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BRASIL COM ‘S’

Surf brasileiro começa a ser reconhecido por estrangeiros

em 21 de setembro de 2005

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Foram necessários muitos mata-leão entre outros golpes de jiu-jitsu, até que os brasileiros que freqüentam ou que moram no Havaí, EUA, conquistassem respeito dentro e fora d’água. No cenário mundial do surfe competição, também foi à força, de manobras e resultados, que ocupamos nosso espaço.
Na mídia especializada internacional, mais especialmente a de língua inglesa, apesar dos títulos mundiais amadores, por equipes, de ondas grandes e os quatro do WQS, sempre fomos preteridos, ou ironizados, nos raros espaços destinados ao Brasil e aos brasileiros.
É verdade que esse cenário do universo competitivo não reflete as relações entre brasileiros, norte-americanos e australianos, via de regra amistosas, especialmente quando nós brasileiros estamos na posição de anfitriões.
Mas é histórica a resistência ao reconhecimento dos nossos atletas e provas por parte dos anglo-saxões. Por isso, surpreende a capa da mais recente edição da revista norte-americana Surfing, com duas chamadas relativas ao Brasil. ‘Domi’ – ‘nação’, assim dividido, reportam ao perfil de Flávio ‘Teco’ Padaratz e à vitória no mundial por equipes, ISA Games.
Mas ainda surpreendem os artigos. Apesar das duas páginas, apenas, logo nas primeiras linhas e legendas a matéria sobre o ISA expressa claramente a opinião da revista: time brasileiro ‘kicked ass’. Time dos EUA, décimo do mundo. E completa: uma olhada no ranking no WCT diz tudo o que você precisa saber, o Brasil chegou e o resto do mundo está atrás dele.
Bem ilustrado, com retratos do gaúcho Ado Henrichs, o perfil de Teco Padaratz é só elogios. O título proclama o ‘inafundável’ (unsinkable), justificado pela sua volta ao WCT depois de dois anos afastado e de dois braços quebrados, um deles durante uma pelada.
O texto também exalta a condição atlética e o foco do catarinense de Blumenau que, aos 10 anos descobriu o surfe em Camboriú. Aos 16 foi morar nos EUA, como parte de um trabalho para se tornar competidor profissional e, depois de um ano, era o segundo no ranking norte-americano NSSA. Hoje, aos 29 anos, pai de duas filhas, adepto do yoga, está entre os melhores do mundo, com chance de disputar o título (quando a matéria foi feita ele ocupava o terceiro lugar no WCT).
O autor aproveita a frase de Teco – ‘Eu vivi meus melhores dias, de verdade’, se referindo à sua residência na Califórnia -, para dizer que Flávio fala sobre a América sem o ranço comum à maioria dos brasileiros aos EUA, aos seus surfistas e, em especial, à mídia especializada.
A edição ainda traz uma entrevista com o shaper Paulo Ribeiro, mais conhecido como Xanadu, embora não o identifique como brasileiro, e um anúncio da MCD com foto de Peterson Rosa. E como não bastasse todo esse espaço, Brasil vem grafado com ‘S’.

Tom Carroll foi protagonista de um acidente olímpico de proporções bizarras. Era ele que carregava a tocha rumo a Sydney quando o espetáculo foi armado nos arredores da capital australiana. A cena: Carroll foi abordado por um sujeito que aparentemente tentava roubar a tocha. O tal ladrão de tocha conseguiu tirá-la das mãos do surfista e tentou jogá-la no mar. Ao ver o ladrão sair correndo, Carroll teve reflexo de campeão mundial e o negócio esquentou. Ele agarrou-se ao malandro da tocha, derrubou-o e esperou que a polícia fizesse sua parte, levando o sujeito em cana. A tocha, agora em rumo certo e seguro, foi defendida, segundo algumas testemunhas oculares, literalmente com unhas e dentes por Carroll que, dizem, poderia muito bem ter sido campeão mundial de luta-livre se tivesse optado por isso e não pelo surf.

Alguns dos participantes do Eco-Challenge 2000, em Borneo, estão sendo hospitalizados por conta de uma misteriosa doença. Embora apresente alguns dos sintomas da leptospirose e da dengue, a doença não pôde ser caracterizada nem como uma, nem como outra. Os competidores que foram hospitalizados até agora tinham febre, diarréia, tremores involuntários, dores de cabeça e musculares. A estadia de, em média, uma semana no hospital é regada a soro, morfina e doses cavalares de antibióticos. Há duas semanas rumores sobre a misteriosa doença circulam pela internet. Pelo que foi até agora apurado, aqueles que enfrentaram o rio Segama, uma das partes mais duras da prova e que exigia esforço regular por quase três horas, são os que sucumbiram. A equipe Salomon/Eco-Internet, que venceu a prova, passou pelo rio e seus integrantes também contraíram a tal infecção. A misteriosa doença serviu para prolongar o sofrimento daqueles que fizeram a prova, uma das mais árduas e penosas competições de aventura do mundo.

Notas

Brasileiro
O Super Surf do Arpoador, quinta etapa do circuito profissional, acontece entre os dias 23 e 26 de setembro, no Arpoador, Rio de Janeiro. Esta etapa vai marcar a volta do OP Pro, campeonato que inaugurou o circuito brasileiro profissional em 1987. Uma série de nove semanas seguidas de competições de surfe profissional pelo Brasil será iniciada neste fim-de-semana. O Cidade Maravilhosa Rip Curl Series, também no Arpoador, coloca em jogo RS 10 mil em prêmios e mil pontos no ranking nacional do Abrasp Super Trials. Mais informações: www.aspsurf.com.br

WCT
Foi encerrada, no último fim-de-semana, a etapa franco-espanhola do ASP World Championship Tour 2000, em Mundaka, na Espanha. O havaiano Shane Dorian foi o campeão. Ele faturou US$ 15 mil em prêmios e os mil pontos recebidos o levaram da oitava para a quarta posição do ranking mundial. Desde o dia 12 até o dia 17 acontece o Figueira Pro, em Portugal.

Longboard
Foi definida, no último fim-de-semana, dois integrantes da equipe brasileira que competirá no mundial, o Oxbow World Longboard Championship. Marcelo Freitas conquistou sua segunda vitória seguida no Hot Water Stanley Classic e passou a liderar o ranking brasileiro, garantindo a presença na competição, que acontece em Imbituba, SC. Ronaldo Hipólito Jr. garantiu, também, sua vaga para o mundial.

Natureza
Acontece, neste fim-de-semana, o Clean up Day. O evento reúne, há 14 anos, mergulhadores profissionais de todo o mundo para retirar lixo dos mares. A ação acontece em Angra dos Reis e é patrocinado pela Surf Rider Foundation.

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