TUDO TEM PREÇO?
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Quanto vale uma onda? Um drop mais atrasado em Pipeline pode proporcionar o tubo da vida, mas também pode terminar em uma elevada conta no hospital de Honolulu. Se o surfista preferir correr menos risco com os corais afiados e com o lip traiçoeiro, descer a onda mais para o canal não será garantia de sua integridade física. Fatalmente algum outro companheiro de mar já estará se arriscando na onda, e atravessá-lo pode garantir uma desavença de consequíncias imprevisíveis. Se o surfista rabeado for um havaiano, a probabilidade de gastos médicos aumenta.
Tantos incidentes têm ocorrido nas praias do mundo por conta do crowd, que praticar um surfe de qualidade em paz está virando uma questão de dinheiro. Hoje em dia há quem pague para garantir esse privilégio.
O assunto é polêmico. Se a praia é pública, como dizem, e qualquer um pode dela usufruir desde que chegando pelo mar, o que dizer das ondas?
O número de ‘surf camps’ pelo mundo cresce evidenciando o potencial da demanda. Numa praia deserta do Panamá, na Indonésia ou numa ilha remota do Pacífico já é possível se pagar por ondas exclusivas.
O exemplo mais conhecido é o de Tavarua, Fiji, que além das ondas na pequena ilha, Restaurants e Rights, extende seus domínios, para a felicidade das duas dúzias de possíveis hóspedes, a uma bancada de corais conhecida como Cloudbreak. Lá só surfa quem está no hotel, a um custo de cerca de US$ 1.000 por sete noites.
O preço em dólares é até bastante razoável (em reais já não), considerando os benefícios. Já houve quem comparou o valor investido por onda numa viagem como essa à de um vulgar final de semana em Maresias, com ampla vantagem para a opção que inclui no mínimo dois bilhetes aéreos.
Se ganha por um lado, se perde por outro. A dose de aventura envolvida numa viagem de surfe até há poucos anos, vai se diluindo na medida que as ondas vão sendo industrializadas. Muito em breve, para se experimentar esse componente do esporte, será preciso dividir ondas com leões marinhos em algum ponto remoto do Alaska.
NOTAS
Barato
Com taxa de inscrição de US$ 100, surfistas profissionais puderam surfar Pipeline com uns poucos colegas, uma oportunidade rara. Ao todo foram 172 atletas, recorde para um evento duas estrelas do WQS.
Em ondas de até 15 pés na final, dominada por havaianos, o ex-campeão mundial Derek Ho ficou com o título.
Rollerball
Para quem não se lembra do filme, trata-se de uma competição em rink oval, que bem poderia ser chamado de arena, onde os competidores dos dois times patinam e se esmurram como nas lutas-livres pastelão.
Batizado de roller derby, o ‘esporte’, que fez grande sucesso na década de 30, foi ressuscitado nos EUA. Tem levado grande público aos ginásios e dado boa audiência à TNN, que transmite o campeonato nacional. ., a palhaçada tem uma liga.
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