QUAL O LIMITE?
Para onde vai o surfe de ondas grandes? A pergunta parece que não vai calar tão cedo
Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Até pouco tempo atrás, quando se falava em ondas grandes, a praia de Waimea, no North Shore havaiano, era referência inevitável. Palco maior dos desafios, e responsável pela glória e desespero dos poucos dispostos a encarar seus riscos nos idos dos anos 60.
Nessa época, outros picos havaianos como Makaha e Kaena Point atraíam as atenções, mas pouco promoviam além de ações isoladas como a que acabou por antecipar o final da carreira do lendário Greg Noll, após um sufoco. As expedições com um ar de aventura como a Pico Alto, no Peru, também integravam o roteiro dos big riders.
Décadas se passaram até que as imagens de Tom Curren e Mike Parsons surfando em Todos os Santos, México, chacoalharam o cenário do big surfe. A poucas horas de distância para os californianos, Todos rachou as atenções com o Havaí nas temporadas de inverno.
Pouco tempo depois, início dos anos 90, foi o tow-in, o surfe com auxílio do jet ski para rebocar o surfista para onda, o responsável por um novo momento no esporte. Questionado pelos puristas, o auxílio do motor permitiu um surfe que assombrou a comunidade. Laird Hamilton foi, e ainda é, a maior expressão da modalidade, e seu ‘quintal’, Jaws, em Maui, a principal pista de testes.
A essa altura, Jeff Clark já surfava Maverick’s, Califórnia, há 15 anos. Escondida pela geografia e por seu descobridor – e pouco convidativa pela temperatura da água, os tubarões, as pedras e pelo tamanho e formação – a onda ficou de uso exclusivo de Clark até ele resolver apresentá-la. Desde então Maverick’s tem roubado a cena.
E quando tudo parecia estar descoberto, especulações sobre bancadas no meio do oceano que provocariam ondas imensas e perfeitas voltaram a inquietar o já suficientemente atribulado universo. No final do ano passado um campeonato de duplas de tow-in no mar da Tasmânia não foi realizado porque as ondas não passaram dos 15 pés, mas o potencial foi constatado.
No último dia 19, depois de longa pesquisa do Project Neptune, a bancada de Cortes, a 160 km da costa californiana, foi revelada. Ondas com 40 pés ou mais, é mesmo difícil medir, foram capturadas por Mike Parsons, Brad Gerlach, Peter Mel e Ken Collins. As imagens e as histórias de apreensão, medo, sufoco e êxtase estão no site www.swell.com. Vale a pena.
E agora para onde vai o surfe de ondas grandes? A pergunta parece que não vai calar tão cedo. Nos últimos anos o big surfe foi o que mais evoluiu tecnicamente. O tow-in, os novos equipamentos, as técnicas de resgate, os treinos específicos e os estudos de correntezas, ventos e ondulações transformaram a modalidade. Ao conversar com especialistas como Laird Hamilton, que tem tudo mapeado e calculado, tem-se a clara sensação de estar discutindo uma ciência.
As mortes dos experientes Mark Foo em Maverick’s e de Todd Chesser num outer reff havaiano, ao contrário do que se poderia prever, em nada reduziu a disposição dos praticantes do surfe de ondas gigantes.
NOTAS
X-GAMES
Começa segunda-feira em Vermont, EUA, a quinta edição dos jogos de inverno promovidos pela TV ESPN. Serão 250 atletas em cinco modalidades, sendo o snowboard o maior destaque.
MAIS NEVE E ACIDENTE
Evolução de equipamentos, atletas ousados e neve farta se tornaram uma equação fatal nas pistas dos EUA. Desde dezembro, só no Colorado, cinco esquiadores e um snowboarder morreram. Dois com mais de 60 anos e um com menos de 10, sendo quatro em choques com árvores.
VIVE LA FRANCE
O surfista francês Mikael Picon, 21, surpreendeu os brasileiros e venceu o Reef Brazil Classic disputado em ondas pequenas, sol escaldante e praia lotada na Joaquina, Florianópolis, SC. Ele havia ficado em terceiro na etapa de abertura na Argentina e é o líder do ranking WQS.
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