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Pequenas manifestações de inteligência administrativa podem mudar para melhor todo o 'network' de relações que convive nas grandes cidades

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Vou insistir em assunto sobre o qual escrevi não muito tempo atrás. É que diante do absoluto abandono ao qual nos vemos submetidos em São Paulo, diante de uma das piores e mais incompetentes administrações de nossa história, torna-se ao mesmo tempo alentador e revoltante constatar como pequenas manifestações de inteligência administrativa podem mudar para melhor todo o ‘network’ de relações que convive nas grandes cidades. A gestão atual do Rio de Janeiro continua sendo uma das maiores fontes de exemplos deste tipo. Um dos grandes flagelos que assolam a imensa maioria dos trabalhadores que fazem uso do automóvel para exercer suas profissões nas grandes cidades, é a milícia de desocupados apelidada de flanelinhas. Com base em ameaças veladas e na odiosa idéia de vender proteção contra o perigo representado por eles mesmos, esta força pára-militar está infestando até as ruas de menos movimento de qualquer cidade de médio ou grande porte no Brasil.
Em vez de ignorar o problema, ou de prender estes elementos esporadicamente por vadiagem, devolvendo-os alguns dias depois ainda melhor preparados para o ilícito, a prefeitura carioca resolveu encará-lo e usar a velha tática de guerra do ‘se não pode vencê-los, junte-se a eles’.
Integrá-los ao tecido social em vez de tratá-los como micróbios repulsivos deu certo.
Foi criado o projeto RIO ROTATIVO. As centenas ou milhares de ‘tomadores de conta’ foram cadastrados, por área de atuação, receberam jalecos fluorescentes e talões numerados e tabelados, ao que consta, pelo valor de 2 reais a unidade. Ao sair pela manhã, o motorista que segue para o trabalho, vai estacionar seu carro no local desejado, pagará os 2 reais ao seu ‘fiscal de vaga’ e receberá o canhoto do seu talão de estacionamento em via pública. Ao longo do dia, não importa quantos serão seus compromissos em outros pontos da cidade. Tudo que terá de fazer ao estacionar em outros locais será exibir o talão que terá validade durante o dia todo, liberando-o de novos pagamentos. Desnecessário dizer que agora, considerando-se empregados e úteis, os flanelinhas comportam-se de forma cortês e digna.
Enquanto isso em São Paulo, continuamos como vítimas inertes jogadas entre a mini-máfia da extorsão urbana e a odiosa, cara e ultrapassada zona azul, hoje integrada ao patrimônio da fábrica de multas que onera infinitamente mais do que educa o cidadão, e serve de alimento para que de quando em vez estourem escândalos como o do DETRAN recentemente iluminado pelo JT.
Com tudo e apesar de tudo, que a ‘trégua’ do Natal traga paz a todos os paulistanos.

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