SALVE SIMPATIA
Um garoto de 19 anos ficou a 11 posições da etapa de abertura do circuito mundial de surfe
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Um garoto de 19 anos foi, com todos os méritos, o grande vencedor da etapa de abertura do circuito mundial de surfe (WCT): Mick Fanning que nem faz parte da elite mundial, composta por 45 atletas. Ele competiu como convidado da Rip Curl, patrocinador da prova, e ratificou a grande fase das ótimas ondas de Bell’s Beach.
O jovem australiano disputou o ranking de acesso no ano passado e ficou apenas em 30º lugar. O ranking que classifica 15 atletas para a divisão principal acabou incluindo até o 19º colocado, isto porque alguns nomes eram comuns às duas listas. O talentoso Mick ficou a 11 posições da elite.
O garoto deve ter passado as férias fazendo lição de casa para ter um início de temporada tão avassalador. Além da vitória sobre os melhores do mundo, ele já havia vencido na semana anterior a principal etapa do WQS até aqui, disputada em ondas de até 12 pés em Margareth River, além de ter ficado em segundo em Kirra, resultados que o levaram a liderar o WQS com folga.
Pode estar pintando um novo fenômeno, mas o mais provável é que Mick tenha vivido, ou esteja vivendo, um momento iluminado. Digo isto porque os exemplos se multiplicam. Recentemente, o brasileiro Neco Padaratz teve desempenho parecido em Huntington, Califórnia, e quando voltou à elite ficou mais da metade da temporada sem vencer uma bateria sequer.
A real é que o tour é cruelmente disputado. Baterias com 30 pontos em disputa são decididas por um décimo de ponto – é comum o campeão de uma etapa amargar a última posição na etapa seguinte, como também nomes da cabeça do ranking serem derrubados pelos que estão na rabeira.
Até o ‘imbatível’ Kelly Slater está experimentando dificuldades. Desde o ano passado, quando começou a esboçar seu retorno cada vez mais evidente ao circuito, seus resultados não são os mesmos que o levaram à conquista de seis títulos mundiais. Também competindo como convidado ele não foi além da segunda fase no Rip Curl.
Nos últimos anos, pós Slater, nomes vistos como simpáticos ao título, atingiram seus objetivos. Veteranos e merecedores Occhilupo e Garcia não eram considerados favoritos. Este ano a lista de nomes que a ASP pode ver com simpatia afunilou. Rob Machado, Taj Burrow, Andy Irons, os Shanes, Dorian, Powell, Beschen e não vai muito além disso.
Para os brasileiros, resta seguirem como azarões, já que, apesar de hoje já representarem o segundo maior contingente, com 11 atletas, no Tour, continuam sendo vistos com antipatia pela mídia internacional. Numa avaliação publicada pela revista norte-americana Surfer, apenas dois atletas do país devem fazer uma temporada regular – para os outros nove, queda.
Bem, caso isso valesse alguma coisa, jamais teríamos conquistado os diversos títulos do WQS, o pro-júnior, o mundial por equipes, o mundial de ondas grandes…
NOTAS
SUPERSURF
Adiado para hoje por falta de ondas o início da 15ª edição do circuito nacional, em Saquarema, Rio. Premiação maior (R$ 80 mil), estrutura móvel, cobertura pela MTV e o formato idêntico ao mundial – o que favorece os integrantes do WCT, campeões desde 96 – são algumas das novidades.
CORRIDA DE AVENTURA
Um workshop com Cathy Sassin, 37, a melhor competidora da modalidade, acontece hoje integrando a programação do Reebok Swatch Ecomotion, circuito que terá sua etapa decisiva este fim-de-semana em Itatiaia, Rio – www.ecomotion.com
WAKEBOARD
São Carlos, SP, recebe este fim de semana a 2ª etapa, de um total de seis, do Brasileiro. No sábado, o lançamento do primeiro vídeo nacional, produzido pela equipe Liquid Force, integra o evento.
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