Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Fora a empolgação pela circunstância especial, foi no mínimo emocionante ter presenciado ?senhores? da faixa dos 30 até a idade do Sr.Cezinha Chaves, se divertindo como crianças e andando com a autoridade de quem começou a ?brincadeira?. O III Urgh Lendas do Skate, no último fim de semana, foi uma verdadeira festa e um tributo aos velhos tempos do ?skate for fun? realizado no clássico cenário das pistas do Itaguará Country Clube, em Guaratinguetá, Vale do Paraíba – não coincidentemente uma das regiões mais fortes do skate nacional com a média de pelo menos uma boa pista por município, além de um punhado de novos talentos.
Foi lá, na década de 80, que aconteceram os maiores campeonatos nacionais de que tivemos notícia. De 83 a 88, religiosamente uma vez ao ano, competidores e simpatizantes de todo o país se deslocavam para uma jornada de dois fins de semana de muito skate, adrenalina, zoeira e festa, muita festa.
Hotéis lotados pelos competidores, fãs dormindo na praça e punks sem dormir compunham o cenário que compreendia todas as modalidades da época.
O vertical se dividia em duas categorias, uma delas no cavernoso bowl inaugurado em 81, e a outra no bank?s que deu origem ao evento. Somavam também o freestyle e o street, que rolavam nas duas quadras perto do salão de festas. Tudo isso reunindo amadores e profissionais em número recorde de quinhentos competidores por edição.
Guará manteve a chama acesa na época de vacas magras do skate vertical e hoje abriga o mais recente campeonato da primeira geração de masters do esporte. O Lendas do Skate teve sua terceira versão este ano e, até alguns anos atrás, era um evento impensável pelo simples fato de essa ser a primeira ?turma? dos mais velhos. O esporte é muito recente, porém caminha firme e forte, um bom indício é ver pais de família, empresários, marketeiros ou profissionais liberais, andando muito, com a linguagem e o estilo pioneiro que marcou época e influenciou gerações e responsável pelo surgimento de talentos como Léo Kakinho e Bob Burnquist.
Para quem não sabe, Léo Kakinho foi vice-campeão brasileiro profissional em 1988 competindo no bank?s. Com apenas 12 anos de idade perdeu apenas para o imbatível Álvaro ?Porque?. Depois se mudou para Floripa, SC, para ficar perto da praia mas continua andando até hoje. Léo espera ansiosamente a chegada da idade mínima para participação no Lendas, enquanto isso divide com seu irmão Gui a soberania da pista nas provas de best trick.
Entre carvings, roll ins e aéreos passando o ?calombo?, destaque para figuras como Luís Neguinho, 40 anos, exímio surfista profissional da década de 80 e finalista da Grand Master (37 +); Monika Polishtikuv, mãe de três filhos andando mais que muito marmanjo; Totó e Indião finalistas representando a ?nova geração? dos masters, dentre vários outros que só por estarem lá já justificam a vitória pessoal de cada um. No master deu a lógica e quem levou foi o bicampeão Jeff ?Baiano?, local da também tradicional pista pública de São Bernardo do Campo. No grand master a disputa esteve acirrada e o vencedor mais uma vez foi Antonio Junior, conhecedor de cada centímetro daquele concreto que ele mesmo construiu.
A chuva parou para o campeonato, São Pedro ajudou, ninguém se machucou. Final feliz de uma longa história…
Melou
Pela terceira vez na história do WCT uma etapa não foi finalizada por falta de ondas. A prova disputada em Portugal terminou com os 16 primeiros dividindo o prêmio ? US$ 11 mil. A situação dos brasileiros no mundial de surfe segue crítica. Hoje começa a oitava etapa, na França.
Surfe e Arte
O havaiano Gerry Lopez, rei de Pipeline, se juntou ao artista plástico brasileiro Vic Muniz, em Nova York, para a inspiração do material de lançamento da Mandi Wear, confecção de moda esporte que estréia no verão.
Super Surf
Foi confirmada a realização do Circuito Brasileiro por mais três anos. A partir de 2003 o formato muda e mais atletas poderão competir.
Skate vertical
A quarta etapa do Circuito Brasileiro acontece este fim de semana em São Paulo (Rua da Consolação, 1515). Um kilo de alimento garante a entrada.
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