Logo Trip

VINÍCIUS DE MORAES E A TELEVISÃO

Vale para televisões a máxima de Vinícius de Moraes: 'As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental'

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon

Um domingão besta desses, liguei para um amigo, checando o que havia para fazer. ‘Passa aqui, estou vendo TV a cabo’. Imaginando que o convite significava duas ou três horas diante de um moderno home theater, apreciando um documentário no GNT ou alguma biografia do People & Arts, parti na direção da casa do camarada.
Qual não foi minha surpresa, ao chegar à sala de visitas do elemento. Deitado no sofá, a cerca de dois metros de um aparelho velhíssimo, o gajo portava na mão direita um legítimo ‘cabo de vassoura’, com o qual trocava os canais de uma TV que, pela aparência, datava do período mesozóico.
A não ser que você seja um artista plástico metido e exótico, como meu compadre da história acima, vale para televisões a máxima de Vinícius de Moraes: ‘As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental.’
Em levantamentos recentes realizados numa dessas lojonas de aparelhos eletrônicos modernos, fui flechado pela beleza limpa e lisa das TVs de tela plana. Uma em especial me fascinou. A peça é tão deslumbrante que merece ser assistida até desligada. Sua tela pode ser dividida em 13 quadradinhos, um deles pode, por exemplo, ser ligado à câmera de segurança do portão de sua casa. O formato retangular horizontal aceita sem cortes os DVD’s que trazem a imagem fiel ao tamanho da tela do cinema. Tem tantas funções que provavelmente você jamais será capaz de usar todas. Há uma irmã dela, com tela de cristal líquido e corpo fininho, uma espécie de Gisele Bündchen das televisões, capaz de seduzir até meu amigo e seu indefectível cabo de vassoura.
Muito felizmente, as peças acima são capazes de sintonizar as televisões por assinatura, já que os canais abertos parecem apontar numa avenida de mão única rumo ao lixo fedorento que se esconde atrás do rótulo ‘popular’. Apenas um detalhe: só uma porcentagem ínfima da brasileirada pode ter em casa itens como esses. A choldra, a julgar pelo sistema de concessões públicas, baseado no tráfico de influências, continuará condenada aos shows de pegadinhas e banheiras, cuja grande mazela não é a pornografia, mas a feiúra e o mau gosto.

PALAVRAS-CHAVE
COMPARTILHE facebook share icon whatsapp share icon Twitter X share icon email share icon