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QUEIMAR OPORTUNIDADE

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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O surfe vive um momento especial no país. O terceiro lugar obtido por Victor Ribas no Mundial, a participação de nove atletas do Brasil no Tour, a possibilidade de virmos a sediar, em Fernando de Noronha, mais uma prova do Circuito, e o desenvolvimento do surfe feminino, um tabu quebrado que trouxe novas oportunidades ao mercado, são alguns dos indicadores.
Atentos a esse movimento, alguns empresários resolveram ir mais fundo na avaliação e contrataram uma pesquisa para formalizar a percepção. Bem elaboradas, os dados tabulados colocam o surfe em terceiro lugar na preferência dos que acompanham o esporte pela TV, atrás apenas do futebol e do vôlei, e em quinto entre os mais praticados. Neste aspecto, com ginástica e natação à sua frente, esportes muito mais direcionados para a preparação física do que para a diversão, o surfe se coloca entre os três preferidos do público nacional no essencial quesito prazer.
Ratificado o potencial para investimento, a FBL, empresa formada por surfistas, a Abril Eventos, Traffic / Band e a Abrasp se organizaram para promover o SuperSurf, o novo circuito brasileiro de surfe.
Nos mesmos moldes de disputa do Circuito Mundial, primeira e segunda divisões, o Brasileiro supera em premiação e divulgação os circuitos norte-americano e australiano. Ao menos é o que se propõe.
O Circuito, que tem início hoje em Maresias, SP, terá seis etapas este ano e irá distribuir R$ 75 mil por etapa, sendo R$ 60 mil para o masculino. Para os próximos anos, prevê-se o aumento desses valores, chegando em 2002 a R$ 125 mil.
A Band fará a cobertura televisiva com um programa semanal no sábado à tarde, e estuda-se entradas ao vivo nos domingos quando houver competição.
O surfe está entre as atividades mais prazerosas e desafiadoras que o ser humano pode experimentar. Sua crescente popularização evidencia que é também um bom negócio e ainda se encaixa em conceitos atuais como preservação, contato com a natureza, bem-estar e saúde.
O SuperSurf pode e deve portanto atrair patrocinadores de fora do surfwear. Marcas que precisam estar alinhadas com esses conceitos, idealmente não só na imagem, mas, e principalmente, na identidade da marca.
A primeira etapa começa hoje sem patrocinador. Houve pouco tempo para a comercialização, esta é a justificativa. E é mesmo provável, já que, com o poder de divulgação dos envolvidos não deve ser difícil encontrar um interessado. Digo isso sem saber por quanto o produto vem sendo oferecido.
Há cerca de seis anos, o esporte viveu uma situação parecida. A Globo montou um pacote que envolvia a divulgação das etapas no Esporte Espetacular, quando o programa entrava após o Fantástico. Tudo parecia ir bem quando uma greve dos surfistas por melhores prêmios melou o projeto.
Se existe algo com o que se preocupar, é o relacionamento entre os envolvidos. E já houve uma cisão no grupo empreendedor.

NOTAS

SUPER TRIALS
Tadeu Pereira foi o vencedor da terceira etapa realizada em Maresias, SP, no último domingo. Com o resultado ele assumiu a liderança do ranking. No feminino, primeira etapa, Jaqueline Silva saiu na frente.

ACIDENTE
O piloto de asa-delta Élcio Luis Calixto morreu no último domingo, dia 04 de abril, num acidente em Andradas, MG. A mil metros da rampa de salto, sua asa chocou-se com o paraglider de Henrique Arantes. Élcio não acionou o pára-quedas reserva, caindo em queda livre. Henrique conseguiu acionar seu equipamento de emergência e teve apenas ferimentos leves.

NEVE NO PACAEMBU
Está marcado para os dias 9, 10 e 11 de junho o Festival Suíça 2000, que deverá erguer, em pleno Estádio do Pacaembu, duas pistas de snowboard – uma para profissionais e outra aberta ao público. A rampa para Big Air terá 25 m de altura e 100 m de comprimento, e a outra, 15 m de altura – ambas serão feitas de ‘neve química’, uma composição de água e nitrogênio normalmente usada em campeonatos internacionais.

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Personalidade da semana
O brasileiro Rodrigo Arruda é um dos mais promissores skatistas do momento. Com apenas 15 anos, já compete na categoria profissional de street. O garoto prodígio ficou em terceiro lugar no Tampa Pro 2000, campeonato open que aconteceu em março, na Flórida, EUA.

