por Heitor Flumian
Trip #279

A modelo Isabela Manara é uma estilista que ama vestir as próprias criações, mas topou se despir para a Trip. “Adoro ficar nua. Sempre sou a primeira a tirar o biquíni para entrar numa cachoeira”

Toda vez que preenche o espaço “profissão’’ no check-in de um hotel ou alguém lhe pergunta sobre o que faz da vida, Isabela Manara, 26 anos, precisa de um instante para pensar. “É difícil responder. Respiro, amo, crio, trabalho com moda, fotografia, styling e faço o que meus impulsos alcançam. Sou livre”, conta, por meio de uma chamada de vídeo no celular, de Brasília. O próprio sotaque é uma amálgama de tons e expressões de quem nasceu no interior de São Paulo e se mudou ainda pequena para a capital federal. “Cenário político à parte, é uma cidade especial. Além de ser uma mistura de culturas e crenças, está perto da Chapada dos Veadeiros, para onde muitas pessoas vão em busca do despertar e voltam com uma energia que reverbera por aqui.”

Essa mesma busca por autoconhecimento a levou a Sydney (Austrália), em 2009, aos 17 anos, onde morou por duas temporadas. Na época, fez um curso de artes que despertou seu interesse para a fotografia, design e moda. Foi também do outro lado do planeta que ela entrou em contato com religiões e terapias orientais em viagens à Tailândia, Indonésia e ao Camboja – hoje mantém em sua rotina a prática de ioga, meditação e tai chi chuan. Na volta ao Brasil, fez o primeiro trabalho como modelo a convite de uma empresária, amiga de um ex-namorado. E não parou desde então.

Em 2014, criou a própria grife, a Manara, que segue o conceito slow fashion. “Desenho as roupas, faço os cortes, boto a mão na massa, respeitando o meu ritmo de criação. Se puder fazer alguém se sentir bem, sensual e confiante vestindo algo que criei, estou realizada. Aliás, é como me sinto agora”, continua e se levanta para mostrar na tela do celular o body decotado e a saia longa, suas crias, girando com a desenvoltura de quem está sozinha em frente ao espelho. Isabela, porém, nunca encarou esse universo como um fim, mas, sim, como um meio. “É como faço meus contatos, derramo o meu mel, sem me apegar tanto à questão do ego e da ostentação que permeiam as redes sociais.”

 

Além de batizar sua grife, o sobrenome Manara – que significa farol, fonte de luz – também está tatuado em árabe em sua nuca. “Sou muito expansiva. Gosto de criar conexões com novas pessoas. É o meu ascendente em áries falando”, diz a taurina. O símbolo chinês do yin-yang também a acompanha, discreto, tatuado no braço direito.

No começo deste ano, em mais uma de suas viagens atrás do que o acaso lhe reserva, foi a São Paulo encontrar um amigo e acabou no apartamento do fotógrafo que fez estes cliques. “É um lugar superartístico que ele divide com várias pessoas. O ensaio foi um momento nosso, despretensioso, mas de vez em quando passava por nós alguém que ia fumar na sacada”, ri. “Adoro ficar nua. Sempre sou a primeira a tirar o biquíni para entrar numa cachoeira. Estar nu é viver a natureza do seu ser antes de se tornar um objeto de desejo, é ser apenas um corpo livre que está aí para ser conhecido e explorado.”

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Amor livre

A modelo segue bem à vontade, mas já teve momentos em que não se sentiu tão confiante. “Faz parte do processo de amadurecimento entender que o que você tem de diferente é o que te faz especial. Amar aquilo que te incomoda é um trabalho diário.” As sardinhas espalhadas pelo peito, reminiscências do sol australiano, ressalta, sempre foram valorizadas.

Quando o assunto é amar os outros, Isabela, que já se apaixonou por meninos e meninas, respira fundo. Tem claro o que lhe dá mais tesão – o envolvimento, a troca, as conexões, a possibilidade de um mostrar suas fragilidades ao outro – e o que não a interessa – a falta de jogo de cintura com a vida e de senso de humor.

No momento, está no embalo do amor livre. Precisa ir e vir, voltar quando der, dizer “eu te amo” e “amo aquela outra pessoa também”, de maneira fluida. “Permita-se deixar as relações fluírem sem as rotular. É o que estou fazendo na minha vida agora. E isso só me trouxe mais amor.”

Créditos

Imagem principal: Fernando Schlaepfer

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