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Sobre o HDTV

Saiba um pouco mais sobre a tecnologia de vídeo que dispensa o uso de película

em 21 de setembro de 2005

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   O que deveríamos contar:
   O HDTV é um formato digital de alta definição e é uma alternativa ao método normal de captação de imagens em película 35 mm (como as câmeras fotográficas que usam negativo X as novas câmeras digitais). Com o HDTV é possível fazer cinema a um custo baixo, com alta qualidade. Utilizamos a câmera Sony HD F900 24p, a mesma utilizada por George Lucas no último Guerra nas Estrelas. Ela é capaz de captar imagens a 24 quadros por segundo, como cinema, e diferentemente das câmeras normais de vídeo que captam a 30 quadros. A economia é incrível: uma fita HD custa aproximadamente R$ 300 e grava 40 minutos, ao passo que um rolo de negativo custa R$ 600 e dura 3 minutos (não incluindo o custo de revelação).

   Um pouco mais sobre a verdade
  
Tinha acabado de fechar com o Lúcio Kodato, um dos grandes diretores de fotografia para fazer nosso filme. Não sei por que, mas só falamos com qual câmera iríamos filmar depois de fechado o acordo. 
   Contei que tinha uma câmera digital chamada XL1 e falei de alguns filmes que estavam sendo rodados com ela. Lúcio foi categórico: esquece, a fotografia vai ficar uma porcaria.
   Insisti que queria fazer no formato digital, assim poderia errar mais (uma vez que no digital podemos sempre regravar, ao contrário da película que, uma vez exposta, não tem mais volta). Ele disse então: ?Primeira opção HDTV, segunda, Beta, …?. 

   Faltavam duas semanas para o início da filmagem. Descobri que naquele momento no Brasil só existiam 5 cameras HD. Três da Globo, uma de uma empresa chamada Cinedigital e outra da Estúdios Mega. 
   Comecei a ligar três vezes ao dia para Cinedigital até conseguir falar com seu dono: Abelardo Blanco. Na 5a-feira a secretária dele me ligou. Disse que era para eu parar de ligar que ele iria me retornar.
   Na 2a-feira da mesma semana liguei para o Zé Augusto de Souza, diretor da Estúdios Mega. Ele disse que nem pensar, que a câmera da Mega nunca havia sido utilizada e que nunca ele iria pedir ao dono da câmera uma coisa dessas. Insisti durante 40 minutos que ele ao menos perguntasse. Ele finalmente concordou, sem nenhum entusiasmo.
   Na 6a-feira, o Abelardo, da Cinedigital, me chamou para conversar. Esperei uma hora. Expliquei que não podia pagar a câmera. Disse que tinha 3 mil reais. Ele perguntou se isso era por dia. Respondi que não; 3 mil reais era muito dentro do meu orçamento e para a empresa dele isso não iria fazer a diferença que faria para mim. Ele pensou, saiu da sala e voltou com um papel que jogou na mesa. Era uma instituição de caridade. Disse para eu doar os 3 mil para eles que isso sim faria a diferença. E me emprestou a câmera de graça.
   Cheguei em casa eufórico. Peguei os recados do celular e tinha um recado do Zé Augusto, da Estúdios Mega. Ele tinha conseguido a câmera da Mega. Entrei em pânico, afinal agora tinha duas câmeras em vez de nenhuma. Liguei para o Lúcio e ele preferiu usar a câmera da Mega. 
   Só me restou pedir de desculpas ao Abelardo. Disse que iria fazer a doação de qualquer modo. Isso por enquanto ficou impossível com o estouro nas contas do filme.

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