Pequena Análise dos Técnicos da Copa
Luiz Mendes vê a sutil diferença entre Falcão, Zagalo, Maradona, Felipão e Dunga
em 24 de junho de 2010
Técnicos de Futebol
Gosto muito da elegância, do bom gosto, da sensatez, do equilíbrio, da arte, do amor… Gosto do que é bom, como todo mundo. Quando o Falcão foi o treinador da Seleção Brasileira, achei muito legal. Ele era a elegância e o equilíbrio personificados. Vestia-se em ternos de seda e conversava com desenvoltura de cidadão do mundo. Mas… não ganhou aquela Copa.
Zagalo nunca foi um gentleman. Sua arrogância e prepotência ficam evidentes em frases tipo “Vocês vão ter que me engolir!”, que virou até folclore do futebol. E por quê? Porque tivemos mesmo que engolir e calar. O homem é uma lenda. Não há ninguém tão glorioso quanto ele no mundo da bola.
Talvez um único possa chegar perto: Maradona. Um dos maiores jogadores de bola do mundo e agora sucesso como treinador (caso a Argentina ganhe, se perder…). Maradona para mim é a pessoa mais interessante de todos esses grandes mestres da bola, como Beckenbauer, Platini e Pelé. Todos outros compõem com o establishment do mundo do futebol. São heróis perfeitos, distantes do humano comum. Maradona, como Zagalo, é folclore, animação e vida aos borbotões. Deu tanta mancada que muletas não lhe iriam mal. Drogou-se o quanto quis, e figurou nas manchetes de escândalos internacionais por anos. Sempre foi rebelde e falou verdades que ninguém teve coragem de dizer no mundo do esporte.
Felipão nunca foi delicado, até muito pelo contrário. Os jornalistas sempre destacaram sua grosseria e atitudes intempestivas. Mas ele trouxe a Copa que foi disputar. Dunga foi um verdadeiro ícone das Seleções em que participou. No Brasil não houve nenhum outro jogador, depois dele, que exercesse a liderança com tamanha eficiência. Isso dentro do campo, onde podia correr para apoiar e jogar pelo time. Para mim não interessa a atitude dele com os jornalistas. Não a justifico. Mas se a gente retroceder, o que os jornalistas bateram nele esse tempo em que comanda a Seleção, não é brincadeira. “Burro” é a ofensa mais suave que usaram contra ele. Qualquer ser humano comum ficaria revoltado e, no mínimo, não atenderia bem se o procurassem depois. Se não é nem um pouco justificável, é plenamente compreensível. Claro, ninguém tem o direito de ofender ninguém. Mas quem de nós nunca ofendeu? Somos humanos, não podemos perder essa perspectiva.
Quero ver duas coisas acontecer com relação aos técnicos nessa Copa (o Domenech da França já levou o dele), para ver como vai ficar: Maradona voltar pra casa agora no mata-mata e o Dunga chegar como Campeão da Copa. Não será emocionante? Essa Copa ainda promete!
LEIA TAMBÉM
MAIS LIDAS
-
Trip
Bruce Springsteen “mata o pai” e vai ao cinema
-
Trip
O que a cannabis pode fazer pelo Alzheimer?
-
Trip
Entrevista com Rodrigo Pimentel nas Páginas Negras
-
Trip
5 artistas que o brasileiro ama odiar
-
Trip
Um dedo de discórdia
-
Trip
A primeira entrevista do traficante Marcinho VP em Bangu
-
Trip
A ressurreição de Grilo