por Nathalia Zaccaro
Trip #277

Mariana Aydar tem um caso com Caraíva, mas vive se atracando com Trancoso. Em clima de amor livre entre uma praia e outra, ela tirou a roupa e falou sobre uma terceira paixão: o forró

É no vaivém de um forró que Mariana Aydar é feliz. 
A sanfona gemendo, a poeira subindo e o suor descendo. “Se eu tivesse que escolher entre cantar ou dançar forró, eu escolheria dançar. Várias vezes estou no palco cantando e penso: ‘Meu Deus, como eu queria estar na pista agora!’.” Dançar é existir, se inspirar, se conectar. “Se o cara começa me tirando pro forró, já ganha muitos pontos. Todos os meus namorados dançavam. Tem essa intimidade, corpo colado. É muito sexy.”

Na vitrola da casa de sua infância, em São Paulo, sempre rodou muito vinil de xaxado e baião. A mãe, Bia Aydar, foi empresária de Luiz Gonzaga e por isso Mariana, já aos 6 anos, se encantou pela figura do rei. “Me apaixonei por aquele cara de chapéu de couro, uma mistura de Papai Noel com super-herói. Tive a sorte de ouvi-lo desde cedo.” 

Mariana começou a cantar dando canja de forró na noite de São Paulo. “Eu tinha uma banda, a Caruá, e com ela rodei o país.” Em 2005, lançou o primeiro disco solo e encontrou sua linguagem musical, em que traduziu a essência do baião sem deixar de explorar o novo. “Trago o forró um pouco mais para o meu mundo.” Suas imersões no tema a levaram a codirigir o documentário Dominguinhos (2014), um mergulho no som e no sertão de um dos principais sanfoneiros da história do Brasil. “Nós o seguimos por sete anos, estive muito próxima dele. Eu senti que tinha mesmo essa missão com o forró.”

Seus shows mais recentes têm rolado em formato de trio, com ela no triângulo, Cosme Vieira na sanfona e Feeh Silva na zabumba. “Até o fim deste ano, deve sair um novo EP, com minha visão sobre a música nordestina”. Antes disso, ela põe na rua o single “Caraíva-Trancoso”, em que se derrete por essas duas praias da Bahia que marcaram sua história. “Tenho um caso com Caraíva, mas me atraco com Trancoso”, diz a música, escrita em parceria com o pernambucano Barro, que, junto com Guilherme Assis e Ricardo Fraga, também produziu a faixa. “É meio ‘eu gosto de Juazeiro e adoro Petrolina’, porque existe essa rixa entre Trancoso e Caraíva. Mas eu amo as duas.”

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Trancoso é o espaço da criatividade, das composições. É a terra natal de quase todas as músicas de Mariana. Há 20 anos, a família dela mantém uma casa ali e, sempre que pode, a cantora para tudo para se perder no tempo andando nas areias claras desse trecho do litoral baiano, bebendo cerveja gelada no calor. Mas, se Trancoso tem dias cheios de poesia, Caraíva seduz com as noites quentes de forró. “Comecei a ir pra lá dançar e fui me apaixonando demais. É um lugar muito forte, tem essa energia que te assola. Lá as coisas acontecem, você pensa em alguém e, de repente, a pessoa aparece. É mágico.”

Foi entre Caraíva e Trancoso que ela decidiu tirar a roupa. Ficou a fim de se ver e ser vista, nua dentro do rio, do mar, dos barcos da Bahia. A ideia de se deixar fotografar pelada, que sempre soou como uma ousadia, de repente fez sentido. Aos 30, Mariana era bem mais cheia de pudores do que é hoje, aos 38. “Acho que tem a ver com a minha ressignificação enquanto mulher, depois do nascimento da minha filha, que hoje tem 5 anos [fruto do seu casamento com o músico Duani]. Quando fiz 30, comecei a me achar velha. Agora, prestes a fazer 40, me acho uma adolescente. Isso é um mistério pra mim, mas estou gostando mais da vida. E esse ensaio vem para coroar isso. Fiquei até surpresa com como fui sem-vergonha!”

Sem-vergonha e sem compromissos que não sejam com ela mesma. Solteira, depois de uma vida se dividindo em relacionamentos, agora está inteira. “É tão importante sentir que você é o seu amor, que está bem com você mesma. Estou lidando com minhas carências, me entendendo. Questiono muito o formato monogâmico do casamento. Com meu último namorado, experimentei um relacionamento aberto, mas a gente se machuca também. Não sei se é esse o jeito, mas estou nessa busca.”

Livre para investigar por aí o que arrepia seu cangote, Mariana explorou a potência do próprio corpo para fazer as fotos do ensaio. “Foi libertador, senti uma força tão grande da natureza, de me sentir mulher, de ser o que sou. Teve um lance muito íntimo, percebi meu corpo como um templo espiritual. E também me apaixonei pela Autumn [Sonnichsen, fotógrafa]. Ela é uma poeta, uma compositora.”

Os dias na Bahia terminaram com uma combinação infalível: forró, lua cheia, cachaça e Caraíva. Forrozeando, ela nem viu a noite passar e, como no ensaio, só deixou a vida acontecer. Todo tempo que houver, para ela é pouco.

Créditos

Coordenação geral: Adriana Verani Beleza: Rafaela Crepaldi (Sênior makeup stylist Nars Cosmetics, usando produtos Nars) Estilo: Mariana Boscheiro Mariana usa: Amapô, Cisô e Trya Agradecimentos: pousadanativacaraiva.com.br

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