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A impressão é que o quinteto inglês ligou o foda-se. Um antitecno em notas longas e vocal vocálico anasalado, uma música despersonalizada como um grito vindo de um computador – às vezes, uma dance music indançável, e então guitarras ocas, ecos de Beatles, Joy Division, do primeiro New Order e do último Young Gods, violões inconstantes, climas bizarros subitamente quebrando grandes extensões de massa orquestrada entre levas de whitenoise e uma idéia grave onipresente e, por cima de tudo, a voz fantasmal de Thom Yorke proclamando letras indecifráveis. Muito longe das guitarras furibundas do primeiro disco, Pablo Honey, Kid A é o mais eletrônico dos trabalhos do Radiohead, um som tão biônico que chega a ser espiritual; quase solene, não fosse tão lírico, e, ainda assim, não dá pra ouvir e sair assobiando – não é pra tocar no rádio [com esse disco cometemos suicídio, afirmou Yorke]. Mas será que se pode chamar isso de neoprogressivo? Parece um termo pobre para definir uma música tão radicalmente pura que coloca a si mesma em crise. Depois de Kid A, para onde pode ir o Radiohead, com seu desespero calmo de andróide caído no reino dos homens de plástico? E outra pergunta: quando é que eles vêm tocar aqui?
[Ronaldo Bressane]
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