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TEM JEITO?

Depois de uma eleição que ressuscitou Paulo Maluf para a vida pública, nossas esperanças tornam-se mais escassas

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Depois de uma eleição que ressuscitou Paulo Maluf para a vida pública, as esperanças de que o País caminhe para algo melhor tornam-se ainda mais escassas.

Pelo que se vê nos primeiros lances deste segundo turno, tudo leva a crer que o nível caia mais que a auto-estima de Wanderley Luxemburgo.

É verdade que na votação para a Câmara Municipal houve sinais de vida inteligente no eleitorado. Nomes de políticos profissionais de caráter e condutas duvidosas foram banidos das listas de vereadores e, aparentemente, o povo respondeu aos escandalos e denúncias de corrupção com um pijama para seus principais protagonistas, já que não está ao seu alcance mandá-los para a cadeia.

De fato, há dezenas de novos nomes, que pelo menos em tese acenam com um fio de esperança para quem vive numa cidade que parece ter chegado ao limite do suportável.

Dá medo aproximar demais a lente. O que podemos esperar, por exemplo, do candidato cujo principal predicado é ser o advogado do Ratinho? Pensemos positivo. Quem sabe o dr. Farhat se revela um vereador capaz, utilizando sua experiência de causídico em favor dos melhores interesses populares?

Lendo sobre estes novos ares que sopram sobre a Câmara, descubro que Nabil Bonduki, um professor da respeitada FAU, a Faculdade de Arquitetura da USP, é um dos primeiros, se não o primeiro arquiteto/urbanista que se elege vereador por São Paulo. Se for verdade, é ao mesmo tempo triste e animador.

Concordo que antes tarde do que nunca, mas é difícil lidar com a triste evidência de que, de forma geral, profissionais, intelectuais e pessoas comuns que têm acesso a um nível um pouco melhor de educação não têm se prestado a encarar essa arena na qual, pelo visto, tendem a ser comidos pelos leões da malversação da coisa pública.

Vamos torcer para que Bonduki, o experiente Cardozo e a nova bancada do PT mostrem-se capazes de devolver alguma esperança à população que, com razão e lamentavelmente, acostumou-se a usar a palavra político para designar toda sorte de mentiroso, corrupto e mau caráter que encontra pela frente.

Do avesso De coração, eu e todos os que foram às urnas torcemos para que isso mude e, como conseqüência, as manchetes deste e de outros jornais possam deixar de trazer adolescentes que tocam fogo em famílias, numa espécie de declaração de direitos humanos do avesso.

Apesar da tentativa de resgatar a esperança no sistema político, torcendo para que passe a funcionar a favor da cidade e do País, em vez de votar aumentos nos próprios salários ou de achacar comerciantes através das famigeradas regionais, tendo a achar que só há chances de mudanças realmente relevantes nas organizações que nada têm a ver com partidos políticos ou que não têm qualquer dependência do poder constituído.

Outro dia tomei conhecimento, por exemplo, do projeto do ABN-AMRO, um banco estrangeiro que há alguns anos tomou nas mãos um projeto batizado de Escola Brasil. Trata-se de algo tão simples quanto genial. A equipe do banco, através dos gerentes das agências próximas às comunidades carentes, financia e dá as condições para que as próprias pessoas da comunidade reformem ou, quando é o caso, construam quadras esportivas nas escolas públicas. O projeto se encarrega ainda de aprimorar o treinamento dos professores de Educação Física com palestras feitas de graça por grandes mestres do esporte brasileiro como Ari Vidal, Raí, Adhemar Ferreira da Silva entre outros. Por que o esporte? Depois de muito pesquisar sobre o assunto, o projeto concluiu que nada é mais eficiente quando o objetivo é fixar o jovem na escola, educar, dar dignidade e, ao mesmo tempo, conseguir que as benfeitorias não sejam depredadas. O esporte consegue a façanha.

A Ford do Brasil também descobriu que agir eticamente e de forma comprometida com a sociedade dá lucro. Seu atual presidente, um jovem de apenas 43 anos, está à frente de um projeto que reconstituirá uma parte gigantesca da Mata Atlântica na Bahia. Não se trata de plantar pinheiros ou araucárias, mas de promover o replantio de espécies nativas num amplo estudo das condições para que essa nova floresta de ‘zilhões’ de hectares se conecte naturalmente à mata que ainda sobrevive intacta. Antonio Maciel promoveu dezenas de outras ações, como a criação de escolas profissionalizantes de alto nível no ABC paulista, creches em áreas próximas a fábricas etc.

Não se trata de filantropia, mas de estratégias modernas de marketing ambiental e social altamente eficazes para o chamado ‘brand equity’ e, principalmente, para o chamado ‘povão’.

Talvez essa terra ainda tenha chance.

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