por Luiz Guedes
Trip #203

Os clássicos ônibus escolares amarelos dos EUA que fazem a cabeça dos brasileiros

Boa parte da frota dos ônibus escolares americanos usados acaba parando em países da América Latina, onde entram no transporte público comum – até mesmo Cuba, apesar do embargo, importa-os via Canadá

A familiaridade com que olhamos para um ônibus escolar amarelo é mais uma prova do quanto a cultura norte-americana está enraizada em nosso cotidiano. Afinal, quem não se acostumou com a imagem dos tradicionais school buses em filmes, seriados e até desenhos animados? O curioso é que o clássico ônibus escolar americano na verdade não é americano. Sua origem remonta ao ano de 1827, quando o inglês George Shilibber construiu a primeira carroceria – ainda puxada por cavalos – com capacidade para até 25 crianças, destinada ao transporte de alunos da Quaker School, em Londres.

Mas foi nos Estados Unidos e também no Canadá que esse veículo acabou especialmente difundido, a tal ponto que seu uso no transporte escolar passou a ser obrigatório já na década de 30. Existe até mesmo uma legislação específica para a sua construção e utilização. A exclusiva tonalidade, batizada oficialmente como “national school bus chrome yellow”, por exemplo, é obrigatória por lei para fins de maior visibilidade e segurança – sendo proibido que um ônibus não escolar a utilize em mais de 50% da carroceria. Disponíveis em versões com capacidade de 59 a 90 passageiros, são produzidos por diversas empresas (apesar do visual semelhante), assim como os motores, normalmente V8 ou V6.

Outra curiosidade é o prazo de validade. Após 150 mil milhas (cerca de 240 mil km) ou dez anos de serviço, os ônibus escolares obrigatoriamente são aposentados e vendidos a preço de banana em leilões. Quando novos, chegam a custar de US$ 65 mil a US$ 100 mil. Mas não é raro encontrar modelos usados leiloados a míseros US$ 500...

A desvalorização é tanta que alguns estados americanos preferem doar seus ônibus usados em vez de vendê-los. E boa parte dessa frota acaba parando em países da América Latina, onde são pintados de outras cores e passam a atuar no transporte público comum – até mesmo Cuba, apesar do embargo norte-americano, acaba importando-os via Canadá.

Peça de Coleção

No Brasil, ao contrário de países como Bolívia, Peru, Panamá e Guatemala, a quantidade dos tradicionais school buses ainda é maior na tela da televisão do que nas ruas das cidades. Na verdade, por aqui a sua presença é tão rara que acabou se tornando peça de coleção. “E são valorizados, chegando a valer até R$ 100 mil”, conta o designer Rogério Luna, 41 anos, representante da Associação Clube do Carro Antigo, detentora de um exemplar 1986 (foto). “Além de um clube para admiradores de veículos clássicos, atuamos como ONG, desenvolvendo projetos sociais e culturais. E utilizamos o ônibus para levar exposições e atividades itinerantes a locais carentes”, explica ele.

Créditos

Imagem principal: Sérgio Flores

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