APRENDER POR SUBTRAÇÃO
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Variações extremas de temperaturas, frio de causar hipotermia, calor de levar à desidratação, mosquitos atormentando o tempo todo, mar, lago, rio, umidade de deixar as extremidades do corpo com aspecto de repolho, neblina de fazer se perder no quintal de casa, lama, alimentação precária, noites mal ou não dormidas, bolhas, inflamações, dores de todo tipo.
Esses são alguns dos prováveis fatores de esgotamento físico que os adeptos da corrida de aventura encaram. Muitas vezes, todos eles juntos. Mas não é só. Pior até que o estresse do corpo está o psicológico.
Ansiedade, insegurança, medo, este último mais do que todos, ocupam os pensamentos dos competidores. Medo de não chegar ao final, de frustrar suas expectativas e de seus companheiros de equipe, de ficar perdido na selva ou no deserto, de descer 100 metros de rapel ou de atravessar um rio a nado no meio da madrugada.
Não bastasse, outro complicador a ser superado é a relação entre os integrantes da equipe. Nas principais competições desse tipo, como o pioneiro Raid Gauloise que completou 11 anos e inspirou outras provas, as equipes são formadas por quatro atletas, sendo, ao menos um, do sexo oposto.
Conviver durante alguns dias com amigos em uma viagem de lazer, hospedando-se em hotéis, fazendo refeições em restaurantes, e utilizando transportes confortáveis, com frequência se torna um exercício de paciência capaz de desestruturar monge budista. Imagine nas condições extremas de competição, quando o desempenho do companheiro pode determinar o sucesso ou fracasso do time.
Correr (ou andar) dezenas de quilômetros, remar no mar, em lagos ou corredeiras, montar um camelo ou uma mountain bike, escalar uma montanha ou descê-la esquiando, são algumas das possíveis combinações que o esporte propõe.
Na Patagônia, no deserto de Mojave ou nas montanhas do Lesoto, a região é que irá determinar os meios de locomoção, as distâncias e o tempo da prova, nunca inferior a dias.
Comparado a outras provas de resistência a corrida de aventura, ou multisport, acrescenta o trabalho em conjunto, a orientação por bússola, a estratégia e mais do que tudo o imprevisto. O roteiro que só é conhecido poucas horas antes da largada, o clima, o relacionamento.
Apesar de mal divulgado, caro, física e psicologicamente destruidor o esporte continua crescendo. Ao acompanhar uma prova a pergunta mais frequente é: pra que? As respostas variam: contato com a natureza, testar os próprios limites, sobreviver às adversidades são algumas possíveis.
Mas a mais convincente talvez seja a necessidade de redescobrir como a vida é simples. Vivemos cercados de conforto e não damos valor. A prova ensina por subtração.
NOTAS
WQS
Enquanto a temporada de ondas grandes rola no Havaí, os surfistas havaianos vieram garantir importantes pontos na abertura do mundial de acesso. Em ondas de meio metro em Mar del Plata, Argentina. Shawn Sutton (1º) e Frederick Pattachia (2º) fizeram dobradinha no seis estrelas Reef Brazil Classic. Renan Rocha (4º) foi o melhor brasileiro.
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E hoje o circuito tem continuidade em Florianópolis, SC. Todos os brasileiros que irão disputar o WCT este ano garantiram presença. A prova de 4 estrelas (1500 pontos e US$ 60 mil) dará um prêmio extra de US$ 10 mil ao melhor colocado nas duas primeiras provas do ano, ambas patrocinadas pela Reef.
Long e Master
O Goofy Millennium reuniu em Ubatuba, SP, os dinossauros do surfe nacional. Paulo Motta superou favoritos como Amaro Matos (2º) e o vice-campeão mundial Marcelo Freitas. Almir Salazar ficou com o título acima de 40 anos e Mudinho acima dos 45. Na pranchinha deu Paulo Matos. Dhu Newman, 52, foi o mais velho competidor.
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