Por Redação
em 21 de setembro de 2005
Apenas 30% a 40% dos viciados internados em clínicas de reabilitação que pregam total abstinência conseguem se manter limpos ao sair. Com base nesses dados, o psicólogo Vilmar Ezequiel dos Santos (foto acima), 37, diretor do Espaço Fernando Ramos da Silva, centro de prevenção e tratamento de usuários de drogas de Diadema (SP), defende que o mais importante no tratamento não é deixar de usar drogas, mas repensar seu uso. Para Santos, a substituição de uma droga pesada por outra mais leve pode ser a solução para evitar recaídas. Não prescrevemos a maconha. Mas não recriminamos seu uso, esclarece o diretor, que duvida do combate convencional às drogas. É pouco científico pregar abstinência e uma sociedade sem drogas. É possível recuperar o usuário, dando alternativas menos destrutivas para ele reorganizar sua vida com o uso recreativo e não abusivo ou dependente, sustenta Santos.<br> Muito cuidado Naturalmente, é preciso cautela ao falar para um viciado em crack que ele pode substituir seu vício por maconha. Não dá para dizer ‘fume maconha e tudo estará bem’. Falamos em usar uma droga mais fácil de controlar, ressalta Ezequiel. Desde que estou aqui [seis anos], houve um caso excepcional em que um dependente de crack não se adaptou à maconha, mas conseguiu restringir sua dependência até que um dia falou ‘quero parar’. Esse é o passo fundamental para a reabilitação, acrescentou. O estudante S.Q.S., 16, viu na maconha uma aliada contra seu vício em crack, adquirido há seis anos. Na fissura, tentava me controlar e o baseado quebrava a nóia. Um dia vou largar tudo e ficar de cara limpa para sempre, promete o paciente. Surgido em 1996, o Espaço é mantido pela prefeitura de Diadema e entidades assistenciais como a UrbAl – projeto da União Européia de combate às drogas, que cedeu cerca de R$ 164 mil para financiar os projetos de reabilitação. O Ministério da Saúde contribuiu com R$ 25 mil para ajudar no tratamento de usuários de drogas injetáveis. A procura pela assistência não se restringe apenas a diademenses, se estendendo a usuários de drogas do ABC e SP. Cerca de 400 pessoas são atendidas por mês e encaminhadas a tratamento – que inclui terapia em grupo, aulas de música, artes e dança. A favor da descriminação de todas as drogas, o psicólogo crê no livre-arbítrio. Deixando bem claro que não se podem colocar todas as drogas no mesmo saco, lembra: Descriminá-las tiraria os usuários da marginalidade.

LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Trip
Bruce Springsteen “mata o pai” e vai ao cinema
-
Trip
O que a cannabis pode fazer pelo Alzheimer?
-
Trip
Entrevista com Rodrigo Pimentel nas Páginas Negras
-
Trip
5 artistas que o brasileiro ama odiar
-
Trip
Um dedo de discórdia
-
Trip
A ressurreição de Grilo
-
Trip
A primeira entrevista do traficante Marcinho VP em Bangu