Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Ao contrário do que devem estar fazendo noventa por cento dos colunistas de todos os jornais do país essa semana, não vou falar de carnaval. Menos por não ter prestado atenção na festa, mais por que pessoalmente, tenho uma data especial para comemorar. E para mim tão ou mais alegre que a comemoração da semana passada.
É que completo hoje sete anos de coluna no Jornal da Tarde. Precisamente sete anos e dois dias, já que inaugurei esse espaço dia 9 de fevereiro de 1995.
Nessa infinidade de terças feiras, se a memória não me trai, acho que sempre resisti à tentação de escrever sobre o próprio ato de escrever a coluna. E não foi por falta de dias pontuados pela ausência absoluta de inspiração. Nesses dias, por exemplo, sempre procurei dar o espaço a algum texto, de alguém que dissesse mais do que tudo que eu pudesse discorrer sobre a tensão do ‘deadline’, a briga com o papel branco, e outros recursos do gênero.
O motivo é simples. O JT é um ambiente editorial, no qual não é preciso nem mesmo passar pela porta da frente, para se perceber o quanto se valoriza quem está do outro lado, olhando para o jornal. Sua personalidade o precede. Suas páginas vêm impregnadas de uma história importante de uma publicação que, nas décadas mais complicadas do século passado, conseguiu ao mesmo tempo inovar no desenho desse tipo de publicação, revolucionando linguagem e conteúdo na mesma medida.
Suas tintas foram compostas ao longo do tempo por inúmeros jornalistas da melhor estirpe, desde sua fundação com Mino Carta e uma equipe invejável, até os tempos mais recentes, nos quais tive o prazer de colaborar, com Fernão Mesquita à frente de um time combativo e esperto, com nomes do peso de Leão Serva, Fernando Mitre, Celso Kinjô e Murilo Felisberto, apenas para citar alguns dos generais de um exército onde não faltam feras em todos os postos, de todas as patentes.
SEXO E A CIDADE
Feita a devida declaração de amor,falta falar então, da outra ponta desse triângulo .
Quem já teve a chance de assistir à série ‘Sex and the city’, talvez possa entender melhor o prazer que se desenvolve nessas relações. A série é narrada por uma colunista de um jornal de Nova York, e gira em torno da vida dela própria , e de um punhado de amigas.
Como acontece de verdade no cérebro de um colunista, os highlights da vida de Carrie, vão sendo editados, selecionados e organizados num cantinho de sua cabeça reservado para isso , de modo que possam ser entregues ao público em forma de um extrato do que há de mais simbólico em suas existências.
Escrever uma coluna tem tudo, para o bem e para o mal, que uma relação aberta com milhares de pessoas pode trazer para um ser humano.Altas doses de carinho inesperadas, a exposição às vezes excessiva de sua intimidade, seus estados de espíritos, críticas, erros, acertos, furos, barrigas jornalísticas, tédio, vibração, altos e baixos. Como em qualquer relacionamento, a graça é descobrir que a imperfeição é condição humana, e deixar vir à tona toda sua verdade. É um privilégio, e é o que persigo com muito prazer.
Obrigado por esses sete anos de relacionamento caliente!
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