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por Luara Calvi Anic

Um tiro no pescoço deu a Rodrigo Hübner Mendes a vontade de lutar por uma educação de qualidade para as pessoas com deficiência

Um disparo e a vida virada do avesso. Rodrigo Hübner Mendes tinha 18 anos quando, ao sair de casa, sofreu um assalto e levou um tiro no pescoço. A rotina do jovem que jogava futebol, praticava remo e fazia cursinho para entrar na faculdade de medicina foi transformada em uma busca por sobrevivência. “Os dias mais difíceis da minha vida foram essas primeiras semanas no hospital”, lembra. Ele tinha muita dificuldade para respirar e precisava enfrentar uma maratona de procedimentos médicos, além do medo de morrer, que era constante. “Toda noite, tinha um momento em que minha família precisava descansar e eu ficava ali sozinho e acordado. Me sentia à beira de um penhasco, fazendo o que podia para não despencar. Nessas horas, eu recorria às melhores cenas da minha infância, muito marcada por leveza e por afeto. Eram minhas fontes de ânimo, o impulso necessário para encarar aquele maremoto com meu barquinho a remo.”

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“ "Nas horas difíceis, recorria a cenas da minha infância. Eram minhas fontes de ânimo para encarar aquele maremoto com meu barquinho a remo"”
Rodrigo Hübner Mendes

O acidente resultou na imobilidade do ombro para baixo, a tetraplegia. “Uma cena importante foi quando meu pai chegou no hospital, segurou o meu braço e falou: ‘Filho, fique tranquilo, faz a sua parte, a gente vai fazer a nossa e vamos vencer essa parada’. Aquilo passou a ser meu lema e me fortaleceu muito. Serve como uma lembrança de que é possível mudar situações desafiadoras”, diz. Os anos seguintes foram marcados por fisioterapia diária e por uma consciência de que, mesmo naquela situação extrema, ele era privilegiado. “Logo na primeira semana do hospital, saquei isso em relação às pessoas que não tinham suporte nenhum. Pouco tempo depois, me veio um desejo de retribuir as coisas boas que recebi.”

Essa ideia começou a ganhar forma aos 24 anos, quando ele entrou no curso de administração de empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), seguido do mestrado em Gestão da Diversidade Humana, na mesma faculdade. Aplicou o conhecimento acadêmico na criação, em 1994, do instituto Rodrigo Mendes, com foco em colaborar para que toda pessoa com deficiência tenha uma educação de qualidade na escola comum.

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A associação atua em três frentes: formação de profissionais de educação, pesquisa de boas práticas no Brasil e no mundo e monitoramento de políticas públicas. “Essa preocupação de não ficar olhando apenas para o próprio umbigo e perceber a dor do outro já existia na minha casa desde a infância, mas não de uma forma muito politizada. Só depois, quando me aproximei do mundo de políticas públicas e me envolvi com o instituto, comecei a entender quais são os caminhos para promover essas mudanças em escala e de forma estruturada.”

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Escola diversa

Paralelamente à associação, Rodrigo iniciou, aos 27 anos, uma carreira na Accenture, gigante da área de consultoria, onde ficou entre 1998 e 2002. Saiu para começar o mestrado e, em 2005, assumiu a gestão de seu instituto, até então comandado por sua mãe, uma professora e diretora aposentada da rede pública.

Com Rodrigo à frente, a associação ampliou seu propósito e lançou o Portal Diversa, um acervo de boas práticas na educação. Criada em 2011, com o apoio do Ministério da Educação, a iniciativa oferece suporte às equipes de ensino por meio de cursos, tutoriais e outras ações formativas. “Hoje, o professor tem um leque de novas tecnologias, que permitem a ele trazer outros caminhos para diferentes estudantes”, diz.

Atualmente, aos 48 anos, é membro do Young Global Leaders do Fórum Econômico Mundial e da rede de empreendedores sociais Ashoka, organização internacional sem fins lucrativos fundada na Índia, nos anos 80.

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““A escola especial limita muito a interação com o resto do mundo. A interação é fundamental para que a criança atinja seu máximo potencial"”
Rodrigo Hübner Mendes

Este ano, o instituto completa 25 anos e, entre as principais bandeiras que Rodrigo empunha, está a de que as escolas não devem ser segmentadas, como era comum em outros tempos. “A escola especial limita muito a interação da pessoa com o resto do mundo. A interação é um ingrediente fundamental para que a criança seja desafiada e possa atingir o seu máximo potencial.” Essa prática de uma sala de aula diversa estimula a criança com deficiência e colabora para formar adultos e uma sociedade mais consciente no futuro. “É a oportunidade de você, desde a primeira infância, conviver com o que é o mundo de verdade, em vez de em uma bolha em que todo mundo é igual. Isso é fundamental para que a gente desenvolva competências que hoje são tão valorizadas quanto saber calcular e ler: ter tolerância, promover a cooperação, mediar conflitos, se colocar no lugar do outro e ter empatia.”

Rodrigo acredita que até o bullying pode diminuir à medida que crianças de diferentes origens e condições ocupem um mesmo espaço e dividam a experiência escolar. “Primeiro, a gente precisa garantir que a criança esteja lá. Isso é o que vai fazer com que as coisas mudem. Para que isso seja possível de uma forma saudável, a equipe tem que estar atenta, acompanhando e promovendo diálogos e trazendo os próprios estudantes para pensar a respeito.” A inclusão, como ele próprio defende, é responsabilidade de todos e a chave para uma sociedade mais respeitosa e diversa.

 

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Imagem principal: Mario Ladeira

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