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Sem Limite

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Existe um limite para as propagandas de cigarro? Vale a pena, em nome de alguma ética, recusar um trabalho honesto, muito bem pago e aparentemente inócuo, por não querer ajudar a promover um produto tão letal como o cigarro? Excelentes profissionais brasileiros emprestaram suas idéias e talentos à milionária campanha campanha No Limits , da marca de cigarros Hollywood.

O minuto mais caro da história da publicidade. Esse é o investimento que a Souza Cruz dedicou para produzir a campanha da marca de cigarros Hollywood intitulada Hollywood Expedition – No Limits. Filmados em três locações extremas – desertos do Arizona (EUA) e Namíbia (África), e Antártida -, os filmes reúnem o que há de mais caro em equipamentos, além dos melhores profissionais do mercado. Nessa lista estão publicitários, fotógrafos, diretores de arte, técnicos e operadores, sem contar um atleta de ponta (bicampeão mundial de snowboard). Para quem não se lembra, os enredos dos três comerciais abusam de ação e mais uma vez atacam um terreno fértil e, não por coincidência, bastante usado nas campanhas de cigarros: esportes não convencionais. Agora o foco caiu no pára-quedismo, motocross, alpinismo e sandboard. Mesmo porque a Lei Federal nº 9.294, de 16 de julho de 1996, proíbe que o cigarro seja associado a esportes olímpicos.
TRIP teve acesso à fita de vídeo do making of dessa megaprodução, dividida em três capítulos. Nele, números impressionantes pipocam ante o telespectador: 230 profissionais contratados, 5.900 quilos de equipamentos transportados e 24 dias de filmagem. Para nossa surpresa, encontramos nos caracteres os nomes de excelentes profissionais brasileiros envolvidos no projeto. Marcelo Machado, Carlos Nader, Jimmy Leroy Faria, Amyr klink e Pedro Martinelli foram consultados pela reportagem de TRIP sobre os motivos que os levaram a colocar suas idéias e talento – indiscutível, diga-se de passagem – a serviço dos senhores do tabaco. A seguir, suas declarações:

MARCELO MACHADO (Não fumante, produtor de Rádio e TV da agência de propaganda DPZ e diretor do documentário /making of da campanha No Limits)
A minha questão ética original foi trabalhar ou não com publicidade. Na medida em que optei por este trabalho, no meu caso Produtor de Rádio e Televisão, não me é dado a opção de escolher clientes. O meu talento tem que ser usado para todos os clientes da agência.
RTV@dpz.com.br

CARLOS NADER (Não fumante, é videomaker e escreveu o roteiro do documentário / making of da campanha No Limits)
Prefiro não falar sobre o assunto. Sou do ramo e sei que se a gente fala uma coisa, depois sai tudo trocado.

JIMMY LEROY FARIA (Não fumante, diretor de arte da MTV e sócio da produtora Burritos. Foi um dos responsáveis pela direção de arte na finalização do documentário / making of da campanha No Limits)
A idéia de fumar acompanha a civilização há muitos anos. É uma coisa que faz parte da humanidade. Não sou a favor da indústria do tabaco, mas o Estado permite e regulamenta. Eu fiz este trabalho como outro qualquer, mas não pretendo trabalhar mais com esse tipo de indústria. Hoje em dia está acontecendo um consenso geral sobre o mal que o cigarro faz à saúde, e eu também estou nessa.
Jimmy.Leroy@mtv.com.br

AMYR KLINK (Não fumante. Aparece nos créditos do filme como Consultor Antártico)
Primeiramente, eu não coloquei meu talento a serviço de ninguém. Fui contratado, como qualquer outro trabalho, para ser uma espécie de guia para as filmagens do comercial na Antártida. Não me arrependo em momento algum de ter ido. Foi muito legal. Os americanos que estavam filmando não tinham muita noção do que dava e o do que não dava para fazer por lá. Os caras queriam posar um avião num iceberg, o que era uma loucura. Então sugeri que o que podia ser feito era uma escalada vertical num paredão de um iceberg, que não ia danificar nada no lugar. Acabei até criando uma confusão com a equipe de filmagem, porque eles esqueceram umas baterias numa das locações e eu fiz questão de voltar para pegar, o que acabou atrasando um pouco as filmagens. Então fiz um trabalho de fiscal e não um comercial para uma marca de cigarro.
akpp@amyrklink.com.br

PEDRO MARTINELLI (Fumante, fotógrafo, é colaborador das principais revistas da Editora Abril. É o fotógrafo oficial de toda a campanha No Limits)
Não vejo nada demais em ter feito as fotos para a campanha. Fiz um trabalho como qualquer outro. Acho essa patrulha um saco. Se pegasse 5% da atenção da mídia para cuidar de menino de rua, nossa vida ia melhorar muito. Ganhei um dinheiro honestamente, e esse tipo de trabalho faz parte da minha profissão. Essa grana eu invisto num projeto que tenho na Amazônia. Eu concordo que o cigarro mata. Mas e o álcool? Esse tipo de campanha é coisa de americano que tem que pagar conta. Nós somos países de terceiro mundo e temos problemas muitos mais sérios.
Pedromar@uol.com.br

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