Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Sucesso de vendas, o iPod virou alvo de maledicências: arma do mal estimuladora da solidão humana? Causa do aumento de assaltos no metrô de Nova York? Nada disso. O brinquedinho high-tech, além de bonito e inteligente, deixa você plugado com o mundo todo
por Marcelo Tas*
Segundo a revista Fortune, já foram vendidos mais de 15 milhões deste tabletinho recheado de novidades chamado iPod. Um sucesso retumbante que reergueu a Apple, empresa metida a vender computadores caros para poucos. Ao mesmo tempo, ele tornou-se alvo dos mais grosseiros disparates. Virou culpado das barbaridades do mundo moderno. De roubos no metrô de Nova York à ferramenta maligna estimuladora da solidão high-tech da sociedade de consumo. Esta última partiu de Andrew Sullivan, colunista do jornal inglês The Times, um dos caras mais influentes da blogosfera. Ora, meu caro Andrew, relaxa fofo, vamos olhar para o iPod e enxergar o que ele é: um walkman metido a besta. E bota metido nisso. Porque o bichinho é muito mais do que um walkman.
A acusação de que o iPod promove o isolamento dos seres através do headphone no ouvido é mais apropriada para o antigo walkman. O que era ele? Um canal de mão única, em que a música vinha em fitas cassetes ou CDs (discman). No iPod, 15 mil faixas não pesam nem um grama. Tudo organizado por compositor, gênero, nome da música? Você pode viajar carregando no bolso a bagagem musical acumulada em sua vida. Tudo isso sem aquela confusão de capinhas espalhadas pelo quarto do hotel.
Além disso, plugado na Internet, o bichinho vira um canal de duas mãos. Você pode trocar arquivos com todo mundo. É justamente o contrário do isolamento alegado por Sullivan. É um verdadeiro troca-troca de capas, fotos, programas de rádio independentes (os podcasts), entrevistas etc. e, é claro, você também pode ouvir a música dos seus CDs.
Vale lembrar outra coisa: iPod não é um genérico, como a palavra walkman. Em tese, é apenas mais um entre outros tocadores de MP3. Se todos fazem a mesma coisa, por que o estouro do iPod? Para mim, são duas coisas: beleza e simplicidade. Só isso? Sim, só isso. Tente fazer algo simples e bonito nessa era do excesso de imagens e picaretagens e você vai entender o que digo.
Os avanços da tecnologia são cada vez mais velozes. Os equipamentos ficam cada vez mais complexos. Só que os seres humanos, exaustos com tanta novidade, não têm mais tempo ou saco para ler o famigerado manual de instruções. O pessoal da Universidade da Califórnia, em Berkeley, eles, sim, tiveram o saco de medir toda a informação produzida pela mídia em 2002 e 2003. Chegaram a uma conclusão patética: a quantidade de informação é equivalente a tudo já produzido desde a pré-história até o ano de 2001! Não é de se estranhar que diante desse aumento exponencial de sons, imagens e textos imploramos (e às vezes somos capazes de pagar uma graninha extra) por ferramentas mais bem-humoradas, bonitas e inteligentes para sobrevivermos a esse verdadeiro tsunami de informação.
*Marcelo Tas, 45, adora as maravilhas da tecnologia. Apresenta com Lobão e Mariana Weickert o programa Saca-Rolha, na Rede 21; e pilota diariamente o Blog do Tas [www.blogdotas.com.br]
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