VETO DA SILVA
Apesar das possíveis proibições por conta dos nomes, o surfe nacional atravessa o melhor momento dentro e fora do país
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
‘Renan Rocha, mas pode chamar de João Pedrada’. ‘Teco Padaratz, ou melhor, Pedro da Silva’. Foi essa a reação dos surfistas brasileiros à possível proibição da ASP (Association os Surfing Professionals) aos Top 44 que disputam o Tour Mundial participarem do Super Surf, o circuito nacional. Mudar de nome e competir.
O assunto foi pauta de recente reunião da entidade realizada na Austrália e tudo acabou bem. Os atletas do país estão liberados para ambas as competições. Agora, por que tamanha polêmica? Por que não foi necessário discutir a liberação dos atletas australianos ou norte-americanos para os seus circuitos domésticos? Por que sempre que há envolvimento do Brasil fica mais complicado?
As explicações variam das mais pragmáticas às mais subjetivas e veladas. Conflito de datas e patrocínios, formato das provas idênticas, grana que deixaria de ir para o Tour e até a possível antipatia dos dirigentes do órgão ao crescimento do Brasil no cenário mundial.
A verdade é que hoje, finalmente existe um circuito nacional consistente, no qual os atletas são tratados com o respeito e a premiação reflete isso. À exceção talvez do circuito japonês, cuja premiação é elevada mas o nível técnico nem tanto, não existe nenhum circuito doméstico comparável ao brasileiro. Depois do WCT e do WQS, os dois principais rankings mundiais, o brasileiro é o mais importante.
Desde sua criação em 87 nunca a competição nacional teve tanto investimento, formato tão apropriado nem foi tão prestigiada pelos atletas. Há quem prefira competir no país a enfrentar uma maratona de vôos, traslados e hospedagens mundo afora para alcançar uma vaga na elite mundial. Isso porque o custo/benefício é discutível, especialmente para os patrocinadores.
Durante anos os norte-americanos ignoraram solenemente o mundial porque seu circuito nacional, o Bud Tour, era muito mais atraente. Com forte repercussão na mídia local, prêmios que chegavam a US$ 30 mil para o vencedor de uma etapa e o conforto de competir em casa, atletas como Dino Andino, várias vezes campeão nacional norte-americano, nunca se interessaram pelo mundial.
Talvez por isso tenham demorado tanto para conquistar um título no WCT. Não podemos ir no mesmo caminho.
O surfe nacional atravessa o melhor momento dentro e fora do país. Já não é surpresa um brasileiro vencer uma etapa do mundial, ou figurar entre os primeiros do ranking. No entanto, ainda falta o título, que se aproxima.
De todo mundo, a possibilidade dos brasileiros classificados entre os melhores do mundo competirem no Super Surf foi uma vitória importante. Mantém os atletas motivados em busca do Mundial e, ao mesmo tempo, reforça a disputa local. Para a Abrasp (Associação Brasileira de Surf Profissional) que junto com a Abril Eventos e a MTV organizam a disputa, a decisão deve contribuir para o fechamento dos patrocínios desse ano e garantir a manutenção do circuito nos moldes atuais pelos próximos. Assim desejamos.
NOTAS
TIROTEIO É MOLE
Erik Weihenmayer, 32, cego desde os 13, embarcou sábado para o Nepal onde ficará acampado até, em algum dia de maio, iniciar sua escalada rumo ao topo do Everest. Seu projeto é escalar os maiores picos dos sete continentes, quatro dos quais já conquistou.
MENOS É MAIS
Mesmo com três provas menos, são oito previstas este ano, o WCT estará distribuindo US$ 300 mil mais em prêmios. A novidade foi a confirmação da desafiadora etapa de Teahupo’o, Taiti, patrocinada pela Billabong, assim como Jeffrey’s Bay e Mundaka, que foi obrigada, devido ao limite de três provas, a cancelar Trestles, deixando os EUA sem prova, exceto a do Havaí.
SUPER TRIALS
Sem a confirmação dos circuitos paulista e carioca, a divisão de acesso do surfe nacional pode ser realizada no sul do país.
LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Trip
Bruce Springsteen “mata o pai” e vai ao cinema
-
Trip
O que a cannabis pode fazer pelo Alzheimer?
-
Trip
Entrevista com Rodrigo Pimentel nas Páginas Negras
-
Trip
5 artistas que o brasileiro ama odiar
-
Trip
Um dedo de discórdia
-
Trip
A ressurreição de Grilo
-
Trip
A primeira entrevista do traficante Marcinho VP em Bangu