REGRAS SOB MEDIDA
Na temporada do Campeonato Mundial de Surfe, que terá inicio dia 10 do próximo mês, o Brasil terá 11 competidores entre os 42 classificados pelos dois rankings
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
O australiano Wayne Bartholomew foi um dos primeiros campeões mundiais de surfe. Na época, a Austrália estava para o mundial de surfe assim como o Brasil estava para o de futebol de areia.
Disputado por poucos, as regras favoreciam esta elite que mais queria era se perpetuar. Os chamados Top 16 eram quase intocáveis.
Demorou, mas as regras foram mudando, a hegemonia australiana minguando e o circuito está cada vez mais se aproximando da realidade proposta: um Mundial.
Três décadas passadas ‘Rabbit’, como Wayne ficou conhecido, ocupa a presidência da ASP (Association of Surfing Professional), a entidade que controla as principais competições do esporte.
Coincidência ou não as recentes mudanças, é bom frisar a maior parte delas positivas, apontam para um favorecimento, ou para dizer o mínimo, uma adequação ao calendário de provas australiano.
Até o ano passado a ASP América do Sul, uma das 7 regiões da entidade, promovia a perna que mais pontos e prêmios distribuía no Tour. Isso contribuiu para o aumento de brasileiros entre os credenciados a disputar o circuito principal, WCT.
Na temporada que terá inicio dia 10 do próximo mês, o Brasil terá 11 competidores entre os 42 classificados pelos dois rankings, WQS e WCT. Outros 3 convidados da ASP por temporada e 3 outros por prova completam os 48 que disputam cada uma das 9 etapas previstas para 2001.
Essa quantidade recorde supera o número de norte-americanos e só fica atrás dos australianos, com 17 atletas. A diferença é que enquanto o nosso sobe, o deles desce.
Em 2000 limitou-se em 3 o número de etapas por região que somavam pontos para o ranking. São os 8 melhores resultados do ranking de acesso que determinam os 15 classificados pelo WQS. A Austrália promoveu 3 grandes provas importantes o ano passado. Este ano nova mudança: o número subiu para quatro. E quantas provas a Austrália irá promover? Quatro outras mudanças estréiam ou voltam este ano. No WQS voltam a somar pontos as provas de uma a três estrelas, e estreiam as etapas ‘Prime’. Considerada as com melhores condições de ondas, darão 10% acima da pontuação.
No WCT também haverá o critério ‘Prime’, com 20% de bônus, em 6 provas. Mas esta grande mudança na principal divisão do surfe mundial é o calendário reduzido e o significativo aumento da premiação. De 12 as provas foram reduzidas a 9, enquanto a premiação total subiu de US$ 1,5 milhão para US$ 2,3 milhões.
A temporada está iniciando e o que se percebe é uma nivelação dos competidores. Desde o afastamento voluntário do norte-americano Kelly Slater, não existem favoritos. Nas duas últimas edições veteranos que por diversas vezes haviam chegado perto do título, finalmente alcançaram seus objetivos. Agora está difícil apontar um destaque. A única previsão que arriscaria é que o número de europeus, que apesar de promoverem há anos uma perna muito forte não passavam de coadjuvantes, irá crescer no Tour em 2002.
NOTAS
Poluição
Itamambuca, Ubatuba, SP, pede socorro. Uma das mais bonitas e melhores praias de nosso litoral para a prática de surfe está seriamente comprometida. Segundo dados da Cetesb, a poluição no Rio Itamambuca é crescente e alarmante. Não bastasse, o prefeito autorizou a instalação de barracas de comércio por toda a praia.
Montanha abaixo
Este fim-de-semana em Cape Town, África do Sul, o Red Bull Downhill Extreme, reunirá alguns dos melhores do mundo em street luge, skate e in-line. Alexandre Maia, Diego Kasper e Fernando Vicenzi representarão o Brasil, além de Sandro Dias, que fará apresentação no halfpipe.
Super Surf
Um atraso na confirmação, e Maresias, SP, ficou de fora do Circuito este ano. Saquarema, RJ, que há anos não sedia uma prova importante, abre o calendário entre os dias 25 e 29 de abril. Ao todo serão seis etapas.
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