Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Pelo menos deu no ?New York Times?. Segundo o jornal, o esporte, que na última década havia perdido o posto de ?extreme? e ?cool? no imaginário coletivo para atividades como snowboard e skate, acaba de readquirir seu lugar. Muito graças a filmes como ?A Onda dos Sonhos? e ?Step Into Liquid?, que retratam de forma fiel, legítima e sem as costumeiras pieguices o dia-a-dia e a psico ? respectivamente ? de surfistas extremos. O lado ruim é que produções bem-acabadas e resolvidas acabam seduzindo os chamados despreparados, aqueles que querem sair do cinema e se jogar em Pipeline. Ano passado, o número de desavisados que procurou o famoso break havaiano foi três vezes maior do que o habitual. Resultado: duas mortes e uma série de acidentes graves. ?Levei 12 anos para ter coragem de entrar aqui?, disse a profissional Rochelle Ballard ao ?NY Times?. ?Foi o tempo que precisei para não ter medo desse pico?, explicou. Liam McNamara sabe do que Ballard está falando. Ano passado, ele foi arremessado contra os corais e sentiu uma pancada forte atrás da cabeça. ?Achei que era a prancha, mas era minha perna que, pela força da onda, foi quebrada num tipo de contusão que você acha que só vê em campo de futebol?, disse o surfista. ?Temos sido invadidos por iniciantes?, reclama o salva-vidas Chris Baker, há 13 anos guardando Pipeline. ?São pessoas que não sabem que, por aqui, cair da prancha no drop raramente dá uma segunda chance?, concluiu.
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E se filmes bem produzidos têm efeito colateral, o ?Billabong Odissey? deve gerar mais uma série deles. Trata-se de mais um filme big budget sobre ondas grandes. Uma épica cena de abertura, cujo arrojo técnico para que ela pudesse ter sido filmada é quase tão impressionante quanto a força da onda dropada por Mike Parsons em Jaws, e tomadas inéditas de Teahupoo já renderam aplausos da crítica. Brasileiros dentro e fora da água participam do filme.
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Mas nem só de cinematografia vive o surfe atualmente. O interesse da mídia de massa cresce a cada dia e, com o início do Vans Triple Crown, no north shore havaiano, vai experimentar sua maior cobertura televisiva até hoje. Câmeras da NBC e da Fox estarão nas três praias que sediam o evento (Haleiwa, Sunset e Pipeline) para captar as melhores imagens e levar dezenas de horas, muitas ao vivo, aos telespectadores americanos, até 20 de dezembro.
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Não é apenas a força de alguns breaks que desafiam surfistas hoje. A havaiana Bethany Hamilton, de 13 anos, perdeu o braço esquerdo há três semanas, quando surfava com uma amiga numa praia de Kauai. Bethany, uma das grandes promessas do surfe americano e que já tinha patrocínios garantidos para se profissionalizar em 2005, ainda teve o sangue frio de remar até a areia para pedir ajuda. Já em sua casa, em Oahu, ela tem sido visitada pela elite do surfe mundial, na ilha para o Triple Crown. Andy Irons foi um que, em dia de mar flat, deu uma parada na casa da garota. Segundo ele, Bethany está sorridente e jura que, desde que sofreu o acidente, não derramou uma lágrima sequer. E ela avisa que vai voltar a surfar.
NOTAS
SUPER TRIALS
Com o cancelamento da última etapa, a prova disputada em Maresias fechou o circuito classificatório para o Brasileiro de Surfe de 2004. Renato Galvão venceu a etapa e o circuito.
BILLABONG PRO JUNIOR
As seis vagas dos representantes brasileiros no Mundial de surfe da categoria serão conhecidos neste final de semana. A seletiva acontece em Maresias e o Mundial, na Austrália, de 1 a 8 de janeiro.
CAMPEONATO BRASILEIRO NA ÁUSTRIA
Dez brasileiros em cinco equipes disputam amanhã e depois em Innsbruck o Brasileiro de Bobsled. Modalidade olímpica, trenó de gelo chega a 140 km/h.
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