Trip
Rolê com o Morcheeba
Numa manhã chuvosa, os ingleses do Morcheeba foram dar um rolê nas galerias do centro da cidade de São Paulo em busca de vinis
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
| por Endrigo Chiri Braz |
| A caminho do centro, Ross Godfrey, 24, guitarrista, diz que além de boa música, espera encontrar belas mulheres no Brasil. Sempre me disseram que as mulheres brasileiras são demais mas ainda não vi nenhuma. Estou desapontado. Infelizmente, o destino de Ross, seu irmão, baterista e DJ, Paul, 28, e a vocalista Skye, 28, não é o lugar mais indicado para encontrar mulher bonita. Em compensação, lojas de disco para todos os gostos não faltam. Para quem costuma gastar mais de R$ 2 mil por mês só em vinil, ir as comprar nas galerias do centro é tudo que eles precisavam. |
Apesar da chuva, Paul e Skye caminham determinados à caça de sons novos para suas discotecas. Paul antecipa o que está procurando: Apenas compramos discos pela aparência da capa. Discos lançados entre 1968 e 1974, com capa boa, compramos todos, completa Ross. |
Antes de ser vocalista do Morcheeba, Skye trabalhava com moda e sempre que pode produz seus próprios modelitos. As roupas daqui não são muito diferentes das de Londres. Gosto da moda relacionada ao skate, inclusive, costumava andar até engravidar do segundo filho, afirma Skye enquanto busca inspiração para sua próxima coleção. |
Na Flórida Records, Paul deixa o queixo cair com o som do PosseMente Zulu: É a primeira vez que ouço rap nacional. As bases são fantásticas mas não entendo as letras. É uma pena, porque no rap elas são fundamentais. No fim das contas, comprou um disco de remixes do D’angelo: As mulheres adoram quando toco esse som em festas na Europa. |
Skye tenta esconder sua timidez atrás de Eddie Murphy, minutos antes de arrematar um disco do Village People, chamado In The Navy e That’s The Way It Is da Mary Kim, na loja City Sounds. Quanto à música brasileira, ontem ouvi um disco da Bebel Gilberto e achei as melodias lindas. Uma musicalidade simplista e muito boa. |
Ross só parou de pensar em vinil para tentar a sorte a bordo de um cavaquinho. Mesmo com catorze anos de guitarra, a loja parou para ouvir as aberrações sonoras de Ross às voltas com um tão pequenininho. |
Na Baratos Afins, os Morcheebas se esbaldaram. Skye comprou, depois de muita insistência da minha parte, Trem Azul da Elis Regina. Não permitiria que uma vocalista como ela fosse embora sem levar um disco da Elis. |
A teoria da capa bonita muitas vezes funciona mas também deixa a desejar. A lista de compras de Ross continha o disco de Beto Guedes, Danilo Caymmi, Nouvelle e Toninho Horta — Uma banda que faz a foto da capa no banheiro deve ser legal –; Índia de Gal Costa — Comprei esse porque tem uma mulher na capa e se chama Índia –; Dori Caymmi — Nunca ouvi este homem mas parece ser um bom folk –; Secos & Molhados — Esse foi porque você indicou; A Pedra do Genesis de Raul Seixas — Meu irmão comprou um desse cara ontem. Levei porque ele parece o Che Guevara–; Bob de Carlos — Não faço idéia do que seja mas ele parece ser um cara bacana; e mais: Felino de Luis Melodia, Arrasta Povo de Roberto Ribeiro e uma coletânea de rock nacional. |
Os irmãos Godfrey discutem se levam um Roberto Carlos. Eu incentivei dizendo se tratar do Rei do Iê-iê-iê mas a foto da capa superou a realeza e o Robertão ficou na prateleira. |
Além de Elis & Tom de Elis Regina, Agariha do Alpha III, Chão Sagrado de Rodger Teti e Beleléu de Itamar Assumpção, Paul apavorou nos Mutantes e levou A Divina Comédia, Jardim Elétrico, No País dos Baurets, O A e o Z, Personalidades e Algo Mais. Ross não ficou atrás e também comprou A Divina Comédia, Jardim Elétrico, No País dos Baurets e O A e o Z. Para garantir, os irmãos compraram uma coleção de sete CDs dos Mutantes: Fomos apresentados aos Mutantes há alguns dias e deliramos. Os Mutantes são maravilhosos, as melodias são lindas e a música muito intensa. Incrível, muito inspirador, justificam a euforia. |
Além de 1.280 reais gastos com 34 discos em duas horas de compras, os Morcheebas deixaram suas impressões sobre São Paulo: para Skye, São Paulo é uma loucura, comparável a São Francisco. Gostaria de voltar no Carnaval para ver as danças, minha visão do Brasil era de festividade. Ah, também não vi nenhum homem bonito. Esperava que fosse mais bonito. As pessoas e a música são lindas mas a cidade é muito maluca. Já visitei muitas cidades e essa daqui é a mais louca, compara Paul. Na verdade, não sabia o que esperar. Nunca tinha visto fotos de São Paulo mas sabia que seria uma grande cidade industrial. Estava assistindo a um jogo do futebol local e é muito bom. Melhor que o britânico, finaliza Ross, torcedor do Chelsea. |
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Antes de ser vocalista do Morcheeba, Skye trabalhava com moda e sempre que pode produz seus próprios modelitos. As roupas daqui não são muito diferentes das de Londres. Gosto da moda relacionada ao skate, inclusive, costumava andar até engravidar do segundo filho, afirma Skye enquanto busca inspiração para sua próxima coleção.
