por Sabrina Duran

Lola limpa a casa feito uma santa só pra tornar o marido um devoto

Santa Lola

Lola limpa a casa feito uma santa só pra tornar o marido um devoto. Ela ventila bem a cama todas as manhãs sacudindo os lençóis; varre cada cantinho do lar; não faz hora na cama ao despertar e põe-se a trabalhar enquanto o marido se arruma para a lida. Lola desvenda o brilho no assoalho todo para ter uma casa alegre e primorosa; ela tira o pó de todos os objetos sem nunca esquecer do insignificante telefone sobre a cantoneira. Lola, divina, não sacode as almofadas porque sabe que, assim, as danifica. Antes, ela as escova ou golpeia de leve com o instrumento adequado. Lola vela a cada dia pela limpeza imaculada do banheiro e da cozinha; evita o acúmulo de roupas sujas no cesto lavando-as ao ritmo em que são ali depositadas. Santa Lola, bogotenha de sangue, vive em agosto de 1970 e leu atentamente as dicas da boa dona de casa da revista Rosita, edição 1079. O marido que não defraude seus milagres e santidade entrando em casa bêbado e emporcalhado sapecando-lhe um safado tapa na bunda.

 

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