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Prancha, violão e bolo de banana

Essa é a receita do havaiano jack Johnson, que, mesmo depois de virar um pop star com milhões de cópias vendidas, não abandona seu estilo de vida pacato e o apego à família

Prancha, violão e bolo de banana

Por Redação

em 6 de outubro de 2005

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por Felipe Lima

Não é somente do clichê dinheiro, drogas e mulheres que vivem astros da música. Jack Johnson, por exemplo, abastece sua vida com surf. Nascido e criado no North Shore havaiano, ele aprendeu a se equilibrar sobre a prancha desde cedo nas ondas de Pipeline, um dos picos mais cobiçados da ilha americana. Aos 17 anos, começou sua carreira como profissional, interrompida por um grave acidente no Pipeline Masters (prova badalada do circuito profissional de surf). Formado em cinema pela Universidade de Santa Bárbara, na Califórnia, chegou a dirigir três documentários sobre o esporte: Thicker Than Water, The September Sessions e A Broken Down Melody.

Entre uma onda e outra, Johnson passou a dedicar parte de seu tempo à música. Iniciou seus primeiros dedilhados com 14 anos, inspirado pelas rodas de violão promovidas por seus pais, e formou uma banda de punk rock – ele é fã confesso de Bad Religion e Suicidal Tendencies, duas bandas que destoam bastante de suas baladas minimalistas que se tornaram trilha sonora obrigatória das praias brasileiras.

Membro da Surfrider Foundation (ONG que luta pela preservação das praias e oceanos) e com três quatro lançados – Brushfire Fairytales (2001), On and On (2003), In Between Dreams (2005) e Sing-A-Longs & Lullabies for the Film Curious George (2006)  –, que somam mais de 2,5 milhões de cópias vendidas, este havaiano de 30 anos é a própria encarnação do ‘aloha spirit’. Antes de subir ao palco para um show em Nampa, nos Estados Unidos, Johnson, casado e pai de um filho, conversou com Trip sobre música, família e, claro, surf.

Você é um cara sossegado e isso transparece em suas composições. Acha que a fama que você alcançou pode afetar seu trabalho e seu jeito de ser? Meu estilo de vida mudou, mas muitas coisas continuam do mesmo jeito. Viajo bastante. Mas sempre volto para o Havaí e passo todos os fins de inverno surfando, exatamente como nos tempos do colegial.

O que você faz para se manter equilibrado? Acho que ter crescido no Havaí e vivido uma vida pacífica ajuda. Meus pais sempre gostaram de natureza e surf. Enquanto eu tiver essas coisas, minha vida estará balanceada.

Você é um cara ‘família’? Um dia perfeito para mim é ir para a praia e surfar. Meu filho tem um ano e meio. Espero ensiná-lo logo a surfar, será bem divertido.

Como é a sua relação com o mar? O mar é uma de minhas maiores inspirações. Andar na cidade, encontrar pessoas, conhecer os lugares, tudo isso me dá vontade de escrever uma música. Mas estar no mar surfando é uma sensação inigualável.

Qual foi o teu momento mais emocionante no surf? Me lembro bem de uns cinco ou seis tubos que peguei na vida, todos em Pipeline. Tive a sensação de que seriam ondas fantásticas [entusiasma-se]. Senti aquele frio na barriga e deslizei pelo tubo. Quando saí dele senti que tudo parou por um minuto, não conseguia imaginar o que tinha acabado de acontecer.

Você conhece algum surfista brasileiro? Conheço muitos, principalmente os que moram no North Shore, como o Flávio ‘Teco’ Padaratz.

E o Brasil? Já surfou por aqui? Não, mas eu gostaria muito de conhecer o seu país. Mario Caldato Jr., o cara que produziu dois discos meus, é brasileiro.

Você gosta de música brasileira? Já ouvi bastante, mas não sei todos os nomes. Gosto muito de Mutantes, João Gilberto e coisas novas que meu produtor me mostra.

Você tem alguma trilha sonora favorita? Eu gosto de Bob Marley para ouvir na praia. Em turnê, ouço muito Otis Redding.

Músico, surfista e diretor de cinema… Você possui algum outro talento em especial? Sim, eu faço um ótimo bolo de banana, é só! [Risos.]

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