Poesias Existenciais
em 16 de junho de 2010
Quem Ficará
É preciso, ao longo do tempo, como a árvore
Desfazer-se das folhas mortas
Valorizando uma a uma ao vento.
Da riqueza das pedras bonitas
Desprezamos o carvão pela inconsistência
E perdemos o diamante.
A vida define quem encontraremos
Mas nós, valorizando um a um, decidiremos
Quem ficará.
**
Avançar
Não se deixe esconder
Abra-se, descubra-se.
Não se iniba, desgrude de si
Desembarace o novelo.
Não entre para dentro de si
Não se encolha, não se feche
Defenda-se, atire, ouse…
Arrepie sua pele e estremeça.
Não aceite que te congelem
Mire e faça fogo, incendeie-se.
Não tenha medo, não se deixe tremer
Injete sangue nos olhos, sofra
Avance e vença.
**
Presos
É quase doloroso
Ver essa gente ainda jovem
E assim, tão já velha
E mesmo ardentes e vivos
Já tão mortos
E porque quiseram ser livres
Estão tão presos.
**
Saber
Sabemos que há o que sabemos
E sabemos que há o que não sabemos
Mas existe o que não sabemos
Que não sabemos.
**
Primeiras Mentiras
Não há paz, não há felicidade
É tudo uma piada que nos contaram
O fim da ilusão é a inocência culpada
Do que não se sabe, do batismo talvez
Ou aquela comédia dos pais perfeitos
Essas primeiras mentiras
Aquelas mesmas a doer
Para sempre.
**
Luiz Mendes
16/06/2010.
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