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Noticiário da semana
Quinta 30/04: Com um coquetel na sede da Editora Abril, é lançado o Circuito Brasileiro de Surf Profissional, Super Surf.

Sábado 01/04: Com o original título ‘Na crista da onda’, Joana ‘Feiticeira’ Prado, e um empresário de terno sobre uma prancha, a Veja São Paulo comenta a ‘tribo’ do surfe e o circuito.

Segunda 03/04: Morre em acidente de asa-delta Élcio Luis Calixto, após chocar-se com o paraglider Henrique Henrique Arantes, que acionou seu pára-quedas de emergência e só teve ferimentos leves. Domingo, em Andradas, MG.

Da semana anterior
Matéria com foto publicada no Wall Street Journal deu destaque ao campeonato de surf na Pororoca

Pergunta para os internautas
Você acha que o Parque do Ibirapuera deve acabar com suas quadras e áreas para a prática de esportes?

Dica de TV da semana
ESPN Brasil, 19h, dia 07/04, Sexta-feira
Programa ‘Ação’ promove debate sobre a revitalização do Tietê, que já recebeu US$ 200 milhões do BID, e pouco mudou. Entre os debatedores, representantes da Sabesp, Cetesb, do Núcleo Pró Tietê e Vicente Adorno, autor do livro, ‘Uma promessa de futuro para as águas do passado’.

E-MAILS respondidos
Bom dia Califa.
De vez em quando, em ocasiões que estou em Sampa, leio sua coluna na Folha, super legal, sempre atual. Na quinta passada, dia 23 de março, estava voltando de Sampa para Rio e peguei a Folha no avião; Sunny Day. Tudo legal, atual, interessante, etc. Uma única frase , na minha opinião, azedou toda a coluna, foi a nota sobre o Campeonato da Prainha: ‘Apesar da poluição’. Existe um efeito, que me escapa da lembrança o nome, que ocorre quando a correnteza vem de leste, esfriando a água. Esta água é proveniente das profundezas, quando ela encontra o sol, a produção de plânctons é enorme, enriquecendo drasticamente a cadeia alimentar. Plantas e animais microscópicos se reproduzem em quantidade, muitos destes morrem nas areias, deixando-as com mau cheiro, ‘natural’. Isto ocorre em todas as praias onde a ocorrência de águas caldo de cana(geladas) são comuns. Cabo Frio a Laranjeiras e Joaquina a Farol de Santa Marta. Mas é claro que existe muita
poluição na área. Acontece que existem muito mais coisas interessantes sobre este evento, é o evento de surf mais cult do Brasil. É gostoso estar na praia na Prainha, e em dias de evento deste tipo, melhor ainda. No próximo evento da Prainha , que será em junho, se você quiser, podemos fazer uma ponte de informações.
P.S. No final de semana passado, a água na Prainha não estava fria, portanto não estava com a aparência de poluída, tinha ondas de 1,5 m verdes.
Abraço, David Husadel

Resposta:
Caro David,
Desculpe a demora. Entendo e concordo com você que o Circuito Master Orla Rio de Surf é interessante, tem uma vibe legal, a Prainha é bacana, etc. Por tudo isso é que dei a nota na coluna. Você sabe que toda semana acontecem dezenas de eventos, e o espaço é pequeno. Agora, não dá para não falar da poluição que anda comprometendo o que de bom tem acontecido no Rio. Acho que essa marcação, vigilância, comum aos surfistas conscientes, contribui para que os responsáveis se mexam. De resto, parabéns ao Fernando Graça, Pedro Müller… e obrigado pelo alô.
Abraço,
Califa.

Carlos,
Sou uma aluna de jornalismo da Unesp e estou desenvolvendo um jornal sobre esportes radicais. Estou encontrando dificuldade de achar bons materiais
sobre o assunto e, para poder começar o jornal, preciso saber quais esportes radicais fazem parte das Olimpíadas. Será que você pode me ajudar neste assunto?
Obrigada, Renata Martins.

Resposta: Renata
Desculpe a demora. Nas Olimpíadas desse ano, o surf era um dos esportes cotados para ingressar nos jogos. Apesar dos esforços da comunidade, especialmente da ISA – International Surfing Association, e também da Austrália ser, junto com os EUA, o país onde o esporte é mais desenvolvido, o COI não aprovou.
Na lista dos esportes, considero o mountain bike (race) e o caiaque (slalom) as duas únicas modalidades olímpicas que se enquadram nos esportes ditos ‘radicais’.
Boa sorte com o seu jornal
Carlos Sarli

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