por Totó

Filme conta a história de como conseguiu casar o skate com o surfe

‘’Fiel a Isto’’, assim, literal, é a melhor tradução ao termo ‘True to This’, título do filme que celebra a maioridade da marca Volcom.

A marca está presente nos cinco continentes e atua nas cenas do surfe, skate e snowboarding  (reforçada com música e arte)  com um exército de 47 atletas bem distribuídos entre as três principais modalidades dos esportes de prancha.

Deste contingente, 10 atletas são brasileiros e se destacam entre os top riders da marca em nível mundial.

No skate, nomes como o do campeão mundial de bowl Pedro Barros e da medalhista de ouro nos X-Games Letícia Bufoni, fazem contrapeso aos fenômenos David Gonzalez (skatista do ano nos EUA em 2013) e Ryan Scheckler, um dos maiores acumuladores de troféus, fama e grana do mundo das quatro rodinhas.  

No surfe, figuras por enquanto menos conhecidas como Yago Dora, jovem promessa brasileira, se misturam aos badalados surfistas Dusty Payne e Ozzie Wright, compondo um caldeirão interessante. O ponto forte dessa mistura é, principalmente, a diversidade cultural e de estilos que tornam a marca referência, seja nas areias de Pipeline ou nas pistas de concreto na Califórnia, nas montanhas geladas do Colorado ou na recém-reformada Praça Roosevelt, no centro de São Paulo.  

Algo bastante improvável em meados 1991, ano da sua fundação. Naquela época, 21 anos atrás, o casamento entre o surfe e skate, diferente do que se imagina, não era algo tão óbvio.

Explico: mesmo o skate tendo surgido a partir da cultura do surfe entre as décadas de 60 e 70, foi a partir dos anos 80 que cresceu e se organizou como esporte, ganhando vida e personalidade própria.

No final do anos 80, após viver o ápice comercial de sua história precoce,  o esporte experimentou o sabor da crise. Coincidentemente, nos Estados Unidos e também no Brasil.

No hemisfério norte o motivo foi a legislação da época, que obrigou as pistas de cimento a fecharem as portas devido às altas indenizações pagas pelo governo aqueles que ali se acidentavam, fazendo com que a modalidade vertical (que engloba bowls e half-pipes), motor do mercado até então, simplesmente se extinguisse da noite pro dia.

No Brasil, graças ao plano Collor que afundou a economia do país e levou o mercado de skate junto.

Foi nesse clima de resistência que se consolidou - com força - o street skate.  

A modalidade, que preza a liberdade de andar nas ruas usando a arquitetura urbana como obstáculo para manobras e fonte de inspiração (algo secundário lá nos anos 80), se firmou como símbolo de sobrevivência no começo da década de 90. 

Foram esse skatistas fissurados (na real, uma molecada inconformada disposta a simplesmente andar de skate) que mantiveram a chama acesa em tempos de crise.  Como consequência, criaram um cenário mais urbano para o esporte. Para essa turma, o surfe nada tinha a ver com o skate e deveria simplesmente ser ignorado.

Mesmo com as linhas cruzadas desde os anos 60, propor o casamento entre os dois esportes em 1991 era algo fora de cogitação em termos comerciais.

De saco cheio de seus trabalhos e da mesmice,  Richard Woolcott e Tucker Hall, durante uma viagem de snowboard no inverno de 1991, resolveram inovar na construção daquilo que acreditavam: um estilo de vida movido pelo prazer de deslizar a bordo de pranchas nas mais variadas superfícies, ignorando pequenos preconceitos e misturando elementos da arte, da música, do surfe e do skate,  na mesma gaveta. 

A estética e o som do movimento punk invadindo as praias, o descompromisso do surfe invadindo as ruas e o snowboard bebendo na fonte para se inventar como estilo de vida,  fizeram com que esse movimento superasse os objetivos da marca e ganhasse corpo e forma ao redor do mundo, se materializando como aquilo que hoje é conhecido como board riding. A cultura integrada dos esportes de prancha. 

“True to This” carrega toda essa simbologia.

Um casamento fiel e duradouro, editado em 35 minutos,  apresentando um exército talentoso que “dichava” as mais variadas e desafiadoras condições nos esportes mais plásticos que conheço. Colírio pros olhos.

Veja o trailler abaixo. Vale conferir.

 

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