas infeccionadas. Destaque nesta fase para Fábio Gouveia, que venceu Victor Ribas e conquistou sua primeira nota dez em doze anos de Tour.
O mar voltou a baixar e o campeonato terminou na terça-feira, em ondas de cinco pés. Teco Padaratz, Guilherme Herdy e Yuri Sodré foram os melhores brasileiros, terminando em nono. O resultado manteve Teco, agora isolado, na terceira posição do ranking.
Kelly Slater repetiu a semifinal da última prova que disputou no WCT, o Pipe Masters, e novamente despachou Mark Occhilupo. Shane Dorian passou pela outra semi, mas não por Slater na final. O hexacapeão mundial mostrou que continua afiado como os corais de Teahupoo e se torna o convidado mais vencedor que se tem notícia. Emocionado, dedicou a vitória a Taerea.
NOTAS:
A elite do surfe
Está confirmado, entre os dias 1 e 20 de junho, o OP Pro Boat Challenge. O evento vai reunir os doze melhores surfistas do mundo, seis homens e seis mulheres, na Ilha de Mentawai, Sumatra. Será entregue o maior prêmio individual da história do surfe profissional: US$ 65 mil para o masculino e US$ 37 mil para o feminino.
BIG TRIP
Sobre o texto da semana anterior, duas observações de leitores. Faltou o crédito do autor da imagem vencedora, Curt Myers. E Taiu, um dos dois entre os nove juízes do concurso, que votou na onda de Carlos Burle. Segundo colocado, sugere a inclusão de mais big riders na bancada de julgamento.
Skate
O skatista paranaense Rodil de Araújo, o Ferrugem, ganhou o Drop Dead Skateboard Pro 2000, primeira etapa do Circuito Brasileiro Profissional, na modalidade street. Ele venceu o atual campeão brasileiro, Daniel Vieira, e embolsou R$ 2,5 mil, dos R$ 8 mil que foram distribuídos aos dez melhores da etapa.
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