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A analogia talvez não seja imediata nem automática. Mas não são necessários mais que alguns segundos para constatar a triste aproximação entre dois conceitos que nasceram para ser quase antônimos: teto e medo.
O teto, ao menos no sentido que escolhemos para abordá-lo nos últimos anos aqui na Trip, representa a cúpula de proteção, algo que delimita nosso espaço de resguardo e nos dá cobertura não só contra as ameaças físicas, do frio e da chuva, mas que também nos conforta, ampara e protege das tensões, das ansiedades, da correria e da competição que construímos em torno de nós mesmos e que funcionam hoje como uma espécie de ratoeira gigante e mortal.
Ocorre que, com o avançar do tempo, as barreiras do teto são cada vez menos capazes de conter e manter para fora todos os horrores reais e imaginários que, por nossa própria obra, nasceram e se multiplicaram em volta delas.
Como lidamos com a enorme família de medos que nos assola hoje em dia? Como um profissional do jornalismo — que se propõe a escarafunchar submundos variados e realmente perigosos — convive com os seus, como uma arquiteta traça planos para lidar com forças naturais assustadoras, como cidadãos de estatura incrivelmente baixa lidam com o terror da rejeição, o que podemos fazer para lidar com o pânico atávico de submergir nas águas? Por que as grades e os muros altíssimos que foram se integrando às paisagens dos bairros ricos do Brasil agora começam a ganhar também as fachadas das favelas e periferias?
Nossa intenção com esta edição da Trip é encarar os medos em todas as suas formas, com todos os seus horríveis rostos e até aqueles que, uma vez enfrentados, mostram suas faces menos espantosas e que, de alguma maneira, nos ensinam lições fundamentais, muito especialmente as que revelam questões sobre nós mesmos.
Paulo Anis Lima, editor
P.S. Teto é uma das 12 categorias do Prêmio Trip Transformadores, que terá sua segunda edição no fim deste ano. Muito em breve você saberá os detalhes.
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