por Daniel Izzo

Quando olhamos para as décadas que temos à frente podemos ficar assustados e nos sentir pessimistas em face do grande volume de desafios que nos espera

Mudanças climáticas, aumento da violência, intolerância, xenofobia, colapso nos sistemas de previdência social e de saúde pública por conta do envelhecimento da população. Sim, quando olhamos para as décadas que temos à frente podemos ficar assustados e nos sentir pessimistas em face do grande volume de desafios que nos espera em um futuro não tão distante assim.

Mas, calma, não precisa sair desta página achando que esse é mais um artigo apostando no caos. Longe disso. Por atuar desde 2009 no setor de investimento de impacto social, acredito, sim, que há coisas que podemos fazer hoje para melhorar o nosso amanhã. E não sou só eu a pensar assim: nosso ecossistema como um todo vem crescendo no Brasil a olhos vistos nos últimos anos, com um aumento tanto no número de negócios sociais, quanto no de pessoas dispostas a investir em empresas que têm a intenção de oferecer soluções para problemas reais de nossa sociedade.

“A resposta para o meu otimismo está nos meus sobrinhos, nos estagiários das empresas, e até em você, leitor: nos millennials.”

Ao lado da constatação de que aqui e agora esse setor está pulsante, despertando cada vez mais a atenção de jornalistas, acadêmicos e do próprio mercado financeiro, está o fato de que esse interesse só deve crescer nos próximos anos. E a resposta para o meu otimismo está nos meus sobrinhos, nos estagiários das empresas, e até em você, leitor: nos millennials.

Como muitos segmentos de nossa sociedade já vêm observando, esses indivíduos – que no momento em que escrevo este texto estão na faixa dos 20 anos – vieram ao mundo com algumas características especiais, incluindo uma muito importante: a busca pelo propósito. Trata-se da qualidade de nos preocuparmos com as consequências de nossos atos, buscando nos responsabilizar por eles e pensando no impacto que causarão no mundo.

Dois estudos provam o que digo. Um deles, feito pela Accenture, aponta que, somente na América do Norte, os millennials vão herdar US$ 30 trilhões para investir nos próximos 30 anos. O segundo estudo, feito pelo banco americano Morgan Stanley, foi mais além e indicou que entre os mesmos US$ 30 trilhões que serão herdados pelos millennials, 86% provavelmente serão destinados a investimentos sustentáveis e de impacto social. Os dados de ambas as pesquisas mostram que esses jovens não querem aplicar seu capital em ações e empresas que garantam somente benefícios pessoais, mas querem causar algum bem efetivo para o mundo com seus recursos.

“Motivos não faltam para nos preocuparmos com o que o futuro nos reserva”

Sim, motivos não faltam para nos preocuparmos com o que o futuro nos reserva. Eles estão diariamente a estampar as páginas dos jornais, os telejornais e as nossas redes sociais. Mas saber que está vindo por aí uma turma não só disposta a utilizar de seus meios para fazer a diferença na vida das pessoas com menos oportunidades, mas que tem isso como condição para seus investimentos, é um alento. Quem sabe não é esse o caminho para criar um mundo novo?

Daniel Izzo é um dos homenageados do Trip Transformadores 2016.
Acompanhe semanalmente textos de grandes pensadores da sociedade brasileira, que já pisaram no palco do Trip Transformadores.

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