Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Na temporada de 1997 eu, o Guilherme Gross e o Carlos Burle estávamos no Havaí filmando para a Redley. Ouvimos falar de uma ilha do arquipélago pouco conhecida e mantida em segredo pelos locais. Para que pudéssemos surfar e filmar a melhor onda da ilha tivemos que nos comprometer a manter o nome e a localização do pico em sigilo. Resolvemos então batizar a onda com o nome de Toi Toi e restringir os dados geográficos.
Já estávamos quase 20 dias em Toi Toi surfando boas ondas, mas a esperança era de que o mar subisse e pudéssemos descobrir todo o potencial do pico. Estava previsto a chegada de uma ondulação de oeste, de 12 pés. A direção do swell era perfeita e o tamanho, mesmo não sendo o ideal, seria o suficiente para colocar nossas pranchas de ondas grandes na água.
Quando chegamos a Toi Toi na manhã seguinte o mar tinha subido, mas de longe não parecia grande coisa. A primeira pessoa que vimos na praia aquele dia foi o big rider havaiano e local do pico Titus Kinimaka, com uma 11 pés debaixo do braço. Perguntei o que ele ia fazer com uma prancha tão grande. ‘Você vai precisar de cada polegada dessa prancha’, disse o havaiano. Na hora achei que tudo não passava de uma brincadeira para botar medo na galera do Brasil. A cena seguinte, logo depois de passar a arrebentação, foi o Titus descendo uma onda de pelo menos 15 pés e colocando pra dentro de um salão gigantesco com os braços para cima. Neste momento tive a certeza de que ele não estava brincando.
O mar estava gigante e perfeito, parecia um filme. As maiores da série chegavam aos 18 pés e o drop lembrava muito Waimea, com a vantagem da onda continuar rodando por muito tempo. Era sem dúvida o melhor pico de ondas grandes que eu havia surfado em toda minha vida. Na primeira onda que eu peguei, um local entrou na minha frente e fui obrigado a dropar reto. Foram 20 minutos só para voltar ao pico. A segunda onda parecia um replay da primeira, mas desta vez decidi ignorar a presença do local a minha frente e botei pra dentro de um tubo enorme.
Daí em diante ganhei confiança e passei a surfar cada vez mais solto. Pouco antes de terminar a sessão entrou a maior onda do dia. Estava no lugar certo, e com todos os locais olhando não havia outra escolha a não ser remar e tentar o drop. A onda tinha uns 20 pés e minha 8’6′ parecia um chaveiro naquela montanha d’água. Consegui completar o drop quase na vertical, mas na hora de virar na base da onda não teve jeito e tomei o pior caldo da minha vida. Mal pude respirar antes de tomar a onda de trás. Passei quase um ano pensando naqueles segundos que fiquei debaixo d’água. Eu sabia que poderia ter morrido aquele dia. Mas apesar de tudo o que ficou mesmo gravado na memória foram as ondas surfadas em Toi Toi. Tenho a esperança de algum dia voltar lá e pegar aquelas ondas de novo.
Essa história de Eraldo Gueiros e outras de ondas grandes estão no www.bigtrip.com.br, o site do concurso que premiará o brasileiro que pegou a maior onda da temporada 2000/2001, apresenta ainda alguns destacados candidatos aos R$ 30 mil de prêmio. O resultado sai na segunda quinzena de maio.
NOTAS
WCT – AUSTRÁLIA
O convidado Mick Fanning, 19, foi o vencedor da prova de abertura do mundial de surfe, disputada em ótimas ondas em Bell’s. Ele, que já havia sido campeão e vice nas etapas do WQS nas últimas semanas, embolsou US$ 30 mil e evidenciou que não há favoritos para a temporada 2001. Daniel Wills, segundo colocado, é o líder do ranking.
BRASILEIRO AMADOR
Realizadas as etapas de Maracaípe (PE) e Icaraí (CE), São Paulo e Santa Catarina alternaram a liderança do circuito, por equipes. Ao final de seis etapas será definido o time que disputará o Panamericano, na Venezuela no fim do ano.
DUAS JUSTAS HOMENAGENS
Será inaugurado no próximo sábado na Praia do Tombo, Guarujá, o posto de salva-vidas Mirante Paulo Tendas, pioneiro surfista morto em 89 e na terça, 24, no The Bar, festa em benefício de Otaviano ‘Taiu’ Bueno.
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