Por Redação
em 21 de setembro de 2005
por AC, consultor financeiro da TRIP Editora*
Sua carreira ainda não engrenou e seu salário mal dá para o básico. Talvez o melhor conselho seja: gaste tudo. Mesmo! Existe uma coisa em economia chamada lei da utilidade marginal decrescente – um nome complexo para um conceito simples. Um copo de água para alguém que está no deserto vale muito, muito mesmo. O segundo copo também vale bastante. Já o décimo copo vale bem menos. Com o dinheiro é a mesma coisa. Quando você ganha R$ 2 mil, para deixar de gastar R$ 100 você provavelmente corta alguma coisa muito útil – livros importados, a assinatura de uma revista, uma baladinha de quinta à noite. Resultado: além de ficar mal informado, deixa de conhecer pessoas interessantes, que podem ser fontes de oportunidades de trabalho e de negócios no futuro. Em vez de ir para a frente, você fica estagnado.
Tolerância zero
O décimo copo de água vale menos, certo? Então, depois de satisfeitas as suas necessidades mais prementes, comece a avaliar se o que você está comprando é realmente útil ou se é um capricho. O dinheiro que sobra, pode aplicar. O mega-investidor Warren Buffet é um maravilhado pelo poder de multiplicação dos juros compostos. De fato: aplicando R$ 500 por mês num fundo que renda 1,5% líquido ao mês, em cerca de 7 anos você terá uns R$ 100 mil. Esse prazo cai bastante se, ao longo do tempo, você for subindo o valor aplicado e/ou optar por investimentos de maior risco e retorno.
Liberdade pra dentro da carteira
Então, quando você tiver uma grana na mão, vai lá e investe metade num carrão e metade dando entrada num apê, certo? Errado. Pelo menos se sua meta for transformar o dinheiro num instrumento de libertação. Com o apartamento vem IPTU, condomínio, manutenção – e principalmente, juros astronômicos embutidos nas prestações. Com o carro vem IPVA, seguro, manutenção, desvalorização com o uso. Aí você vai lá e financia a troca do carro por um mais sexy. E vai correr atrás do rabo a vida inteira montado na armadilha do custo fixo: se você parar de trabalhar, quebra no mês seguinte.
Escravo do dindin
O ideal é: arrume um jeito do seu dinheiro trabalhar para você. Trabalhei com um cara que, nas horas vagas, descobriu que um banco leiloava carros recuperados de maus pagadores de empréstimos e os vendia a preços de liquidação. Não raro, o antigo dono, sabendo que o carro ia ser apreendido, esmerilhava. Pois bem: meu amigo comprava o carro do banco, dava um tapa no visual, anunciava o veículo no jornal e vendia. Tudo isso demorava uns 3 meses. Dava um lucro de até 30%. Fazendo isso 3 vezes por ano, ele dobrava o seu capital. Esse é o espírito. Pode ser uma franquia de lavanderia de que seu primo vai tomar conta, uma participação no restaurante de um amigo ou sei lá o quê. O negócio é fazer com que o dinheiro gere mais dinheiro.
Aposentadoria precoce
Reaplicando o dinheiro gerado em novos empreendimentos, você chegará a um ponto onde estes rendimentos superam a suas despesas mensais. Ponto de libertação. Seu dinheiro trabalha para você. E você trabalha se, com o que e quando quiser. Afinal, é para isso que serve o dinheiro. Ou é você que serve a ele?
*Este texto foi inspirado nos ensinamentos de Robert T. Kiyosaki, autor do livro Rich Dad, Poor Dad: What the Rich Teach Their Kids About Money That the Poor & Middle Class Do Not! (Warner Books) e If You Want to Be Rich & Happy: Don’t Go to School?, e em conversas com empresários. O autor está longe de estar livre do trabalho. Mas anda sempre à procura de um bom investimento.
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