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PRATO E PRATA

Nossas medalhas valem mais que ouro

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Longe das rotativas nas últimas três semanas devido à cobertura das Olimpíadas, não pretendia, nesta volta olímpica, abordar os jogos. Mas a nova decepção ao ler as manchetes sobre as eleições na capital na segunda-feira me demoveu da decisão.

Ficamos sem ouro – atrás da Etiópia, Indonésia, Azerbaijão, Uzbequistão – e só uma opção no segundo turno da eleição. O que é muito pior. Até porque as doze medalhas conquistadas pelo Brasil, considerando a marginalidade com que a maioria dos atletas são tratadas, principalmente pelos políticos que elegemos, valem mais que ouro.

O exemplo mais autêntico dessa triste verdade é o judoca Carlos Honorato. O suplente medalha de prata sai diariamente de Taboão da Serra, de ônibus, para treinar em São Caetano do Sul. Se bobear, faz isso pelo grande incentivo de ter uma refeição digna ao final do treino. Nesse aspecto, é relevante o resultado de esportes como o iatismo e o hipismo – praticados quase que exclusivamente por ricos – que, por não dependerem (não que não mereçam) do incentivo dos governantes, estão entre as modalidades mais vencedoras.

Entre os esportes que acompanhamos, o desempenho não fugiu à média da delegação. Apenas três modalidades, mountain bike, canoagem slalom e caiaque, fazem parte dos jogos. Outra grande incoerência. Há espaço para badmington, softball, tênis de mesa, arco e flecha, esgrima, e não para o surfe, o skate, a escalada.

Num total de seis categorias, apenas dois atletas conseguiram vaga em Sydney. No mountain bike, Renato Seabra, 22, montado em equipamento que vale mil vezes menos que Baloubet du Rouet, teve o mesmo destino de Rodrigo Pessoa, a desistência. O motivo: um pneu que refugou, digo furou.

Com 50 competidores participantes, Renato entrou na competição ocupando o 43º lugar na classificação mundial. O formato de largada de acordo com o ranking e a dificuldade de ultrapassagem na trilha, com sete voltas e um percurso total de 50 km, complicavam. Mas assim mesmo ele já havia conquistado dez posições quando parou.

A canoagem e o caiaque em águas brancas (corredeiras) já estão na quarta olimpíada. Depois da demo em Munique (72), as modalidades voltaram em Barcelona (92), estiveram em Atlanta e agora em Sydney, sempre em circuito artificial, à exceção de Atlanta, onde parte era natural.

Cássio Petry, de Três Coroas (RS), reduto do esporte, representou o país na canoa slalom, na qual se rema ajoelhado com remo de pá única. Ficou em 14º entre os 16 participantes, numa prova marcada por desempenhos acima do esperado.

O triatlo é outro esporte que passou a integrar os jogos e que dá a perspectiva de que o COI está minimamente atento para os esportes modernos e que cada vez atraem mais praticantes. Esperamos mais em Atenas.

Notas

Mata os velhos
Ondas de 10 a 12 pés surpreenderam, mas não intimidaram os veteranos que disputam o Quiksilver Masters em Lafitenia, França. Richards, Abelira, Hakman estão entre os que disputam o mundial na categoria acima de 43 anos. Curren, Carroll, Parsons na acima de 35 anos.

WCT
Andy Irons surpreendeu em Trestles, EUA, venceu o Billabong Pro e saiu das últimas posições do ranking. Guilherme Herdy voltou ao pódio, dividindo o terceiro lugar com Shea Lopez. Jake Paterson ficou em segundo. Ele e Luke Egan – faltando duas provas – são os únicos que ainda ameaçam o título de Sunny Garcia, líder do ranking.

Longboard
A ‘perna brasileira’ do circuito mundial de surfe foi inaugurada segunda-feira com o Oxbow World Longboard Championships, na Praia do Rosa, em Santa Catarina. O grande destaque é o norte americano Colin Mc Phillips, atual campeão, além do brasileiro Marcelo Freitas, vice-campeão no ano passado.

E-mail: sarli@revistatrip.com.br

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