TRADICÃO ADOLESCENTE
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Em meio a promotoras e seus brindes, publicidade ocupando até mesmo o espaço aéreo e tendas gigantes para abrigar eventos menores, fui caminhando pela praia lotada em direção ao Red Bull Longboard International.
A grande e consistente estrutura montada no meio da praia de Maresias (SP) percebida à distância, contrastava com as ondas, que não apareceram.
Fui chegando perto da área de competição e encontrando alguns amigos competidores. Maduros que ainda não caíram do pé, justificavam a prematura desclassificação na juventude de boa parte dos 120 competidores e à falta de ondas: ‘Contra essa molecada fica difícil’.
O longboard foi a origem do surfe. A prancha grande, o passeio sobre ela, o corte prolongado buscando velocidade, as manobras clássicas e o estilo refinado, atravessaram décadas. No final dos anos 60, com o surgimento das mini-models, no entanto, a modalidade caiu em desuso. Virou coisa de velho.
Mas como prega a cultura popular, o tempo é a melhor solução. A população crescente nos line-ups também ajudou. E cada vez mais surfistas estão recorrendo à prancha grande para, com mais remada, ‘driblar’ o crowd, especialmente nos dias menores.
A modalidade se popularizou, e hoje veteranos dividem o prazer de deslizar sobre ondas em pranchões com uma molecada que ingressa no esporte utilizando a opção, que até há pouco, era a de fim de carreira.
Em sua segunda edição o Red Bull se firma como o campeonato mais importante do calendário nacional de longboard. Válido como seletiva para o mundial, tem a maior premiação, US$ 25 mil, e é prestigiado por alguns dos melhores atletas do mundo.
Na água, o contraste em harmonia. Eternos, como Mudinho, ao lado de garotos como Danilo Rodrigo, 15, o mais jovem competidor. Na praia, a tradição. A cerimônia das águas, que propõe a união de todos os povos e mares do mundo, comandada pelo lendário havaiano Clyde Aikau. E no pódio, bem no pódio…
Apesar da expectativa em torno de Bonga Perkins, 26, campeão mundial em 96 e líder do ranking havaiano, Colin Mc Phillips, 24, líder do mundial Dave Simons, 20, segundo no ranking australiano, entre outros jovens e talentosos estrangeiros, o campeão da categoria principal foi o veterano brasileiro Picuruta Salazar, 38, recordista nacional com mais de 120 títulos. Na master, acima de 43 anos, outro freqüentador das ondas do Canal 1 de Santos, Cisco Araña, levou a melhor. Só no feminino o título não ficou no país – Desiree Desoto levou para o Havaí.
Outras quatro etapas estão programadas para o circuito brasileiro de longboard 2000. A modalidade tem tudo para crescer no cenário do surfe nacional e projetar mais atletas no mundial.
NOTAS
FOLIA NO AR
Tradicionalmente os pára-quedistas se encontram em Boituva durante o carnaval. Este ano, mais organizado, espera-se cerca de 400 praticantes de várias partes do mundo. O francês Eric Fradet, é um dos destaques. Outro será o C-115 ‘Búfalo’ da FAB que estará à disposição.
+ LONGBOARD
O Mundial deste ano será no Brasil. Quem garante é a Oxbow, marca francesa que patrocina o evento há alguns anos, e que está chegando ao mercado brasileiro. Estão previstas duas etapas, a segunda definindo o campeão, em outubro no Brasil.
SURFE DE DUPLA
Nova e boa, a idéia tem tudo para dar certo. Serão duas duplas na água, vencendo aquela que obtiver o melhor conjunto de notas. A Copa Ford de Surf Profissional terá três etapas, São Paulo, Rio e Nordeste.
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