Na Flórida Records, Paul deixa o queixo cair com o som do PosseMente Zulu: É a primeira vez que ouço rap nacional. As bases são fantásticas mas não entendo as letras. É uma pena, porque no rap elas são fundamentais. No fim das contas, comprou um disco de remixes do D’angelo: As mulheres adoram quando toco esse som em festas na Europa.
Skye tenta esconder sua timidez atrás de Eddie Murphy, minutos antes de arrematar um disco do Village People, chamado In The Navy e That’s The Way It Is da Mary Kim, na loja City Sounds. Quanto à música brasileira, ontem ouvi um disco da Bebel Gilberto e achei as melodias lindas. Uma musicalidade simplista e muito boa.
Ross só parou de pensar em vinil para tentar a sorte a bordo de um cavaquinho. Mesmo com catorze anos de guitarra, a loja parou para ouvir as aberrações sonoras de Ross às voltas com um tão pequenininho.
Na Baratos Afins, os Morcheebas se esbaldaram. Skye comprou, depois de muita insistência da minha parte, Trem Azul da Elis Regina. Não permitiria que uma vocalista como ela fosse embora sem levar um disco da Elis.
A teoria da capa bonita muitas vezes funciona mas também deixa a desejar. A lista de compras de Ross continha o disco de Beto Guedes, Danilo Caymmi, Nouvelle e Toninho Horta — Uma banda que faz a foto da capa no banheiro deve ser legal –; Índia de Gal Costa — Comprei esse porque tem uma mulher na capa e se chama Índia –; Dori Caymmi — Nunca ouvi este homem mas parece ser um bom folk –; Secos & Molhados — Esse foi porque você indicou; A Pedra do Genesis de Raul Seixas — Meu irmão comprou um desse cara ontem. Levei porque ele parece o Che Guevara–; Bob de Carlos — Não faço idéia do que seja mas ele parece ser um cara bacana; e mais: Felino de Luis Melodia, Arrasta Povo de Roberto Ribeiro e uma coletânea de rock nacional.
Os irmãos Godfrey discutem se levam um Roberto Carlos. Eu incentivei dizendo se tratar do Rei do Iê-iê-iê mas a foto da capa superou a realeza e o Robertão ficou na prateleira.
Além de Elis & Tom de Elis Regina, Agariha do Alpha III, Chão Sagrado de Rodger Teti e Beleléu de Itamar Assumpção, Paul apavorou nos Mutantes e levou A Divina Comédia, Jardim Elétrico, No País dos Baurets, O A e o Z, Personalidades e Algo Mais. Ross não ficou atrás e também comprou A Divina Comédia, Jardim Elétrico, No País dos Baurets e O A e o Z. Para garantir, os irmãos compraram uma coleção de sete CDs dos Mutantes: Fomos apresentados aos Mutantes há alguns dias e deliramos. Os Mutantes são maravilhosos, as melodias são lindas e a música muito intensa. Incrível, muito inspirador, justificam a euforia.
Além de 1.280 reais gastos com 34 discos em duas horas de compras, os Morcheebas deixaram suas impressões sobre São Paulo: para Skye, São Paulo é uma loucura, comparável a São Francisco. Gostaria de voltar no Carnaval para ver as danças, minha visão do Brasil era de festividade. Ah, também não vi nenhum homem bonito. Esperava que fosse mais bonito. As pessoas e a música são lindas mas a cidade é muito maluca. Já visitei muitas cidades e essa daqui é a mais louca, compara Paul. Na verdade, não sabia o que esperar. Nunca tinha visto fotos de São Paulo mas sabia que seria uma grande cidade industrial. Estava assistindo a um jogo do futebol local e é muito bom. Melhor que o britânico, finaliza Ross, torcedor do Chelsea.