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Na modalidade de programas merecedores de cinco cocares da Funai, porém, a criatividade do paulistano não pára de gerar novas invenções

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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É passado o tempo em que a única diversão de paulista era assistir às decolagens e pousos dos aviões e ir a restaurantes. Não que essas atividades tenham sido jogadas no esquecimento devido ao Napster, à tecnologia WAP ou outra traquitana. Ao contrário, restaurantes continuam brotando na cidade como cogumelos depois da chuva e morrendo quase na mesma velocidade destes fungos. Os amantes da aviação, provavelmente espantados pelo excesso de movimento da área e ainda sob o trauma das imagens do avião da TAM espatifado nas imediações de Congonhas, mudaram de endereço. É só pintar um esboço de sol para os canteiros da via de acesso ao aeroporto de Cumbica encherem-se de Monzas, Palios, Chevetes, Gols e outros automóveis cheios de guarda-sóis, cadeiras Rochedo, churrasqueiras tipo apart-grill e outras aparelhagens para curtir o vai e vem das aeronaves.

Na modalidade de programas merecedores de cinco cocares da Funai, porém, a criatividade do paulistano não pára de gerar novas invenções.

Recentemente, coisa de dois anos atrás, foram os lava-jatos com cara de colônia de férias que invadiram a cidade. Aparentemente, uma multidão de felizes proprietários de automóveis extraía prazeres quase sexuais ao sentar ao redor de mesinhas, sorvendo goles de chope, enquanto jovens metidos em macacões, botas de borracha e luvas de esponja esfregavam e enxaguavam seus bólidos, com ou sem pulverização de óleo de mamona.

A minha é a maior
A mais nova invenção do tragicômico lazer paulistano, porém, é uma espécie de redescoberta de algo bastante manjado, mas que ganhou nova dimensão nos últimos tempos e já movimentou milhões e milhões de dólares nos mercados formal e informal. Trata-se da mania de instalar verdadeiros trios elétricos no interior dos carros (sempre eles).

Os templos móveis da burguesia urbana agora tem de ter CD, disqueteira, módulo de potência (os antigos amplificadores), equalizadores, falantes coaxiais e triaxiais, bazookas, tudo isso com o melhor dos controles remotos e uma engenharia acústica de fazer inveja aos trens-bala do Japão.

Assim, legiões de marmanjos heterossexuais, assalariados, comprometidos afetivamente com em média 0,8 filho cada um reúnem-se, comparam os tamanhos das bazookas, contam mentiras sobre carros, mulheres, grandes tacadas profissionais, esportes e, geralmente no final, xingam o Maluf.

Apenas no último sábado, uma casa de instalação de equipamentos de som automotivo relativamente pequena, localizada no bairro da Lapa, na qual cabem apenas oito ou nove carros de cada vez, faturou cerca de 20 mil reais com nove funcionários instalando engenhocas das 8 da manhã às 8 da noite.

A mesma febre, que garante a sobrevivência de, pelo menos, duas revistas especializadas no assunto e dezenas de eventos, feiras e campeonatos, também assegura a manutenção do robusto movimento de queixas de roubos e furtos de aparelhos nos distritos.

Causa mortis
Entre as causas do fenômeno, as mais variadas e curiosas teses encontram abrigo: da falta de áreas para esportes, praças, praias, clubes e parques públicos onde se possa fazer algo mais interessante e saudável, até a lamentável falta de qualidade de nossas FMs.

Enquete feita nas últimas semanas por um jornal paulistano sobre a qualidade das emissoras da cidade revelou que 57% consideram-nas ‘um lixo’ e 36% as qualificam apenas como regulares. Junte-se a isso a quantidade absurda de camelôs vendendo qualquer CD a 5 reais e tem-se o caldo necessário para esta nova maneira encontrada pelo paulistano classe média para suportar a vida entre dezenas de milhões de semelhantes.

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